quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Marcus Aurelius






Este meu chará era F... !



Caesar Marcus Aurelius Antoninus Augustus, conhecido como Marco Aurélio (26 de abril de 121 – 17 março 180), foi imperador romano desde 161até sua morte. Nascido Marco Ânio Catílio Severo (Marcus Annius Catilius Severus), tomou o nome de Marco Ânio Vero (Marcus Annius Verus) pelo casamento. Ao ser designado imperador, mudou o nome para Marco Aurélio Antonino, acrescentando-lhe os títulos de imperador, césar e augusto. Aurelius significa "dourado", e a referência a Antoninus deve-se ao fato de ter sido adoptado pelo imperador Antonino Pio.


Seu reinado foi marcado por guerras na parte oriental do Império Romano contra os Partas, e na fronteira norte, contra os Germanos. Foi o último dos cinco bons imperadores, e é lembrado como um governante bem-sucedido e culto; dedicou-se à filosofia, especialmente à corrente filosófica do estoicismo, e escreveu uma obra que até hoje é lida, Meditações.

Marco Aurélio escreveu os doze livros das Meditações em grego, como uma fonte para sua própria orientação e para se melhorar como pessoa. É possível que grandes partes da obra tenham sido escritas em Sírmio, onde ele passou muito tempo planejando campanhas militares entre os anos de 170 a 180. Sabe-se que partes dela foram escritas enquanto ele estava acampado em Aquincum, na Papônia, devido às notas na própria obra que indicam que o segundo livro foi escrito durante suas campanhas contra os Quados, no rio Granova (atual Heron), e o terceiro livro foi escrito em Carnuto. Não se sabe ao certo se ele teve a intenção de publicar seus escritos, e o título "Meditações" é apenas o mais célebre dentre diversos outros comumente designados à coleção. A obra segue o formato de citações, que variam em tamanho, de uma frase a parágrafos longos.

Suas idéias estóicas frequentemente giram em torno da negação de uma emoção, de uma habilidade, que, segundo o autor, libertarão o homem das dores e dos prazeres do mundo material. A única maneira de um homem ser atingido pelos outros seria se ele permitisse que sua reação tomasse conta de si. Marco Aurélio não mostra qualquer fé religiosa em particular nos seus escritos, mas parecia acreditar que algum tipo de força lógica e benevolente organizasse o universo de tal maneira que até mesmo os acontecimentos "ruins" ocorressem para o bem do todo.



Filosofia de Marcus Aurelius:




“O homem comum é exigente com os outros. O homem superior é exigente consigo mesmo”.

“A nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos fizerem dela”.

“O melhor modo de vingar-se de um inimigo, é não se assemelhar a ele”.

“Nada de desgosto, nem de desânimo; se acabas de fracassar, recomeça”

"Muitas vezes erra não apenas quem faz, mas também quem deixa de fazer alguma coisa".

"Antes o reprovamento por um gênio do que um louvor de um idiota".

"Quanto não ganha em tranqüilidade quem não se preocupa com o que o vizinho diz, faz ou pensa, mas apenas com os seus próprios atos".

"Se te ocorrer, de manhã, de acordares com preguiça e indolência, lembra-te deste pensamento: 'Levanto-me para retomar a minha obra de homem.'".

"Pratica cada um dos teus atos como se fosse o último da tua vida".

"Mantenha-se simples, bom, puro, sério, livre de afetação, amigo da justiça, temente aos deuses, gentil, apaixonado, vigoroso em todas as suas atitudes. Lute para viver como a filosofia gostaria que vivesse. Reverencie os deuses e ajude os homens. A vida é curta".

"A experiência é um troféu composto por todas as armas que nos feriram".

"Mais penosas são as conseqüências da ira do que as suas causas".

"Mudar de opinião e seguir quem te corrige é também o comportamento do homem livre".

