segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Capão de mato

Como não poderia deixar de ser ,vou passar para vocês uns versinhos que eu fiz a algum tempo atras, para uma matinha em um momento de paz em sua sombra



Capão de mato
comun
sem trato
simplesmente
mato
nascido por acaso
num ato
divino

Mata cheirosa
sua tez
folhosa
sua cantiga
ventosa
me deixa
com gostosa
alegria

Mato grosso
de fato
um colosso
compacto
seu bailar jocoso
de várias espécies
no seu matoso
mundo,me encanta
Queridos manos e afins,estou sentindo falta de vocês.Vamos bolar um jeito de nos encontrarmos.Estou com saudades daquela intimidade gostosa. Beijos.

domingo, 29 de novembro de 2009

Manga

Já chupei manga este ano. Ano passado chupar manga foi um desafio. Vamos torcer para que eu chupe manga por muitos anos. Aos leigos em assuntos de roça uma breve explicação: Quando nós da roça víamos um bezerrinho fraquinho,doentio, nós dizíamos este aí não chupa manga este ano.

Beijos

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Festa nocéu

Hoje é dia 09 de novembro, hoje é aniversário de minha mãe. Ouça bem, é aniversário de minha mãe. Talvez você, insólito alguém, diria, mas aniversário comemora a vida, o tempo de existência de um ser humano. E sua mãe, não chore, não existe mais. Silêncio,tacanha criatura, você não sabe que a existência não está no outro,mas está em quem lhe permite ser. E em mim, minha mãe está e é sempre e hoje comemora seu aniversário. Ouça, cético fulano, brinca no ar a risada dengosa da eterna adolescente que pede um chocolate,espera uma rosa, e sonha uma festa assim, de surpresa. Abra os olhos, estúpido vivente, veja aquela ternura infantil,aqueles trejeitos sutis, mimados desejos aguardando seu presente. Sinta, abstrato estorvo,minha mãe comemora seu aniversário e o céu hoje está em festa.É certo que,voluntariosa, está deixando todo mundo lá de cima no sufoco, até o Todo Poderoso já está quase renunciando o cargo. Mas é a minha mãe que quer a festa de sempre, é minha mãe que busca o riso de todos, é minha mãe que, enternecida, agradece Deus Pai pelo melhor presente já recebido:acompanhar meu pai na travessia. Cale a boca, estúpido invejoso, hoje é aniversário de minha mãe e os anjos entoam os parabéns e um anjinho torto, desafinado, ao lado de Drumonnd, arrisca um " bonequita linda".Veja bem, os dois se enlaçam naquele abraço eterno e dançam entre risos e beijos e os anjos dizem amém!E você, tola figura, não queira me entristecer, pois minha mãe existe, existe em mim, existe em nós, frutos desse amor.

domingo, 8 de novembro de 2009

Manhã(zinha)

Ainda bem que eu acordei... Enquanto sonhava eu acreditei que morria.

Mamãe passou a mão nos meus cabelos e sorriu, papai me disse que eu estava lerdo... e de fato eu estava lerdo, eu pensava nela, não na minha mãe, nela, mas meu orgulho ainda era aquele homem, nem tão grande assim, até pequeno, usava uma sueter cinza, mas era forte, na verdade eu sou lerdo, não ouso, porque ousar, se ele ousou tudo? Aquele homem...

Aquele homem, um metro e setenta? Um pouco mais? Um pouco menos? Se tanto?

Mamãe beijou minha fronte. Ela sempre soube... E então eu quis e ele disse sim, porque ele sempre disse sim a quem quis, e ele me olhava, com um olhar de quem sabe olhar, com um olhar de vai, com um olhar de faça, com um olhar de vou estar e mamãe disse estou e então eu fui.

Meus cabelos não são bons cabelos: enrolam. Mas mamãe passa a mão nos meus cabelos e me conforta sejam eles bons ou ruins e ela me me diz: Filho, filho, filho... Não é tão dificil assim, um mais um, dois mais dois e vá e então eu fui.

