Dizendo
apenas “são estes os seus adorados livros, não são?”, passou os dedinhos sugestivos e macios pela lombada
contínua dos largos volumes empilhados. Em seguida, habilmente felina, lançou
um furtivo olhar em minha direção – olhar que ardia mais do que quinhentos sóis
de quinhentos bilhões de anos atrás...
sexta-feira, 29 de maio de 2015
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Era a gente que não sabia,
qual pássaro da estia,
passaria.
Era a gente que não sabia,
feito ateu em abadia,
feito claustro à luz do dia,
sujeito ao que desconhecia.
Era a gente que não sabia,
que em outras auroras a vida findaria:
outra calmaria;
outra tormenta seria.
Era a gente que não sabia,
que o destino então já comprazia
no endereço em que nos circunscrevia,
na rédea curta com que nos media.
Era a gente que não sabia,
que tão fortuito esse último suspiro chegaria,
e que tão poderoso sobre nós o branco/negro adviria.
era a gente;
era a gente...
Era a gente que não sabia.
era a gente...
Era a gente que não sabia.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Z’EUS
Como é que se faz uma oração a quem
não se conhece,
ou a quem não se conheceu,
ou a quem não se conhecerá?
Como é que se faz uma prece
a alguém cujo nome já não se lembra,
e que morreu há muito tempo,
ou apenas recentemente falecido,
ou mesmo entre aqueles que o presente ainda habitam?
Bastaria imaginar seu aspecto,
desenhar seu rosto,
esse esboço sombreado que a mente senciente tenta recriar?
Bastaria desenvolver a cena memorialística
em que se afigura tal destinatário das boas e religiosas emanações?
Mas e se pensasse então num rosto indistinto,
sem cor e sem traço:
o rosto utópico de toda humanidade mesclada num rosto só:
de todos os que pisaram esse fértil e precário solo:
desse primeiro dentre os homens:
estaria assim rezando a todos Eus?
Estaria assim suplicando diretamente a Ele-que-somos-nós?
ou a quem não se conheceu,
ou a quem não se conhecerá?
Como é que se faz uma prece
a alguém cujo nome já não se lembra,
e que morreu há muito tempo,
ou apenas recentemente falecido,
ou mesmo entre aqueles que o presente ainda habitam?
Bastaria imaginar seu aspecto,
desenhar seu rosto,
esse esboço sombreado que a mente senciente tenta recriar?
Bastaria desenvolver a cena memorialística
em que se afigura tal destinatário das boas e religiosas emanações?
Mas e se pensasse então num rosto indistinto,
sem cor e sem traço:
o rosto utópico de toda humanidade mesclada num rosto só:
de todos os que pisaram esse fértil e precário solo:
desse primeiro dentre os homens:
estaria assim rezando a todos Eus?
Estaria assim suplicando diretamente a Ele-que-somos-nós?
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
MEUS OUTROS
Agora estou aqui.
Aqui e somente aqui.
Não estou lá.
Nem mesmo ali.
Aqui e somente aqui.
Não estou lá.
Nem mesmo ali.
Lá e ali já não serei eu a estar.
Serão então outros de mim.
De modo que o lá e o ali não me devem preocupar.
Serão então outros de mim.
De modo que o lá e o ali não me devem preocupar.
Deles se ocuparão devidamente,
se o seu tempo chegar,
e se chegarem a sê-los,
estes meus outros.
se o seu tempo chegar,
e se chegarem a sê-los,
estes meus outros.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
sábado, 30 de novembro de 2013
Brega
Brega...
Derramar flores aos seus pés.
Colher todas as estrela
E as lhe oferecer,
Ajoelhar-me aos teus pés.
Brega...
Colher as uvas
E derramar o vinho em seu ventre
Apenas para o colher no seu umbigo.
Brega...
Ver em seu olhar,
Luas e diamantes,
De seus cabelos
Escapar colibris.
Brega...
Brega, minha bela,
Minha eterna Cinderela.
Sendo por você,
Amor meu,
Serei eternamente,
Brega...
domingo, 24 de novembro de 2013
Sim, a vida é assim
Sim
A vida é assim.
Do caralho!
Maçãs, uvas,
Cebolas e alhos.
sim.
A vida e assim.
Do caralho!
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Errar é Divino
Se Deus me fez,
fez mal,
Muito mal.
Amanheço
Anoiteço
Como
Bebo...
Azar meu,
Dois ou três dias depois,
Feijão e arroz.
Digo adeus.
Mudando de assunto
Mudando de assunto,
Melhor molhar o ar,
Mudar...
Neblina,
Fina...
Cabeça sem lugar.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Retornando...
Andei um tanto desanimado com este Blog. Não, nenhuma razão específica. Acho que apenas me enchi...
Mas sabem com é... Fica sempre aquela vontade de voltar a ativa.
Então, hoje fiz um quase nada: Postei uma foto nova no cabeçalho.
Essa foto foi obtida quando eu e Rose retornávamos de uma pescaria no Pantanal, lá pelos lado da Fazenda do Descavaldo.
Bonita, não?
Quem sabe me motivo de novo...