"A arte de viver é mais parecida com a luta do que com a dança, na medida em que está pronta para enfrentar tanto o inesperado como o imprevisto e não está preparada para cair".

"A maior parte das coisas que dizemos e fazemos não é necessária; quem as eliminar da própria vida será mais tranqüilo e sereno".

"Não se é menos culpado não fazendo o que se deve fazer do que fazendo o que não se deve fazer".

"Não desprezes a morte; dá-lhe boa acolhida, como a uma das coisas que a Natureza quer".

"Quem peca, contra si peca; quem comete injustiça, a si agrava, porque a si mesmo perverte".

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Oráculo

A foto, tão linda,me fez lembrar do que escrevi no famigerado "Avesso". Depois que eles se foram, não escrevi mais. Aí está um pouco dessa auto ficção:
"Feliz se sentira naquela noite, noite de lua cheia e céu estrelado; noite que se contorcia de tanta beleza e era beleza tanta que a gente da casa falava baixo, macio; falava com a sabedoria que vinha das entranhas da terra;do calor subterrâneo das raízes das árvores; do mistério sombreante da serra, agora adormecida. Naquela noite todos saíram de casa, a lua convidara. O luar se insinuava pelas janelas, pelos traçados enlourados, encantantes desenhados nas tábuas do piso; a lua, naquela noite, os queria cúmplices.E assim foram todos passear na estrada, beirar a serra.
Na frente, puxando a tropa, iam mãe e pai enlaçados naquele abraço eterno. De vez e outra, olhavam para trás, cuidavam para que nenhuma de suas ovelhas se desgarrasse.E havia em seus olhares orgulho, prazer enorme de tantos filhos e, quando o menorzinho se mostrou cansado, pai o colocou em seus ombros fazendo com que a criança se agigantasse na continuidade daquele que era para todos herói, homem com H. Logo em seguida, vinham as meninas, de braços dados, em risinhos secretos, já confidenciando com a lua esperanças de amores futuros...mulherzinhas.
Maria buscava a companhia do primogênito.Esse estudava na capital,porém estava de férias na fazenda.Trazia os cabelos longos e a barba por fazer, os olhos fundos, boêmios e uma magreza mítica; trazia também, e era por que Maria ardia, um saber às avessas, um conhecimento de si, um lirismo convulso traduzido em poemas. Maria tomou-lhe a mão e foi gentilmente, sorrateiramente, forçando-o a distanciar dos demais. E assim envolvidos pelos cicios, pelo cintilar dos vaga-lumes, pelo luar..."Mas não foge o covarde, apenas se submete. Deixa-se ser engolido antes mascado como chiclete,... Até os intestinos, onde se faz numa excrescência... Surpreende o frio do amanhecer, do lusco-fusco. Covarde. Da cama até a porta rasteja o molusco”. Maria não decifrava as palavras, mas pressentia o significado, prenunciava a epifania, comungava a substância.Maria, em sobressaltos, sonhava...Um dia, falaria assim, revelar-se-ia assim...Era bonito, doía fundo...
E por último, vindo em grande algazarra, a criançada que corria, levantava poeira, aprisionava vaga-lumes, Bené os liderava
Ao pé da montanha, oráculo sombrio, acenderam uma fogueira e rodearam-na como se fossem uma primitiva tribo.Pai e mãe relembraram o passado; as mocinhas, curiosas, ouviram a história do primeiro encontro; inibidas, do primeiro beijo.O primogênito se isolou buscando rimas nas estrelas.Bené desenhava na escuridão, o tição volvia criando imagens fugazes. O endiabrado corria atrás dos pequenos que viam suas sombras se confundirem com as da criação que indiferente pastava ao redor. Maria ali estava sendo duas.Maria era assim: havia uma que existia e outra que se ausentava para sentir.
Então pai, já preocupado com o desassossego dos pequenos, abandonou românticas histórias e começou a contar assombrados causos.E começou assim, devagarinho como quem não quer nada, desconsiderando a esperada introdução: era uma vez.O que queria pai era que as crianças fossem laçadas pela saga, não pelo o de costume:
