Se tivessem pedido a minha opinião, eu lhes teria dito: “Não vale a pena!”. Mas não ma pediram, portanto, não opinei e, sem minha opinião, eles se foram e eu fiquei. O que é, afinal, “valer a pena”? Para alguns é embrenhar-se mata adentro sem mapa e sem guia, se expondo a floresta em si e a si. Para outros é a mesmice do cultivo da horta nos fundo de seu quintal, que não produz frutos – e nem emoções – suficientes sequer para o seu sustento e o de sua prole. Valeria a pena, para uma mula-sem-cabeça ter de volta sua cabeça? De certo que não... Com uma cabeça seria apenas uma mula-de-carga e não uma mula-sem-cabeça... Mas de que vale ser uma mula-sem-cabeça? E o saci-pererê sem uma de suas pernas? E o Curupira com seus pés virados para traz? Todos aleijados... Valer-lhes-ia a pena ter seus aleijões corrigidos? Quem seriam eles sem tais deformidades? Folclore é que não seriam... Vale a pena? E o que dizer do sapo que se regala com sua poça por desconhecer o mar?
Se eles voltassem, talvez eu lhes perguntasse: "Valeu a pena?". Talvez, apenas talvez... Mas eles não voltaram, ou porque não quiseram ou porque não puderam, e eu fiquei sem saber se faria a pergunta caso voltassem e se, caso a fizesse, eles não me faltariam com a verdade. Quem diz, sinceramente, não ter valido a pena o esforço, após a uma empreitada dispendiosa e mal sucedida? Mas eles se foram e eu fiquei, valendo ou não pena, em cada uma das circunstâncias, seguramente pior é a perplexidade entre o ir e o ficar. Aquele limiar em que nada é produzido e nada vale. Valendo ou não a pena, fique ou vá... Foi o que eles fizeram, foi o que eu fiz.
Enfim, todos vocês sabem: “... cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pãos ou pães, é questão de opiniães...”.
/
quinta-feira, 28 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Diário de uma doméstica "mineira"
DIÁRIO DE UMA DOMÉSTICA...
Aproveitando a ausência dos patrões, Dircinéia pega o telefone e fofoca com a amiga Craudete:
-Oi Crau, hoje de manhã eu fui à feira. Antes de sair, meu patrão me pediu para eu trazer figo.
Aí eu perguntei:- Figo fruta ou bife de figo?
- O home ficou uma fera.
Gente fina, seu Adamastor, num ligo não. Ele tem sistema nervoso.
Também, com um emprego chato daqueles, vou te contar.
Ele é Fiscal da Receita. Deve ser um saco ficar conferindo receita de médico o dia inteiro.
Depois chegou o Adamastorzinho, o filho mais novo deles.
Acabou de ganhar um carro todo equipado. Tem roda de maionese, farol de pilha, teto ensolarado e trio elétrico.
Não sei por que trio elétrico num carro deve ser porque ele gosta de música baiana.
- Cê num sabe da úrtima? Eu discubri que aqui nessa mansão que eu trabaio é tudo fachada!- Como assim, Dircinéia ?- pergunta a colega, confusa.
- Nada aqui é dos patrão ! Tudo é imprestado! TUDO!
Cê cridita numa coisa dessas ? Óia só: a rôpa que o patrão usa é dum tal de Armani... a gravata é dum tal de Perre Cardine... os moveis são do tal Luis quinzi, o carro é de uma tal de mercedes... nadica de nada é deles.
- Nooooossa, que pobreza!- E além de pobre, eles são muito inzibido, magina que ôtro dia eu escutei o 'patrão no telefone falano que tinha um Picasso.
- E num tem?-
- Que nada, fia... é piquinininho de dá dó !'
Para rir um pouquinho.
Rose
Aproveitando a ausência dos patrões, Dircinéia pega o telefone e fofoca com a amiga Craudete:
-Oi Crau, hoje de manhã eu fui à feira. Antes de sair, meu patrão me pediu para eu trazer figo.
Aí eu perguntei:- Figo fruta ou bife de figo?
- O home ficou uma fera.
Gente fina, seu Adamastor, num ligo não. Ele tem sistema nervoso.
Também, com um emprego chato daqueles, vou te contar.
Ele é Fiscal da Receita. Deve ser um saco ficar conferindo receita de médico o dia inteiro.
Depois chegou o Adamastorzinho, o filho mais novo deles.
Acabou de ganhar um carro todo equipado. Tem roda de maionese, farol de pilha, teto ensolarado e trio elétrico.
Não sei por que trio elétrico num carro deve ser porque ele gosta de música baiana.
- Cê num sabe da úrtima? Eu discubri que aqui nessa mansão que eu trabaio é tudo fachada!- Como assim, Dircinéia ?- pergunta a colega, confusa.
- Nada aqui é dos patrão ! Tudo é imprestado! TUDO!
Cê cridita numa coisa dessas ? Óia só: a rôpa que o patrão usa é dum tal de Armani... a gravata é dum tal de Perre Cardine... os moveis são do tal Luis quinzi, o carro é de uma tal de mercedes... nadica de nada é deles.