***
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
.....
Povoe de aves minha nave.
Semeie libélulas em minhas células.
Melodiosa medusa.
Seduza: serpenteando.
Reduza: redundando.
Sereia extravagante.
Musa e amante.
Que destece minha eterna entropia;
rejuvenesce e motiva minha estadia.
Acerte-me com todo seu feitiço,
e me vicie ao sabor do seu viço,
e me alimente da morte que sua paixão acende.
Encharque-me dessa sua interminável chuva;
minha chaga e minha cura;
minha causa e minha fuga.
Fissura.
Musa e amante.
Povoe de aves minha nave.
Melodiosa medusa.
Semeie libélulas em minhas células.
sábado, 28 de setembro de 2013
A fonte.
Da fonte jorra um
jorro
Cristalino...
Não bastam foices,
sequer enxadas.
Tão pouco o desejo
- O desejo
usualmente a si basta -
Da fonte jorra um
jorro
Mas a sede é
sempre maior
Do que o jorro que a
fonte jorra
Não bastam punhos e
braços
Tão pouco o desejo
O que resta após
todo esforço
É apenas um olhar triste entristecido...
Envelhecido.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Entenda se puder
Tua culpa é ser feliz
sua risada incomoda
tua alegria irrita.
Não estamos acostumados
a levar a vida de maneira leve
Somos sérios sisudos
O rio é alegre
às vezes encachoeirado-cantante
as arvores não seguem padrões
as vezes são tortas
bailam alucinadas ao vento
Não gostamos de brincadeiras
afinal de contas
a vida é para ser cumprida
e não vivida de modo aleatório
Ás vezes penso
que a natureza
devia ser mais exata
por que é tão inconstante
tão linda,tão mistica.
Viver vale a pena.
sua risada incomoda
tua alegria irrita.
Não estamos acostumados
a levar a vida de maneira leve
Somos sérios sisudos
O rio é alegre
às vezes encachoeirado-cantante
as arvores não seguem padrões
as vezes são tortas
bailam alucinadas ao vento
Não gostamos de brincadeiras
afinal de contas
a vida é para ser cumprida
e não vivida de modo aleatório
Ás vezes penso
que a natureza
devia ser mais exata
por que é tão inconstante
tão linda,tão mistica.
Viver vale a pena.
sábado, 7 de setembro de 2013
Câmbio automático: Primeiras impressões.
Beirando os meia quatro, comprei uma belíssima HYLUX, completissima, flex, quatro por quatro e... Automática! Meu primeiro carro com câmbio automático! E essas sao minhas primeira impressões:
- Com o cambio mecânico de antes, a decisão de usar a primeira ou quinta era minha. Assim, na entrada de uma curva acentuada, eu que vinha a 140 ou até 160, metia o pé nos freios, enfiava uma teceira, ou quarta, como requerido, e saia com 110 ou 120 no velocímetro.
- indisciplina... Eu sei.
- No cambio automático, eu aciono os freios e deixo o carro decidir por mim como eu vou sair de lá, e saio a 80 no maximo a 100... Ou seja, se segure camarada, quem manda aqui sou eu e e eu sou disciplinado.
- o cambio automático me botou no devido lugar de um senhor de idade, comportado.
- para quem conhece, exemplifico melhor: O cambio automático eqüivale ao Marengo. Umb belo queimado, de excelente marcha, tranquilo, que nem voltando para casa resfolegava. Na dele, imponente, marchava suave, sem solavancos, para alegria, principalmente, das mulheres. O cambio mecânico ao Moleque ou Corsário, prontos para arrancar, disparar e até jogar no chão o inábil peão.
- Moleque duro, trotao, Corsário marchador, suave, mas nao era isso o que se esperava nem de um e nem do outro. Indisciplina, ardência, fogo, espuma na boca... Cambio mecânico.
- cambio automático... Acho que vai me ensinar.
Ou talvez, me domesticar.... Ainda que tardiamente.
---
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Reflexões etílicas (?)
O dinheiro é bão,
mas é um cão.
Por ele valores se vão
Só nele se vive em vão.
Traz poder, acha-se o tal,
mas saiba: é do mal,
Por ele se torna um boçal,
só nele a vida é banal.
Traz o prazer,tudo parece anil,
mas,lá delineia-se o ardil.
Só nele a vida é vil,
mas sem ele, onde já se viu?
Entre o remédio e o veneno
o limite é pequeno.
E a ciência da lida,
dita como vai a vida.
Esse é um poema de autoria do Nelson, o título... apenas contextualizei!
O dinheiro é bão,
mas é um cão.
Por ele valores se vão
Só nele se vive em vão.
Traz poder, acha-se o tal,
mas saiba: é do mal,
Por ele se torna um boçal,
só nele a vida é banal.
Traz o prazer,tudo parece anil,
mas,lá delineia-se o ardil.
Só nele a vida é vil,
mas sem ele, onde já se viu?
Entre o remédio e o veneno
o limite é pequeno.
E a ciência da lida,
dita como vai a vida.
Esse é um poema de autoria do Nelson, o título... apenas contextualizei!
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