- E era assim Papai Américo, um homem diferente, diferente para os tempos de agora, não para os de outrora - disse olhando as chamas como se delas lhe viessem as lembranças. - Naquele tempo havia gente assim, gente mancomunada com os que já foram, com os que são almas de iluminação ou com os que são almas penadas, tratadas de assombração.
E os pequenos como que hipnotizados, vieram buscando assento, aconchego. A noite enluarada exigia presença de estranhas entidades e as crianças sentem primeiro sua proximidade.
-Papai Américo tinha tutano, mando nos de outras esferas. Tanta era sua força que nos idos anos do outro século, benzeu seu próprio filho picado de cobra, cobra venenosa, uma cascavel.Taí sua mãe pra provar que a cria se salvou, a cria era o pai dela. Conta-se também que, um dia Papai Américo se desentendeu com um comprador de gado. Mau negócio, levou manta. Acabrunhado, fez uma reza brava e quando o comprador ia levar o gado... Na frente da porteira da saída, Papai Américo deu uns pulinhos xistosos fazendo o sinal da cruz. Ali, bem no lugar da mandinga e, quem não pode com mandinga, não carrega patuá; o gado vendido que estava sendo tocado, refugou e voltou em desvario pra trás, em debandadas. As reses fugiam como o diabo da cruz. Os boiadeiros assustados, amaldiçoando a feitiçaria, temendo homem de tão medonho compadrio, desfez a trapaça e pagou o preço justo .
O pai entusiasmado por ser dele toda a atenção continuou : - E lembra, Meire - esse não era o nome da mãe,mas da amante - aquela história da assombração que roubava mantimento?
...!!!
Os pequenos, agora sentados em volta da fogueira, iluminados pela luz difusa da lua e do fogo, ouviam atentos, temerosos de tão fantástico parentesco.
Quando o tempo se fez frio, quando a conversa foi se tornando espaçada, quando os olhos se fizeram pesados, resolveram então voltar para o conforto do casarão.
Pai com desvelo, encaminhou a prole de volta.No meio do caminho foram surpreendidos pelos filhos de Passarinho. Vinham vindo trôpegos, desconjuntados, balbuciando desconexos monossílabos, exalando o espanto.Chico Bola na sua retardice de olhos medonhamente arregalados, mal aflorava os lábios.Maria estancou, não queria saber, doía-lhe os ossos, a vista turvava, ante-sentia a tragédia.Ouvindo o mal-contado puderam apurar: Sá Orides fazia sabão preto. Não era noite de lua cheia? Aproveitava a claridade. Os filhos brincando no terreiro, felizinhos eles estavam. O tacho medonho de cobre no centro, dentro o sabão fervendo, fora correria de menino. O descuido, um esbarrão na alça e as lavas negras, borbulhantes, derramando por sobre o corpinho franzino, miúdo, tão- há- pouco- alegrinho do menino de cabelos louros e compridos, promessa...ACUDA PATRÃO! E no silêncio curto do espanto, Maria ouviu a lâmina sendo afiada, sentiu o fio da foice riscar sua pele e veio então o arrepio.
Maria, como uma sonâmbula, continuou a descer a estrada; através dos olhos embaçados - a lágrima não escorria, estava ali presa e haveria de estar ali sem derramar, sem alívio - viu pai, os irmãos mais velhos, mãe, desequilibrada nos pés, tomarem o trilho da casa de Passarinho. Eles, outros, ainda pequenos pra tamanha "precuada", continuaram a marcha.O luar bestificado os acompanhou.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Quitanda



(Foto retirada da internet - Não se trata da "Casinha do Forno", da Fazenda dos Coelhos, em Paulo Freitas)





As primeiras a sair eram as pamonhas... Não as pamonhas como as que hoje se conhece, talvez até fossem broas de milho, contudo nós as conhecíamos como pamonhas, então, pamonhas são. Mas antes disto um delicioso ritual se processava.