Que bom, está amanhecendo!

Protesto

Deus é pai
não é tirano
seja feita sua vontade
devemos viver implorando

Deus é pai
não é padastro
devemos seguir
seu rastro

O que posso fazer
além de gemer
além de chorar
O que posso fazer
além de pedir
além de implorar

A minha indignação
Pai perdoa
mais um que se foi
ouça o sino que soa.

Justificativa que não justifica

Queridos companheiros ando um tanto quanto atarefado com a época de plantio; heis o motivo de não estar participando da nossa cozinha.
Beijos a todos
Tarlei

Capital

Foi mais fácil do que eu pensava.

A vida, usualmente rola com cada pessoa fazendo de tudo para interferir no seu rolar. Mas ela rola indiferentemente das interferências. Modificamos um ato? Sim. Mas nem eu nem você criamos o ato. Este se deveu, será?, Ao Sobrenatural de Almeida, personagem por demais conhecido entre as linhas do Mineirão.

Mas foi fácil.

Eu só tinha aquela chance. A bolinha "pingando na capital".

Nunca fui bom nisso. Pior, tinha medo de apanhar se fizesse o melhor. A vez era minha... Betão (que era foda nisso) só faltava me dar um cascudo... Eu sabia que podia, mas o olhar de Marcianinho fazia de mim um defunto.

Então decidi. Era Fazer "cricktpumcapitalecorrer".

Foi o o que eu fiz.

Dúvido, até hoje, que, tendo eu essas pernas tão compridas, alguém me pegue!

Foi fácil.


Aniversários

Nunca fui bom para guardar datas. Desde o primário, quando Dona Maria Antonieta me questionava, por exemplo, sobre a data da proclamação da república, eu era um fracasso. Já aconteceu de eu ligar para mamãe para parabenizá-la no aniversário do Betão! (Um pequeno deslize de alguns meses, mas o dia nove estava correto).

Ultimamente, com a ajuda da informática, montei uma boa agenda a qual me alerta, com um mês, uma semana e um dia de antecedência, o aniversário de cada Ferreira descendente de Milton e Lilia e, assim, tenho procurado não só mandar meu beijinho para cada aniversariante, mas também alertar meus "genéticos" para o evento.

Pois então, amanhã nossa mamãe comemoria aniversário.

Pensei: Mando um e-mail para a galera? Não, não mando... Mando sim... São as únicas datas as quais eu devo reverenciar, nem uma de maio nem outra de junho... Apenas essas!

Dona Lilia, meu beijo de parabéns... Seu filho a ama, ontem, hoje e sempre!

sábado, 7 de novembro de 2009

Cadê todo mundo???


Uai, que tá se assucedendo, sô?

Correspondentes, não correspondem; comentarista, não comentam... Estariam os leitores lendo? Já falei pr'oceis, o importante é manter a cozinha viva... Ou, como disse o Tititito (a quantidade de "ti" aumenta a cada sobrinho) a amizade e o companheirismo.
Bão, só pra assoprar as cinzas: Ouvi uma prosa de que tem gente programando passagem de ano em Lavras (sítio? casa? cozinha?... Num sei!). Só quero saber quem tá a frente pra dizer: Tô aqui e muito disposto e muito lépido e fagueiro (hehehe essa é da Nairoca!), pra dar um adjutório, seja ele moral, braçal ou finaceiro.


E já parpitando: (1) Respondam, viablog ou e-mail, quem tá nessa; (2) Ronaldo e Dinha - com o suporte de quem já demonstrou competência (Dado e Lu), poderiam tocar o gado; (3) Digam quanto e onde depositar o $; (4) ignorem tudo se tô pr fora!


Beijos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sorin

Ontem Sorin, um dos maiores ídolos de todos os tempos da torcida cruzeirense, se despediu do futebol. Foi no Mineirão, em uma partida festiva contra os Argentinos Jurniors, time que o lançou, vencida pelo Cruzeiro por 2 x 1, e cujo ingresso pode ser obtido através da troca por um quilo de alimento não perecível.


