sábado, 1 de setembro de 2012

Susto





Nem te conto
passou do ponto
desandô
cabrito que trespula
refuga bufando a mula
cavalo murcha oreia
a canga despareia
desconfigurou
arrupiou us cabelo do cangote
o coração nus pinote
vazou na braquiara
e coisa rara
menino
Zé Firmino
tido cumo valente e isperto,
ispiando a morte de perto
rezou dois terço
vorto pru berço
e todo se borrô
 
 
***

 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Lobo



Sou um animal solitário
sou uma alma solitaria
sou um ser solitario
sou um solitario ser

Amo a escuridão
a solidão
a dor

sou um ser

lobo

quando a campina em flor
procriando lobos
bobos
loucos

e sos.

***


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Antiga Benção Celta


(autor desconhecido)


Que o caminho venha ao teu encontro.
Que o vento sopre sempre às tuas costas,
e a chuva caia suave sobre o teu campo.
e até que voltemos a nos encontrar,
que Deus te sustente suavemente
na palma de Sua mão.
Que vivas todo o tempo que quiseres,
e que sempre vivas plenamente.
Lembra sempre de esquecer as coisas que te
entristeceram, e não esqueça de se lembrar das
coisas que te alegraram.
Lembra sempre de esquecer os amigos que se
revelaram falsos, mas nunca deixes de lembrar
daqueles que permaneceram fiéis.
Lembra sempre de esquecer os problemas que já passaram, mas não deixes de lembrar das bençãos de cada dia.
Que o dia mais triste do teu futuro, não seja pior
que o mais feliz do teu passado.
Que o teto nunca caia sobre ti,
e que os amigos debaixo dele nunca partam.
Que sempre tenhas palavras cálidas em um
anoitecer frio,
uma lua cheia em uma noite escura,
e que um caminho se abra sempre à sua porta.
Que vivas cem anos, com um ano extra para
arrepender-te.
Que o Senhor te guarde em Suas mãos,
e não aperte muito Seus dedos.
Que teus vizinhos te respeitem,
que os problemas te abandonem,
os anjos te protejam,
e o céu te acolha.
E que a sorte das colinas celtas te abrace.
Que as bençãos de São Patrício te contemplem.
Que teus bolsos estejam pesados,
e o teu coração leve.
Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e cada noite tenhas um muro contra o vento, um teto para a chuva, bebida junto ao fogo, risadas que consolem aqueles a quem amas, e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.
Que Deus esteja contigo e te abençoe,
que vejas os filhos dos teus filhos,
que o infortúnio te seja breve e que te deixe cheio de bençãos.
Que não conheças nada além da felicidade
deste dia em diante.
Que Deus te conceda muitos anos de vida.
Com certeza Ele sabe que a Terra não tem anjos suficientes.
E assim seja a cada ano, para sempre !"

Assim é!

***

Balela



Opções,
escolhas,
decisões,
vêm
e vão
em vão,
sem nunca chegar,
a nenhum lugar,
definitivo,
vivo.

Melhor não,
melhor mergulhar
na neblina rala,
despencar da montanha
e naufragar em tamanha,
em imensa dor.

Ilusão,
balela,
não, Bela,
vida não há,
sequer escolhas,
nem opções,
tampouco decisões...

A leva o mar,
o ar,
o azar,
a sorte,
para onde
se esconde
e a espera
tranquila, a morte.

( foto capturada na internet)
***

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Flauta Vértebra


Vladimir Maiakóvski




A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.


Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso


eu hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,

veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.


(tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)



***

sábado, 28 de julho de 2012

Turquia

Meninos e Meninas,

    Já estamos no fim do passeio. Amanhã (29/07) pegaremos o voo de volta para o Brasil e amanhã mesmo estaremos em Beozonte.

    O passeio foi ótimo, depois farei uma sequência de posts para vocês "viajarem".

    Segue algumas delicias para vocês degustarem na seguinte sequencia:
# Passeio de balão na Capadoccia;
# Duas fotos da cidade subterranea na Capadoccia;
# Piscina natural de Pamukkale
# Passeio de barco pelas ilhas do meditarrêneo em Fethyie.
#Piscina do hotel em Oludeniz.

Beijos,
Dado, Lu e Isa






domingo, 22 de julho de 2012

Para pensar

Rancho de palha
criança faz pedido
comida que falha
panelão polido

Estrada poeirenta
chão batido
criança birrenta
coração sofrido

Mesmo assim peão
sente saudades
do tempo
de criança

brincadeiras no ribeirão
amor de pai
carinho de mãe
cachorro zangão




sábado, 21 de julho de 2012

Meninos & Meninas



Meninos e meninas.

Meninos são tão,
são tão... meninos.
Meninas não.
Meninas sempre serão
meninas, tão... tão...

Meninos e meninas.

Meninos vêm e vão.
Meninas nunca vêm
e nem nunca vão,
meninas estão.

Meninas e meninos.

Meninos nunca sabem
quem são.
Meninas sempre sabem
quem serão.

Meninos e meninas.

Tão iguais,
nunca iguais,
tão gente,
tão diferentes,
tão mutuamente dependentes.

Meninos e meninas.

Não se falarão jamais.


***

Dor



Uma dor etílica,
líquida,
vívida
mas dor.