O termo “quitanda” tem origem africana, quibumbo-kitanda, que significa mercado de doces, doces de tabuleiro ou qualquer doce de forno.

Lá em Paulo Freitas, na Fazenda dos Coelhos, as delícias ganhavam vida na “casinha do forno”, a primeira de três “casinhas” em meia água, geminadas, construídas no amplo terreiro cimentado, no fundo da qual se erguia um majestoso forno em alvenaria, tudo construído segundo projeto e administração do empreendedor Milton Ferreira.

A primeira coisa a se fazer era aquecer o forno. A técnica era simples: Escolher lenha de boa qualidade e seca (A melhor é a “lenha do mato” – afiançava Sá Eurides); arranjar a lenha, os gravetos e a palha de milho no forno; atear o fogo – com a porta e escotilha abertas para que se formem as labaredas; fechar e vedar porta e escotilha, para formar um braseiro e quando a temperatura estiver ideal varrer o forno com vassouras de alecrim-do-campo (até hoje sinto o cheiro da essência exalada pelo alecrim aquecido!). Para se determinar a temperatura ideal do forno usa-se a palha do milho, que se retorce sob o calor, assumindo uma cor castanho-escuro que é indicativa da temperatura adequada ou, mais fácil, a experiência de uma boa quitandeira, que lá em casa era a Sá Eurides. Melhor não havia nas redondezas!

Enquanto o forno aquecia, ou até mesmo antes de aceso, ocorria a preparação das “massas”. Tudo, ou quase tudo, nas “gamelas de pé” ou “simples”. Lá em casa havia uma “gamela de pés” que foi fabricada - não sei por quem – em peroba rosa e que era constituída por duas “cubas” grandes, escavadas em um único tronco, a estrutura de suporte e os pés; e várias “gamelas simples”. Nesta empreitada de preparar as massas, D. Lilia não apenas supervisionava as atividades, mas também participava ativamente da lida, literalmente “metendo a mão na massa”.

A nós crianças cabia meter os dedos sujos naquelas massas cremosas, chupar, meter de novo os dedos, e ser enxotados por Sá Eurides.

Depois era enrolar as pamonhas em folhas de bananeira, enrolar os biscoitos de polvilho e os biscoitões, torcer as bolachas, trançar as roscas e tudo mais que D. Lilia julgasse adequado. Distribuir simetricamente nos tabuleiros de alumínio e levar ao forno para assar, segundo ordem estabelecida pela quitandeira, Sá Eurides, com a anuência de D. Lilia. Certamente essa ordem foi estabelecida em conformidade com a temperatura do forno, que diminuía com o decorrer do tempo. Assim, como já foi dito, primeiro eram as pamonhas, depois as broas de milho, os biscoitos pesados (biscoitões), os biscoito de trigo, os pães de queijo, as bolachas, as roscas e, por último, os biscoitinhos, ou biscoitos de polvilho. No fim da tarde, usualmente, entrava um lombo ou pernil de porco e que só sairia no dia seguinte, com um sabor indescritível (como diria o Thiago: de comer orando! – Ou seria o Lucas?).

Nas férias de julho, bastavam duas fornadas. Eram suficientes para abastecer a prole esfaimada durante o mês e ainda levar uma boa quantidade para a cidade. Nas férias de dezembro, eram requeridas quatro ou cinco fornadas, dependendo da quantidade de amigos, parentes e afins que vinham passar férias na lendária Fazenda dos Coelhos.