CRUZEIRO 2 x 1 ARGENTINOS JRS

Escalações:

Cruzeiro: Fábio (Andrey depois Rafael); Diego Renan, Gil (Jancarlos), Fabinho (Neguete) e Sorín (Athirson); Henrique, Marquinhos Paraná (Elicarlos depois Uchôa), Fernandinho (Sorín) e Gilberto (Bernardo); Thiago Ribeiro (Guerrón) e Wellington Paulista (Eliandro depois Leandro Lima)

Argentinos: Peric (Frandino); Basualdo, Fernández, Berardo (Sola) e Sola (Alfonso); Lima, Rius (Salazar), García (Dominguez) e Gianni (Santibañez); Romero (Jaime) e Alfonso (Sorín depois Franco

Técnicos: Adílson Batista (CRU) ; Norberto Batista (ARG)

Gols: Bernardo, 7min, 2ºT-Guerrón, 20min, 2ºT ; Santibañez, 44min, 2ºT

Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Público: 42.216 (público presente) - 58.840 ingressos trocados
Arrecadação: 90 toneladas de alimentos não perecíveis
Árbitro: Cleisson Veloso Pereira (MG) Auxiliares: Celso Luiz da Silva e Cinthia Mara da SilvaMotivo: Despedida de Juan Pablo Sorín do futebol.

.....

Como estou meio diferente hoje, deixo aqui uma carta escrita por Sorin, alguns meses após ter deixado o Cruzeiro, não sem antes ter participado da conquista da taça da copa SUL-MINAS.

.....


