quarta-feira, 16 de outubro de 2013

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Povoe de aves minha nave.

Semeie libélulas em minhas células.

Melodiosa medusa.

Seduza: serpenteando.

Reduza: redundando.

Sereia extravagante.

Musa e amante.

Que destece minha eterna entropia;

rejuvenesce e motiva minha estadia.

Acerte-me com todo seu feitiço,

e me vicie ao sabor do seu viço,

e me alimente da morte que sua paixão acende.

Encharque-me dessa sua interminável chuva;

minha chaga e minha cura;

minha causa e minha fuga.

Fissura.

Musa e amante.

Povoe de aves minha nave.

Melodiosa medusa.

Semeie libélulas em minhas células.

 

sábado, 28 de setembro de 2013

A fonte.

Da fonte jorra um jorro
Cristalino...
Não bastam foices, sequer enxadas.
Tão pouco o desejo
- O desejo usualmente a si basta -

Da fonte jorra um jorro
Mas a sede é sempre  maior
Do que o jorro que a fonte jorra
Não bastam punhos e braços
Tão pouco o desejo

O que resta após todo esforço
É apenas um olhar triste entristecido...


Envelhecido.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Entenda se puder

Tua culpa é ser feliz
sua risada incomoda
tua alegria irrita.
Não estamos acostumados
a levar a vida de maneira leve
Somos sérios sisudos

O rio é alegre
às vezes encachoeirado-cantante
as arvores não seguem padrões
as vezes são tortas
bailam alucinadas ao vento

Não gostamos de brincadeiras
afinal de contas
a vida é para ser cumprida
e não vivida de modo aleatório

Ás vezes penso
que a natureza
devia ser mais exata
por que é tão inconstante
tão linda,tão mistica.
Viver vale a pena.

sábado, 7 de setembro de 2013

Câmbio automático: Primeiras impressões.



Beirando os meia quatro, comprei uma belíssima HYLUX, completissima, flex, quatro por quatro e... Automática! Meu primeiro carro com câmbio automático! E essas sao minhas primeira impressões:

- Com o cambio mecânico de antes, a decisão de usar a primeira ou quinta era minha. Assim, na entrada de uma curva acentuada, eu que vinha a 140 ou até 160, metia o pé nos freios, enfiava uma teceira, ou quarta, como requerido, e saia com 110 ou 120 no velocímetro.

- indisciplina... Eu sei.

-  No cambio automático, eu aciono os freios e deixo o carro decidir por mim como eu vou sair de lá, e saio a 80 no maximo a 100... Ou seja, se segure camarada, quem manda aqui sou eu e e eu sou disciplinado.

- o cambio automático me botou no devido lugar de um senhor de idade, comportado.

- para quem conhece, exemplifico melhor: O cambio automático eqüivale ao Marengo. Umb belo queimado, de excelente marcha, tranquilo, que nem voltando para casa resfolegava. Na dele, imponente, marchava suave, sem solavancos, para alegria, principalmente, das mulheres. O cambio mecânico ao Moleque ou Corsário, prontos para arrancar, disparar e até jogar no chão o inábil peão.

- Moleque duro, trotao, Corsário marchador, suave, mas nao era isso o que se esperava nem de um e nem do outro. Indisciplina, ardência, fogo, espuma na boca... Cambio mecânico.

- cambio automático... Acho que vai me ensinar.

Ou talvez, me domesticar.... Ainda que tardiamente.




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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Reflexões etílicas (?)

O dinheiro é bão,
mas é um cão.
Por ele valores se vão
Só nele se vive em vão.

Traz poder, acha-se o tal,
mas saiba: é do mal,
Por ele se torna um boçal,
só nele a vida é banal.

Traz o prazer,tudo parece anil,
mas,lá delineia-se o ardil.
Só nele a vida é vil,
mas sem ele, onde já se viu?

Entre o remédio e o veneno
o limite é pequeno.
E a ciência da lida,
dita como vai a vida.

Esse é um poema de autoria do Nelson, o título... apenas contextualizei!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Iniciacao

Arrelampiou na escuridao
zóio de gato
anssim meio rasgados
zóio felino
cabocla do mato

No fundo do galpäo
zóio de gato
anssim meio espichados
zóio faminto-ronrorando
simulando o ato

Fui aproximando-negaceando
zóio de gato
fingindo näo perceber
zöio amarelado
pronto para o prazer

Fui de supetäo
Zöio de gato
fingiu que näo
zöio dissimulado da Capitu
de cacador
virei caca

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Natural


Quem sabe eu ainda
Tenha chance de cultivar uma horta
Quem sabe.
E que ela baste
Para eu e os meus viver.
Quem sabe...

Na manhã abrir a janela
E respirar... Ar
Eu e ela, na manhã,
Hortelã
Leite com café.

Quem sabe ainda,
Um dia,
Eu corra o dia suado,
E ao fim do dia
Me recolha no ninho
Realizado.

Natural... Quem sabe um dia.


&&&

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Saudade Caipira


Aperto nu coração,
É ruim e é bão.
 
É bão causdique
Nus ovidu a sodade cochicha
Du tanto qui eu gosto d'ocê,
Di minha pequena lagartixa
 
E é ruim
Causdique ficar longe,
– me acode, Jisuiz Cristim! –
Di minha desmilinguida lesminha

É o fim.

 
***

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Queria entender;
não compreendo.
Queria morrer;
vou vivendo

Onde vou
se nem sei onde estou
Como chegar
se não quero partir

Violão

Inté meu violão
embora na cidade
percebeu
que sou do sertão

Ficou satisfeito
pois lembrou
do seu passado
do que ele foi feito

Madeira do sertão
madeira de lei
sonoridade cabocla
que canta com paixão

Encostado no meu peito
aconchegou-se com jeito
e gemeu em dueto perfeito
com a minha solidão

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Cataratas


Besteira de Deus.
Rio errou o caminho
E despencou escarpa a baixo
Espumando, rugindo fracasso...

Não acho!

***

Giovani Baffô



 


 


Em casa
de menino de rua
o último a dormir
apaga a lua











***

sábado, 27 de julho de 2013

No que me coube....




No que me coube
eu sempre soube
cheguei o reio...
teve filhos da puta no meio
e eu sem arreio,
mas no que me cabe
faço o que cabe

estou aí para disputar.

Chamem a policia pra sangrar.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Coitadinhos

Nos, os coitadinhos,
temos, entre outros, o defeito
de termos pena de nós mesmos
e de querermos dos outros a mesma dó.

Coitadinhos de nós!
Se há algo que merecemos
é a dor que a nós impusemos.

***