Tudo isso foi escrito apenas para dizer da saudade daqueles cheiros, daqueles sabores e daquela alegria que, pelo menos para mim, é inigualável.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Metamorfose

E aí no sem mais, ela saiu à caça das bruxas. Precisava delas, de seus trajes negros, dos cabelos arrepiados, daqueles acessórios góticos, de uma vassoura voadora, talvez. E aí no sem mais, ela contornou a boca carmim e acentuou o decote revelando um cânion que desaguava no recôndito do nada. Estéril que era. E aí no sem mais, calçou a sandália meia-pata, meia-vassoura , pisando firme, exalando vulgar sensualidade...que me importa?
A festa era à fantasia. Metamorfose. E assim, no sem mais, saiu fantasiada do que era. Quem saberia?
Pelas ruas noturnas da cidade, vagavam seres vindos de macabros, exóticos países. As bruxas já a acompanhavam com a naturalidade dos que se encontram ao acaso, cumprindo a mesma loucura. Múmias gritavam sua histeria de morte, vampiros arreeganhavam os dentes de riso fácil, super-heróis traçavam planos de ataque para salvar a urbe da seriedade hipócrita que a dominava enquanto bolinavam asseadas enfermeiras. E cantavam canções de arrepio e bebiam derramado álcool e dançavam uma dança desengonçada buscando o soturno endereço que os receberia.
À entrada de um suntuoso salão, foram recebidos pelo conde Drácula, em pessoa. Trêmulo em sua fissura por sangue. Ela, no sem mais, adotou uma postura nobre e olhar de cortesã e solenemente buscou àquele que seria sua vítima primeira, nessa ordem. Ali, no canto, na penumbra contrastante com o traje, estava aquele que também se fantasiara do que, na verdade, era. Pensou. Vestido de anjo, uma loura criatura contemplava a sinistra festa.
Medindo os passos, ensaiando lânguidos gestos, aproximou-se sutilmente. Não foi surpresa receber o sorriso daquele que fora d’água ensaiava naturalidades
Enredando-o, ardilosa que era, levou-o para o centro da festa e engalfinhando em seu corpo viril, ensaiou uma dança tétrica. Movimentos enérgicos, vibrantes, desenhavam luxuriante delírio. O anjo e a bruxa, a negra e o branco, o bem e o mal... bailam sensual suplício, mortal encontro. Esfregaram-se, cheiraram-se, inundaram-se do nada suicida.
E assim, no sem mais, se reconhecem na fantasia que não usaram. Ela, nas alturas de seus versos; ele, no abismo de sua oração.
Todos medonhos olhos fixavam estranho par. Todos ouvidos clarividentes ouviram imponderável música.
Porém, o que era som, silencio se tornou, o que era jogo metamorfoseou-se em realidade...e assim no sem mais, saíram do centro festivo em busca de ermo ritmo.
E foi ali, onde quase não se vê, e foi ali onde se revela o invisível que anjo e bruxa se buscaram entre sinuosas brumas e tontos de tanto ardor encontraram nele, a mulher enclausurada;na bruxa, o estéril homem.