Há quatro meses conquistamos a Copa Sul Minas.
Há quatro meses fui embora do Cruzeiro
O texto abaixo escrevi para mim, porém, senti a necessidade de compartilhá-lo com vocês.
Simplesmente para que saibam a importância que tudo isso tem na minha vida.
Simplesmente para seguirmos juntos, apesar da distancia.
Hoje, estréio em meu novo time.
São muitas as expectativas e as vontades de sempre, mas esperando um dia retornar a minha segunda casa. 15:58 hs – Banderas en tu corazón (Bandeiras no teu coração). Setenta e cinco mil caras esperando ver o Cruzeiro campeão.
Saímos rodeados de mascotes e crianças, que nos acompanham sempre com um sorriso.
Pegamos forte e corremos para o gramado.
Uma olhada rápida, mãos para o alto e as primeiras emoções.
Não é comum e é até anormal muitas camisas argentinas, celestes e brancas, no Brasil todas sentimentalmente distinguíveis.
Chegam as placas de homenagem.
Primeiro, do presidente.
Depois, da Máfia Azul e logo uma camisa inesquecível com o meia dúzia nas costas, assinada por todos os funcionários do clube.
A melhor homenagem, da cozinheira ao roupeiro, os encarregados da limpeza, até meus colegas, médicos, técnicos...
Vale ouro! Vale mais suor, ainda!
Sorteio a moeda da Fifa.
Deu branco e ganhei.
No segundo tempo, atacaremos junto ao grosso da nossa torcida.
Antes de começar toca o hino brasileiro.
Todos cantam e eu não. Procuro minha companheira e concentro-me em silêncio.
Observo a torcida e na arquibancada há uma bandeira argentina.
Que orgulho! Não posso acreditar. Onde estão meus amigos do bairro para contar-lhes? Jogam balões para os céus com meu rosto estampado numa bandeira vertical.
É minha despedida, a parte da final. Contenho as lágrimas, soa o apito. 16h20 - Sarando as feridasMeu Deus! Um choque forte, toco a sobrancelha.
Sangue. Puta que pariu! De novo?
Quarto corte na cabeça em dois anos e meio.
Queria jogar e o juiz reserva "canarinho" disse-me que não!
Quase pede minha substituição e disse-me que há muito sangue.
Peço-lhe, por favor. Hoje, não me deixes de fora, irmão!
Ele não entende bem, mas me permite entrar e lá vou eu como um "papai smurf".
Serão seis pontos no intervalo, 0 a 0, com uma bola na trave e um susto forte. 17h40 - Oh meu pai, eu sou Cruzeiro meu pai... Tira a camisa! Tira a camisa!
Parece uma bola perdida, mas sei que o Ruy vai ganhá-la.
O "cabeção," meu amigo e parceiro de quarto, vai tocá-la por um lado e buscá-la pelo outro (fez uma gaúcha, berra o locutor).
Entra na área e só rola para trás.
Não sei o que faço aí, a não ser confiar nele.
Não sei o que faço senão ir além do sonho da despedida e não há tempo para pensar.
Com três dedos e meio esquisitos de prima, com a sempre canhota bendita e a rede se mexe, é o mundo que explode, vem o delírio, a festa...
Não pode ser real. As cabecinhas que pulam descontroladas, a camisa voando na mão e um grito eterno, inesquecível, uma dança especial. 17h55 - Ah, eu tô maluco!Bicampeão!
Faltam segundos e não existe sensação comparável como a de ser campeão.
Nos olhamos cúmplices com o Cris e rimos da conquista depois do esforço.
Somos irmãos, somos um punhado azul de raça inquebrantável, enquanto o pessoal na arquibancada baila, grita, goza e por fim estoura com o final.
Escuta-se um estrondo inconfundível.
Um abraço, dois, um milhão, a correria perdida, louca, entre pulos, festejos com cada companheiro, Toninho, Valdir, Tita e Bolinha, todos malucos.
De repente um cara me leva nas costas e damos a volta olímpica.
Não quero que isso termine e penso se pudesse parar o tempo nesse instante, mas não posso.
E aí, vou dando-me conta que também é o final para mim, que estou indo embora do meu time, da minha cidade, da minha gente.
Então, vem a enorme emoção e comemoro como sempre, desenfreado, sem limites, como se fosse a última vez.
Comemoro e cumprimento cada canto do maravilhoso Mineirão.
Despeço-me e quero abraçar a todos.
Quero que dêem a volta conosco, quero dizer-lhes que eles não sabem como necessitamos de todos aqui dentro.
Vejo as faixas e ainda não acredito.
Vejo os rostos de alegria e até hoje nada sai da minha mente.
Depois de tudo, a surpresa com a presença de minha mãe exatamente no Dia das Mães e é impossível não chorar. Finalmente, recebo a Copa tão desejada.
É bonito ser capitão.
É grandioso ser capitão do Cruzeiro e ser campeão.
Levantamos a taça, desfrutamos e saímos a oferecer aos milhares que estavam por todas as partes até o cansaço.
Imagino Minas.
Imagino Belo Horizonte.
Tudo se acaba e não podia ser tão perfeito.
Será que sonhei?
Nem um sonho seria tão incrível.
Estou partindo e pensando se algum outro dia serei tão feliz!


Juan Pablo Sorín

Acreditar na Vida

O texto a seguir, de autoria de Clarissa Vilela, foi enviado, por e-mail, de Mila para a Rose. Rose gostou tanto que pediu para que eu o postasse no Blog.

Pois aí está:


É ter esperança no amanhã. Saber que após a noite vem o dia.
Viver intensamente as emoções! Pular de alegria.
Não invadir o espaço alheio.
Ser espontâneo.
Apreciar o nascer e o pôr-do-sol.
Amar as pessoas incondicionalmente.
Aproveitar todos os momentos... Fazer trabalho voluntário.
Vencer a depressão! Confiar na voz da intuição.
Perdoar as pessoas.
Estimular a criatividade.
Não se prender a detalhes.
Brincar como uma criança. Chorar de felicidade... Deixar para lá.
Ter pensamento positivo. Respeitar os sentimentos dos outros. Rir sozinho.
Saber trabalhar em equipe.
Ser sincero.
Encontrar a felicidade nas pequenas coisas. Entender que somos pessoas únicas.
É dançar sem medo.
Não se apegar a bens materiais.
Respirar a brisa do mar. Ouvir a melodia suave de uma fonte.
Observar a natureza. Adorar um dia de chuva.
Ter motivação!
Enxergar além das aparências.
Descobrir que precisamos dos outros. Esquecer o que já passou.
Buscar novos horizontes.
Perceber que somos humanos. Vencer a nós mesmos.
Ver a beleza da alma.
Sair da passividade.
Saber que a vida é conseqüência de nossas atitudes... Não procrastinar as decisões.
Mimar a criança interior.
Deixar acontecer... Praticar a humildade.
Adorar calor humano.
Curtir as pequenas vitórias. Viver apaixonado pela vida!
Visualizar só coisas boas.
Entender que há limites.
Mentalizar positivo. Ter auto-estima.
Colocar sua energia positiva em tudo que realizar!
Ver a vida com outros olhos... Só se arrepender do que não fez.
Fazer parcerias com os amigos. Crescer juntos.
Dormir feliz.
Emanar vibração de amor... Saber que estamos só de passagem.
Melhorar os relacionamentos. Aproveitar as oportunidades.
Ouvir o coração... Acreditar na vida!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Viagem

A seguir uma brincadeira... Algo que escrevi já há bastante tempo e que acabou reaparecendo quando eu bisbilhotava um "velho baú" (eletrônico, é bem verdade). Achei divertido, embora um tanto infantil, e resolvi postar no Blog.



Foi numa quarta... Pode também ter sido numa quinta, ou até mesmo numa sexta-feira. O fato é que, fosse o dia que fosse, o mundo corporativo, sustentado pelo capitalismo mais e mais selvagem a cada gota de gula saciada, fervilhava no meu cérebro como desde sempre. O cansaço não encontrava conforto nem no relógio folheado a ouro que há pouco me havia sido entregue, também não encontraria na lindíssima garota-de-programa (um eufemismo para prostituta, puta, piranha...) que eu deixaria a repousar lânguida, numa suíte de luxo, de um hotel luxo, da não tão luxuosa Avenida Atlântica, enquanto eu buscaria meu confortável apartamento, onde eu me atiraria sobre meu colchão de molas alemãs importadas... Já acontecera tantas vezes! Repetidas vezes. Era sempre a mesma fotografia, com apenas leves alterações no contraste, na luz, ou no enquadramento, mas sempre a mesma fotografia. Mas, não naquele dia. Não naquela quarta ou quinta-feira: O chão desapareceu, a glote fechou, sumiu o ar e o cérebro se desfez... Deu boot, pirou, foi pro saco! Com um bico fechei a porta do meu carro e o abandonei, luzes piscando, alarme sonoro a toda, no estacionamento da Firma. Tomei um táxi e, na rodoviária Novo Rio, comprei uma passagem para uma cidade do norte do Estado e de lá, de uma cidadezinha para outra até chegar a Cu-de-judas.

Aqui estou... E onde estou não existe asfalto, carros, água encanada, energia elétrica e, portanto, nenhum dos benefícios dela decorrentes: Banho quente, cerveja gelada, sorvete, rádio ou TV... Afinal, aqui é Cu-de-Judas! Mas ninguém parece sentir nenhuma falta de nada disso e eu, aos poucos, vou me sentindo... Sei lá o que! Talvez mais primitivo, mais natural, mais eu, menos personagem... Meu relógio folheado a ouro pagou algumas passagens, alguns pernoites e o que desse para comer nos botequins de rodoviárias, até aqui chegar. O paletó do terno foi abandonado em algum ônibus, ou talvez no banco de alguma praça, onde foi usado como travesseiro. Da camisa arranquei as mangas e a calça foi cortada e transformada numa espécie de bermuda. E assim me ajeitei. Moro na casa de Seu Epaminondas, Dona Juréia e seus seis filhinhos. Não de favor, não senhor, consegui trabalho na Forjaria Cu-de-judas, ajudando na fabricação de ferraduras, facas, rodas para carroças e outras peças fundamentais, em troca de moradia, comida e uns trocados que dá para comprar umas peças de marmelada, um pedaço de fumo e até para pagar uma pinguinha, de vez em quando, pra mim e pro Neguinho da Forja.

