quarta-feira, 8 de maio de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Grandes poetas, grandes poemas - 2
Versos íntimos
(Augusto dos
Anjos)
Vês? Ninguém
assistiu ao formidável
Enterro de
tua última quimera.
Somente a
ingratidão – esta pantera –
Foi tua
companheira inseparável!
Acostuma-te a
lama que espera!
O Homem que,
nesta terra miserável,
Mora entre
feras, sente inevitável
Necessidade
de também ser fera.
Toma um
fósforo, acende teu cigarro!
O beijo,
amigo, é a véspera do escarro.
A mão que
afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém
causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa
mão vil que te afaga.
Escarra nessa
boca que te beija.
***
domingo, 5 de maio de 2013
Inexorável
Adiante desfilam.
Quantos desejam voltar?
Mas não agora.
A estrada se desfez
as pernas fadigadas
o passado não sobreviveu
e, sobretudo, ninguém a esperar.
Adiante desfilam.
Quantos desejam se matar?
Mas não agora.
acabou o gás
a corda é podre
o chão é fluído
e munição não há.
***
Fernando Pessoa - Túmulo
Em maio de 2012, estivemos em Portugal - Eu, Rose, Fernanda e Gabi.
Em Lisboa visitamos o Mosteiro dos Jerónimos:
"O Mosteiro dos Jerónimos é um mosteiro manuelino, testemunho monumental da riqueza dos Descobrimentos portugueses. Situa-se em Belém, Lisboa, à entrada do Rio Tejo. Constitui o ponto mais alto da arquitectura manuelina e o mais notável conjunto monástico do século XVI em Portugal e uma das principais igrejas-salão da Europa." - Fonte WikipédiA.
Lá, sem que eu esperasse, me deparei com uma placa que indicava a direção para o túmulo de Fernando Pessoa. É óbvio que me dirigi até lá ... E aqui estão algumas das imagens por mim clicadas na ocasião:
(Cliquem nas fotos para as ampliar)
Em Lisboa visitamos o Mosteiro dos Jerónimos:
"O Mosteiro dos Jerónimos é um mosteiro manuelino, testemunho monumental da riqueza dos Descobrimentos portugueses. Situa-se em Belém, Lisboa, à entrada do Rio Tejo. Constitui o ponto mais alto da arquitectura manuelina e o mais notável conjunto monástico do século XVI em Portugal e uma das principais igrejas-salão da Europa." - Fonte WikipédiA.
Lá, sem que eu esperasse, me deparei com uma placa que indicava a direção para o túmulo de Fernando Pessoa. É óbvio que me dirigi até lá ... E aqui estão algumas das imagens por mim clicadas na ocasião:
(Cliquem nas fotos para as ampliar)
***
sábado, 4 de maio de 2013
Minhas netas
Minha neta mais nova
tem no olhar
inquietude e procura
o da mais velha
encerra
meiguice e ternura.
Lindas demais...
E não é corujice do vovô!
***
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Grandes poetas, grandes poemas - 29/04/13
Para ser grande, sê inteiro
(Ricardo Reis)
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
***
domingo, 28 de abril de 2013
Acidente
Nos primeiros dias após o acidente que sofri, não queria nem falar sobre o mesmo, menos ainda ver as fotos que o pessoal da Segurança da Itamarati fez.
Passados trinta e sete dias, publico aqui o que restou da "neguinha"...
As fotos não são boas, mas dá para ver o estrago. Tive sorte, muita sorte!
Talvez sirva de exemplo para Ferreirada.
Passados trinta e sete dias, publico aqui o que restou da "neguinha"...
As fotos não são boas, mas dá para ver o estrago. Tive sorte, muita sorte!
Talvez sirva de exemplo para Ferreirada.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Obituário
Tião
Balbino faleceu de tanto carregar pedras em Luminárias. Ele, que sempre sorria e
que nunca reclamava. Ele, que entre os filhos e os netos de seu Sebastião do
Estreito se tornara verdadeira lenda. Ele, sujeito simplório e singularmente interessante, que protagoniza um dos melhores
momentos do filme pater familias Redoma,
de 1988, ao animadamente embriagado afirmar que bebe para matar os seus “micróbio”.
Ano passado o conheci. Estava defronte a praça da igreja. Estava acompanhado da
mulher. Estava vergado, mas mesmo em um dia de ventos cortantes não sentia
frio. Ano passado o conheci, embora possa afirmar que também o tenha conhecido
naquele remoto 1988 quando ainda criança. Ora, a quem Tião Balbino passaria
despercebido?
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Espelho
A solidão refletida
no espelho
é meu rosto
Minha ignorância
minha intolerância
não cabem neste reflexo
Só lembranças
só saudades
cabem neste esboço
Minha arrogância
minha impáfia
agora opaca-sem nexo
Minha imagem
de feia
ficou bela
Minha dor
de aguda
ficou na tela
no espelho
é meu rosto
Minha ignorância
minha intolerância
não cabem neste reflexo
Só lembranças
só saudades
cabem neste esboço
Minha arrogância
minha impáfia
agora opaca-sem nexo
Minha imagem
de feia
ficou bela
Minha dor
de aguda
ficou na tela
terça-feira, 9 de abril de 2013
Poesia Sufi - Rumi
...Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.
***
Poesia Sufi
(Rumi)
Desde que chegaste
ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode isto ser segredo para ti?
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode isto ser segredo para ti?
Finalmente, foste
feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
vê quão perfeito se tornou!
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
vê quão perfeito se tornou!
Quando tiveres
cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.
***
TAO TE CHING - Poema 23: Vitória pela auto-suficiência
Quem pouco fala encontra atitude certa
Em todos os acontecimentos.
Não desespera quando rugem trovões,
Porque sabe que não tardam passar;
Sabe que uma chuva não dura o dia todo (Lao-Tsé não conheceu o Maranhão),
É produzido pelo céu e pela terra.
Se tudo é tão inconstante,
Como não o seria o homem?
Por isto o que importa
É a atitude interna.
Isto é: adaptar-se em silêncio
A todos os acontecimentos.
Quem harmoniza os seus atos
Com o Tao (caminho ou princípio) da Realidade
Se torna um com ele.
Quem, no seu agir, é determinado
Por seu próprio ego
Identifica-se com o ego.
Quem identifica o seu agir com coisa qualquer
É identificado com essa coisa.
Quem sintoniza com a alma do Infinito
Assemelha-se em tudo ao Infinito.
E quem assim se harmoniza com o Infinito
Recebe os benefícios do Infinito.
Tanta confiança recebe cada um,
Quanta confiança ele der.
Lao-Tsé, China, século VI A.C.
Em todos os acontecimentos.
Não desespera quando rugem trovões,
Porque sabe que não tardam passar;
Sabe que uma chuva não dura o dia todo (Lao-Tsé não conheceu o Maranhão),
É produzido pelo céu e pela terra.
Se tudo é tão inconstante,
Como não o seria o homem?
Por isto o que importa
É a atitude interna.
Isto é: adaptar-se em silêncio
A todos os acontecimentos.
Quem harmoniza os seus atos
Com o Tao (caminho ou princípio) da Realidade
Se torna um com ele.
Quem, no seu agir, é determinado
Por seu próprio ego
Identifica-se com o ego.
Quem identifica o seu agir com coisa qualquer
É identificado com essa coisa.
Quem sintoniza com a alma do Infinito
Assemelha-se em tudo ao Infinito.
E quem assim se harmoniza com o Infinito
Recebe os benefícios do Infinito.
Tanta confiança recebe cada um,
Quanta confiança ele der.
Lao-Tsé, China, século VI A.C.
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