ABELHAS


Dia 19/01/11 às 5/50 hs da tarde, sei exatamente o horário pois pensei já estar na hora de tomar uma gelada, era véspera de feriado (São Sebastião, padroeiro de Cristalina), mas resolvi dar uma olhada na lavoura, no talhão da pista, primeiro. Chegando no local avistei uma jaratataca no caminho, pensei até em tirar umas fotos, quando entrou um enxame de abelhas pela janela do motorista que estava aberta e já vieram para cima com tudo. Eu levei muito susto e apavorei, saí do carro pensando que fosse um enxame passageiro, foi então que a coisa ficou preta, deitei na soja, rolei, dei tapa, pescoção, chute, tudo e só fazia piorar, eram muitas abelhas. Levantei, corri, nada, não sabia para que lado correr, voltei para a camionete, enfiei debaixo, próximo ao motor, pensei que com o calor elas me deixariam, não deu resultado. Corri novamente até que minha respiração começou a falhar, então sentei no chão e deixei as coisas acontecerem, e elas picando a nuca, cabeça, orelhas, rosto. Então pensei "será que vou morrer assim? Me ajuda meu Deus". Aí lembrei que se entrasse na camionete e fechasse a porta limitaria o número de abelhas com as quais teria de "brigar", e assim fiz. Fui para dentro da camionete dê-lhe matar abelhas, até que acabei com elas, mas com os vidros fechados eu ficava sem ar, e não havia como ligar o ar condicionado, pois perdi a chave nas primeiras roladas na soja. Abria a porta e enchia de abelhas novamente, mais luta, mais briga, então resolvi soltar o freio de mão e ir descendo com a camionete, com medo de acidente, pois já estava quase desmaiando, mas assim me afastei delas. Agora eu precisava de socorro, o celular não pegava, tive que subir pela estrada, para dar sinal, novamente as abelhas me pegaram, corri de novo para o carro, então resolvi dar a volta pela soja, quase desmaiando, a boca enchia de saliva e eu não conseguia engolir direito, um cansaço fora do normal. Não sei quanto tempo andei, sei que andei bastante, até que consegui ligar para o Milton e pedir por socorro.

Vi o cão de zorba!

Peguei um nojo de abelha, coisa medonha!

A jaratataca faz a bagunça e eu pago o pato.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Flor da minha vida



Ferreiras,
não sei escrever poesia, então aproveito duas músicas, uma do Nando Reis outra do Humbero Gessinger, para homenagear minha Princesa. Confesso que só entendi as duas músicas, especialmente Espatodea, depois que a Isa nasceu.

Parabólica

Espatódea

Esse é outro da Zoé que achei muito legal.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

E nasce um sambinha!

Aflita, Maria indaga: João,
cadê o pão?
Num átimo olhos ao cesto:
Vazio! Um crime!
Nem uma migalha
incrustada na trama de vime.
Continua Maria: João,
e o feijão?
Nem um grão.
E o arroz?
Se vê depois.
E a farinha?
Virgem, que mulherzinha!
Das mais exigentes!
Melhor um traçado no Buraco Quente...
E se por lá estiver o Rato
Uns goles, na palavra um trato,
e nasce um sambinha.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Receita de Ano Novo

RECEITA DE ANO NOVO
(Carlos Drummondde Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Nossos desejos de saude, paz e alegrias em 2011!
Dado, Lu e Isa
Bjos!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ferreiras,

Segue definição da Wikipedia para o Amigo Chinês

"Nessa proposta secreto é o presente e não o amigo.

Estipula-se um valor para o presente e cada participante compra um presente, sempre tendo em mente que ele pode vir a ficar com o presente ao final. O presente deve estar embrulhado de forma a impedir que os participantes saibam o conteúdo da embalagem. Para iniciar o jogo sorteiam-se números para cada um dos participantes. Por exemplo, se 15 pessoas estiverem participando, números de 1 a 15 serão distribuídos para os participantes.

Aquele que sortear o número 1 será o primeiro a pegar algum dos presentes. O número 2 terá o direito de pegar o presente da mesa ou "roubar" o presente do número 1. Caso isso aconteça, o primeiro terá o direito de escolher outro presente da mesa. E assim vai seguindo: o terceiro pode escolher o presente do primeiro ou do segundo ou o da mesa.

O jogo termina quando o último número (nesse caso, o 15) escolhe o presente da mesa ou, se preferir roubar de alguns dos participantes, escolhe o presente de qualquer um dos números. Nesse caso, o último azarado será obrigado a pegar o presente da mesa, não importa qual for. Uma regra importante: cada pessoa poderá trocar o presente somente uma vez.

Essa versão também é conhecida como "Desapego"
"

Nesse Natal faremos o amigo chinês com preço de presente de R$15,00 a R$20,00

Eu, Lu e Isadora já compramos nossos presentes!!!