No começo cada músculo de meu corpo doía como nunca doeram nem mesmo após uma das mais prolongadas sessões na Academia Corpus, seguida de uma acirrada disputa de tênis no Tênis Rio Clube, complementadas com uma sessão de alongamento de romper a fibra mais elástica da natureza inumana. Mas agora não tanto e meus olhos já ardem menos... Já se adaptaram às intensas variações de luminosidade na forja e também à leitura sob a luz de velas ou lamparinas. As lamparinas ainda me incomodam um pouco, a fuligem impregna minhas narinas e ataca minha incurável rinite, conseqüência da intensa poluição do Rio, o que continua me chateando. Mas, estou seguro, é apenas uma questão de tempo. A felicidade e a saúde tomaram posse de Cu-de-judas e de todos aqueles que Cu-de-judas apadrinha ou vier apadrinhar. Só me chateia – às vezes, um pouquinho só – a inexistência da internet e a falta de opções para leitura... São mesmo necessárias?

Hoje é domingo. Não é um domingo qualquer, é um domingo com missa. Na casa de Seu Epaminondas e Dona Juréia o domingo amanheceu ainda no sábado: “Minondas, peia aquele frango vermeio deix’êle bem quietim qui’é pra mode a carne ficar bem maciin, pra quando o Padre chegá...”; “Jura, cê areou a bacia?”... É que o padre vinha uma vez a cada mês e se hospedava na casa de Seu Epaminondas e Dona Juréia. Era o mesmo que se Jesus Cristo em pessoa (ou em Espírito, sei lá!) viesse aqui se hospedar. Por conta da missa, a forja não operava desde o fim da sexta-feira. Eu que já havia tratado de me ajeitar, até que estava preparado para a festa: Já tinha conseguido uma calça melhorzinha e algumas bermudas usadas; duas camisas: uma para o trabalho – que varava a semana toda – e outra, de sexta – que eu usava o final de semana. Descalço... Mas quem não estava? Que festa! O padre chegou, comeu e bebeu (Café da manhã: Broa de milho, pamonha, biscoito de polvilho azedo, bolachas, queijo e requeijão, leite com canela, café com rapadura e, para digestão, chá de boldo), bateu o sino da capela, pregou (Uma batalha infindável entre o bem e o mal, a virtude e o pecado, Cristo e o Satanás em guerra e eu querendo entender quem era o mocinho e quem era o vilão em todo o imbróglio), convidou o povo para o XXI Leilão Beneficente da XXI Quermesse de Cu-de-judas (E fomos todos, cerca de cem pessoas, entre crianças e adultos, se tanto. Eu até arrematei, quando seu Epaminondas meneou a cabeça dizendo que sim, a leitoinha que ele próprio havia ofertado como prenda. Fiquei sem os trocados de duas semanas, mas também não abri mão de meu prêmio e não lhe devolvi a leitoinha), comeu e bebeu (Almoço: Frango vermelho refogado com quiabo, arroz, feijão, angu... Quando estava quase terminando, Dona Clara trouxe um lombinho que: “Era uma pena se o Padre não comesse”, goiabada com queijo e para digestão, chá de boldo), visitou o Tião-perna-seca e Dona Jesuíta-Parteira, garantiu alguns votos para a reeleição de um prefeito que ninguém de Cu-de-judas nunca viu, comeu e bebeu (Café da tarde: Leite com canela, pão de batata, café com rapadura e, para digestão, chá de boldo), despediu de uns, mochila cheia de prendas e trocados, montou no jeguinho alugado e se foi, balançando as pernas estrada poeirenta afora.