Vazios invasivos invadem,
corrosivos, corroem,
destrutivos, destroem...

Uma dor inutil,
futil,
ignobil,
mas dor.

Uma dor vazia,
mas dor.

Trágica,
autofágica,
nutrindo-se da própria agonia,
mas dor...

Uma merda de dor.

***

Falsa

Teixeira,
desembanhou a peixeira
e estripou Joaquim,
ou melhor, Quinzim.
Antes que estripado fosse,
Quinzim,
regalou-se,
fartou-se,
lambuzou-se,
nas profundezas de Manuela.
E ela,
amiga de primeira
de Teixeira,
e que,
veja você,
se não me falha a memoria,
não tinha nada com a história,
viu, e depois
riu-se dos dois.

Juriti II

Este foi o comentario da maninha COCADA (vulgo Miriam), caroneando nos belos versos do Tarlei (Juriti). Não poderiam ficar escondidos em "comentários", por isso, os trouxe para a "primeira página":


Os olhos que vi foram outros, juruti!

"Ansiosa, Maria caminhou mato adentro. Os pés descalços seguiam rastros ali deixados.As mãos de quando em vez, arrancavam um capim que era colocado na boca.Azedinho bom.

- Esqueci de falar São Bento. Tem perigo de cobra?São Bento, São Bento...rezou.

- Se falar mais de três vezes o santo se irrita. Aí não vale –brincou Bené –Apresse Mariinha.

A menina caminhava de cabeça baixa cuidando para não pisar em cobra, Deus me livre. De repente, sentiu uma batida oca na testa.Um cochicho de onde o eu se fazia doutor avisou: sem alma é oco. Uma coisa fria, dura lhe alcançou o pensamento.Olhou para cima e viu abatida uma passarona enforcada.Olhou e viu olhos medonhamente esbugalhados. Olhou e viu a triste figura da juriti pendurada, balançando funebremente.Viu em dor a vítima da perversidade do menino capeta.Seus olhos estupefatos, abestados constataram: tarde demais; suas mãos ensaiaram um movimento inútil, seus joelhos teimaram em dobrar, mas as articulações enrijeceram.Maria fechou os olhos e abriu a boca, sorveu a ventania, as sombras e regurgitou um grito insano,sem fim, desesperado. Desnorteada virou-se, empurrou o irmão que se agachava de tanto rir, derrubou o primo que se fez escarlate com o gemido gritante.Sem interromper o berro, Maria voltou em disparada, deslizou as pedras, como água rolou, derriçando arbustos.Subiu a escadaria macabra sem recuperar o fôlego, atravessou o pomar ouvindo a sombra da mangueira ecoar seu grito e em cera alcançou a casa grande.

A pobre juriti não mais olharia inquieta pra ninguém..."

Então, "São Bento na água benta, Jesus Cristo no altar. Sai da frente bicho ruim, da caminho para eu passar.", esta era a oração "espanta cobra". Juro para vocês, era a declamar e "meter os peitos no mato" sem medo nenhum. Deu certo. Ninguém morreu picado por cobra. E saibam, sobravam cascaveis em Paulo Freitas!

É isto aí, Cocada. Como teclamos, histórias como estas, nos construiram. Por isso nos amamos, nos respeitamos e nos merecemos.


***

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Juriti


Juro pra ti
juriti
olhos iguais
aos teus
nunca vi

Dos teus olhos
tenho medo.
Olhar para eles
tira o sossego.
Serenos- incertos
novo enredo
que nunca entendi
juriti

Quero pensar
em ti
quero te ver
tímida
voando baixo
juriti

Eu menino
na galhada
arapuca armada
quando a capturava
teus olhos
me hipnotizavam

Juriti
forrageando
folhas secas
beirando córrego
debaixo do bambuzal
arrulhando

Sinal
algum sinal
juriti
me mostre
como ser feliz
igual a menino.

sábado, 7 de julho de 2012

Filhotes do rio


Filhotes do rio,
da verdade, da pureza
e de Deus.

Queria eu
ter igual alegria.


***

Francisco

Francisco
era um bom menino,
mas Francisco
tinha cisco
no olho.

Francisco
futucou a torto e a direito,
sem respeito,
futucou
onde não deveria futucar.

Minino,
foi de doer!
Francisco se meteu
onde não deveria se meter.

Deu no que deu,
Francisco morreu...


***

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Belo Monte, anúncio de uma Guerra!"






Recebi, via e-mail, enviado pelo Guilherme Puccini, filho de grandes amigos nossos e vizinhos em Volta Redonda, o texto e os links abaixo.

Vale a muito assistir o filme e daí tirar as suas próprias conclusões!



Segue o documentário “Belo Monte, Anúncio de Uma Guerra“, filme independente sobre a construção da controversa Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. O documentário foi dirigido por André D’Elia e patrocinado por “crowdsourcing”, precisamente 3429 apoiadores que contribuiram usando o sistema Catarse. É um filme necessário para nosso esclarecimento, com 1h44min de depoimentos e gravações com líderes e pessoas das comunidades locais e diversas figuras envolvidas no processo, de políticos a caciques, de ambientalistas a retirantes em busca de emprego. E principalmente com índios, os habitantes originais dessa terra, os atuais moradores das margens do Rio Xingu, onde a Belo Monte e provavelmente outras usinas estão prestes a ser construídas.