Beijos,
Dado

sábado, 11 de dezembro de 2010

11 de março de 1967(sábado)

Acabei de fazer a folha do pessoal, aproveito o lápis na mão para falar do dia de hoje.
Levantei hoje mais contente, dia de ir para Lavras é assim. Logo de manhã falei com Geracina: é preciso apanhar quiabo, abobra, couve, taioba e mais verduras que houver para levar. Tirei o leite nas latinhas, arrumei as linguiças, geléia e já fui dando um jeito de arrumar as cestas. Depois dei umas voltas nas roças para ver se arranjava moranga, só achei uma, trouxe esta. Ao chegar em casa, almocei, acabei de arrumar a cesta, encheu, e sobrou ainda muita coisa. Fui procurar outra, só achei uma sem o arco (?). Então falei pro J.Tunico por um arco na mesma e fui dando expediente de arrumar tudo. Arriei um cavalo e fui ver o serviço na lavoura; regular; não pode exigir muito mesmo não, a coisa hoje é assim, e se quiser, também sábado eu acho tudo bom, até os camaradas.Voltei, a outra cesta já estava pronta, arrumei esta também; oh que peso! Cada qual mais pesada que a outra. A. Vaz levou uma e Bento levou a outra.Fiz a folha do pessoal; Nossa Senhora! Não é possível, deste jeito não aguento. A folha de duas semanas ficou em $196000;Poxa! Fica aí escrevendo feito bobo que você perde o trem; olhei o relógio, lasquei um pulo.Está na hora.Tiau.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aprendam Ferreirada!

(Sem sela e sem cabresto!)

Gostei tanto que resolvi postar.
Quem sabe o Tito faça deste um dos seus propósitos para 2011? O cavalo ele já tem...


É Natal

Ontem, encontrei um cartão enviado por nossos pais, há tempos e, achei que havia, além do escrito,um pedido para colocar o que me disseram no blog, para todos nós:
"Feliz o homem que percebe que o Cristo é grande demais para caber no esquema de uma religiãozinha particular". Pelo tempo que aproxima,feliz Natal e um ano novo cheio da benção de Deus."
Milton e Lilia

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tanto eu a quis

A fumaça amarga do último cigarro
ainda me arde na faringe e narinas,
tanto quanto na pele ardem suas rudes palavras
e o grosso do sal em minhas retinas.

Mas acabou.

Não há sequer, na madrugada que se anuncia,
a folia desmedida de tresloucados pardais
o canto, ainda que longínquo, de um galo rouco,
mas apenas o presságio de que nunca mais...

Talvez chova.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Viver

Hoje, eu vivi
notei um sabiá
no pé de fruta
proximo à janela

Hoje, eu vivi
vi minha esposa
e a achei linda
a desejei

Hoje, eu vivi
notei o brilho do sol
achei graça
da minha sombra

Hoje, e só hoje
eu vivi
gostei de mim
gostei de viver

Dezembro

Pois é, Ferreiras:

Em Dezembro teremos vários aniversáriantes na família: Breno -05/12; Miriam - 15/12; Neto - 17/12; Daniel Jr - 18/12; Túlio - 19/12; Cesar - 24/12, e entre ele o do Ferreira-Mor, Milton Ferreira, nosso baluarte eterno, em 11/12.

Fiquem atentos!

Lembrei-me de uns versos que fiz por ocasião de um aniversário de Papai. Não me lembro quanto anos de vida ele completava a epoca, creio que estava entre os setenta e oitenta anos...

Os repasso para vocês:



SENHOR DE IDADE

 Meu pai é hoje um senhor de idade.
Que maldade!
Penso eu...

Bobagem:

A idade não lhe pesa
Como, de resto,
Nada nunca lhe pesou.

Pensando em lhe oferecer descanso:
Uma rede?
Uma cadeira de balanço?

Bobagem:

Meu pai nunca soube o que é descansar.



E creio que ainda não aprendeu... Deve estar lá Céu ajudando Cristo cuidar de sua Fazenda!



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