Dilce, a filha mais velha de Seu Epaminondas e Dona Juréia, cerca de dezesseis anos, parece estar interessada em mim, mesmo tendo eu mais do que o dobro de sua idade. Não a recrimino. Afinal, que opções tem? O Neguinho da Forja, cerca de vinte anos, é um bom sujeito, mas bronco como ele só; O Bola, filho do Tião Padeiro, talvez fosse a escolha mais acertada, também meio passado na idade e bastante obeso, mas sabe fazer algumas contas e até ler um pouquinho; O Zezé da Cotinha apenas em condição de extremo desespero, mirradinho, franzininho e boiolinha como ele só... E acabou. Não é tão feiinha assim a Nilce. A simplicidade, chegando a ser simplória, a candura e a inocência naturais da pouca idade, lhe emprestavam um que de graciosidade digno de nota. Melhor eu manter distância. Na secura que me encontro... Vai que eu acabo me metendo a besta?

Todos já me conhecem. Com os meus bons conhecimentos de gestão empresarial, tenho contribuído, e muito, para a melhoria da produção na Forja Cu-de-Judas: Diversificamos a linha de produtos, introduzindo a fabricação de fundidos em bronze e latão; expandimos a área de comércio, levando a marca e os produtos da FFCJ – Forjaria e Fundição Cu-de-Judas – para além das fronteiras de Cu-de-Judas; Empregamos mais dois auxiliares... Entrou mais grana!

Estão dizendo, informações quentíssimas trazidas pelo Padre Waldir, que a energia elétrica chega a Cu-de-Judas, no mais tardar, até o Natal. Só se fala nisso. Dona Juréia sonha com uma geladeira e, quem sabe, até uma TV; Seu Epaminondas com a possibilidade de expansão da FFCJ; Dilce com um secador de cabelos... E eu? Eu estou começando a ficar preocupado: Cu-de-Judas poderá deixar de ser tão cu-de-judas! Mas, enquanto isso não ocorre, de novidade mesmo, só o pedido de Dilce em casamento que o Bola fez ao Seu Epaminondas, prontamente por ele aceito (uma boca a menos?) e não rechaçado por ela. Casamento marcado (Para quando a energia chegar), Dilce, apareceu à noite no meu quarto.

A energia elétrica chegou; A TV acabou com as prosas na frente dos portões das casas; a FFRCJ – Forjarias e Fundições Reunidas Cu-de-Judas – prospera; Seu Epaminondas quer que eu amplie ainda mais a área de comércio; Dilce e Bola casaram-se e ela já está grávida (quando pode, sussurra ao meu ouvido: O neném é seu!); E eu? Bem aos poucos, vou me sentindo... Sei lá o que! Talvez um pouco menos primitivo, menos natural, menos eu, mais personagem...

Existirá uma Nova-Cu-de-Judas?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Casamento Bruno e Maísa - Ferreiras na Farra!

Pois é, Ferreirada! Tem novidades no Blog... Postei um novo album de fotos, o qual foi denominado "Casamento Bruno e Maísa - Ferreiras na Farra!".

O procedimento para acessá-lo é o mesmo, ou seja;

(1) Clique no link ao lado "Ferreirada por ai (fotos)"

(2) Se não aparecer de imediato os álbuns, clique na aba "minhas fotos" ou "galeria de maferreira", a que aparecer.

(3) Clique em da "capa do album" e curta as fotos (ou melhor, a farra!)

Pode até ser mais fácil simplesmente clicar no link abaixo, mas é mais emocionante o caminho anterior, não é?

http://picasaweb.google.com.br/maferreira90/CasamentoBrunoMaisaFerreirasNaFarra01#

Causos de Milton Ferreira (A Cirurgia)

Na roça de tempos ido, a lida era diferente. Tudo era mais difícil! E ainda que apreciada, à distância, sob o olhar saudoso e romântico, de alguém que a viveu mais como coadjuvante do que como ator principal, as dificuldades sempre afloram. Na Fazenda dos Coelhos, em Paulo Freitas, por exemplo, apenas para citar alguns, a ordenha era manual, o leite entregue em fábricas distantes, debaixo de sol ou chuva, levado no lombo de burros, ou em carroças por eles puxadas; todas as atividades agrícolas, do plantio à colheita, eram manuais e árduas; o acesso às informações difícil; as distâncias longas; as estradas péssimas... Enfim, ainda que se vislumbre certa aura de pureza naquele jeito caipira de ser, nada era fácil.

Para a exata percepção da história que a seguir narro, é necessário compreender estas dificuldades.

Começo por explicar – porque sei que a maioria não conhece – como era beneficiado o feijão: A colheita, como já foi mencionado, era manual. Arrancavam-se as ramas de feijão e formavam-se pequenos montes, mais ou menos com o mesmo espaçamento entre si, os quais, posteriormente eram carregados em carros de boi (carros puxados por bois) e transportados até os “terreirões”, onde eram deixados a secar. Após algum tempo, salvo engano meu, três ou quatro dias, dependendo do sol e de quão maduro estivesse o feijão, no momento da colheita, dava-se a separação dos grãos das vagens e ramas. Para tanto era necessário “bater” o feijão. Atividade bastante extenuante, mas bonita de se ver: Dois ou três peões, empunhando cumpridas e flexíveis varas, davam ritmadamente com as mesma sobre o feijão espalhado no terreiro, fazendo com que os grãos se desprendessem da vagem. Em seguida, era só sacudir a palha, peneirar e ensacar o feijão “beneficiado”.

Naquele ano, papai, tinha colhido muito feijão e o processo de beneficiamento, para nossa alegria, gerado muita palha, a qual foi acumulada no “terreiro de baixo”. Ali a criançada se esbaldava, deixando a imaginação correr a solta: Túneis eram escavados; bunkers (sei que nunca foram chamados assim, mas não acho outra palavra...) construídos, atacados e destruídos; cidadelas conquistadas e heróis forjados.

Uma das técnicas para destruir um bunker era simplesmente se jogar sobre ele e foi exatamente isso que Zezé, filho da Rola, em dado momento fez, no que foi, acidentalmente, aparado por uma ponta de lança – na verdade uma farpa pontiaguda de uma vara quebrada, ali colocada, a guisa de estrepe, por alguém de nós. A lança o atingiu justo no saco, rasgando-o e expondo inteiramente um dos testículos.

Um Deus nos acuda! Nosso pai nos mata... Mas, na verdade, foi ele o salvador.

Estava lá o Zezé estendido sobre a mesa da casinha de biscoito, a calça abaixada até os joelhos, olhos arregalados, mais pelo medo do que pela dor, o saquinho encolhidinho e o testículo exposto, pela primeira vez respirando o ar livre...

- Lilia – Gritou papai, tendo decidido fazer dela a enfermeira chefe e dele próprio o cirurgião – me traga agulha, álcool e uma linha forte.

Mãos desinfetadas, uma boa dose de álcool na bolsa escrotal... Aí Zezé urrou!

- Segure as pernas deste menino! – Ordenou papai.

Coube a mim. Segurei firme, mas não arrisquei um só olhar para a zona de perigo.

- Pronto. – Exclamou papai, após muitos gemidos, esperneadas e tentativas de fuga. – Amanhã pegamos o trem até Itumirim pro Doutor dar uma olhada nisso.

O Doutor examinou bem o menino: O saco muito inchado e meio roxo. Apalpou com cuidado, examinou novamente, desta vez fazendo uso de uma lupa...

- Qual foi o procedimento? – Perguntou ele.

- Desinfetei bem, com álcool, recolhi o “baguinho” e costurei – Respondeu papai.

- Linha de costura? – Perguntou o médico.

- Linha de costura... – Respondeu.

- Forte?

- Forte...

Examinou uma vez mais e dirigindo-se ao Zezé:

- Você pretende ser padre, meu menino?

Ao que Zezé, absolutamente assustado, balançou a cabeça, seguida e de forma a não deixar dúvidas, em sinal de negação.

- Muito bem. Então pode se casar e ter muitos filhos... Só vou lhe passar um antiinflamatório e tudo estará bem – Concluiu, para o nítido alívio também de nosso pai.