- Nooooossa, que pobreza!- E além de pobre, eles são muito inzibido, magina que ôtro dia eu escutei o 'patrão no telefone falano que tinha um Picasso.
- E num tem?-
- Que nada, fia... é piquinininho de dá dó !'
Para rir um pouquinho.
Rose
terça-feira, 19 de abril de 2011
O Passarinho
(Versinhos antigos... Bem antigos!)
(Foto capturada na internet )
O passarinho constroi seu niho.
Piu, piu... Piu, piu... Piu, piu...
Psiu!
Não incomodem o passarinho,
tão bonitinho!
Quem o ensinou?
Foi Deus... Foi Deus... Foi Deus...
Responde minha consciência.
Quem mais poderia ser?
Arquiteto nenhum teria tal ciência.
Piu, piu... Piu, piu... Piu, piu...
Psiu!
Não o afugente.
Deixai-o a urdir para sua passarinha,
tão bonitinha!
Que eles não são como gente
- Oh gente má -
que quando urde ou trama,
nada de bom pode se esperar.
Quem os ensinou?
Não foi Deus... Não foi Deus... Não foi Deus...
Responde minha consciência.
Quem, então poderia ser?
Para tal ao homem excede ciência!
Buumm... Buumm... Buumm...
Bem depressa afugente
essa gente.
Não os deixe arquitetar.
- Oh gente má!
/
(Foto capturada na internet )
O passarinho constroi seu niho.
Piu, piu... Piu, piu... Piu, piu...
Psiu!
Não incomodem o passarinho,
tão bonitinho!
Quem o ensinou?
Foi Deus... Foi Deus... Foi Deus...
Responde minha consciência.
Quem mais poderia ser?
Arquiteto nenhum teria tal ciência.
Piu, piu... Piu, piu... Piu, piu...
Psiu!
Não o afugente.
Deixai-o a urdir para sua passarinha,
tão bonitinha!
Que eles não são como gente
- Oh gente má -
que quando urde ou trama,
nada de bom pode se esperar.
Quem os ensinou?
Não foi Deus... Não foi Deus... Não foi Deus...
Responde minha consciência.
Quem, então poderia ser?
Para tal ao homem excede ciência!
Buumm... Buumm... Buumm...
Bem depressa afugente
essa gente.
Não os deixe arquitetar.
- Oh gente má!
/
quarta-feira, 13 de abril de 2011
LUCIFER
Naquela tarde eu tinha um encontro marcado:
Lúcifer, impávido, me esperava na esquina,
trazia nas mãos, escondidos, três dados,
lançados ao léu desvendariam minha sina.
Ave Coisa Ruim! Rei delegado do inferno,
dois dedos de cachaça, redemoinho, erva macerada,
rabo de saia, cascos fendidos, beijo fraterno,
Judas, guatambu na mão e na enxada.
Naquela tarde faltou-me bravura...
Havia um pacto a ser firmado com Belzebu,
luz das trevas, flautas doces de pedras duras,
emaranhado de cipós, laço constringente de sucuriju.
Ave Coisa Ruim! Anjo perverso das profundezas,
avesso de todos os avessos, visgo, espelho partido.
Diga-me: De que valerá a virtude e a beleza
se todos os vícios e toda fealdade houver morrido?
segunda-feira, 11 de abril de 2011
O que quer dizer " no frigir dos ovos"
Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"? Resposta: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo. Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos. Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão. Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou. O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente. Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco... A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho. Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda. Entendeu o que significa "no frigir dos ovos"? (Autor desconhecido)
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Aniversário de UM ano
Queridos Ferreiras,
no próximo domingo, dia 10, completo 1 ano de vida, mas meus pais, por causa do show de um tal de U2, resolveram antecipar a comemoração do meu primeiro ano de vida para o dia 02/04. Se fosse por conta da Galinha Pintadinha eu até entenderia, mas U2!! Nunca ouvi falar...
Mas no fim das contas achei ótimo pois dia 02 é o niver da minha mamãe, então foi uma festança só.
Minha festa de 1 ano foi ótima. Teve bolo, docinhos, balas, salgadinhos e etc. Pena que não pude comer nada, pois mamãe e papai não deixaram. Vieram apenas pessoas da família e espero no próximo aniversário ter a presença de mais familiares na festa.
Estou com saudades de todos e espero encontrar com vocês novamente em breve.
Beijos,
Isadora
P.S.
As fotos são:
1) foto do parabéns
2) foto da mesa que papai, mamãe, Tia Má e tia Aline prepararam para mim
3) Eu com minha prima Cecília e meu primo Pedro Henrique
4) Curtindo o presente da tia Aline
Cesar Ferreira
Só hoje me dei conta de que Cezar Ferreira constava da lista de seguidores. Que bom, cada vez mais a turma vai se achegando.
Seja bem vindo Cesinha... Contamos com sua participação: Postando, palpitando...
Seja bem vindo Cesinha... Contamos com sua participação: Postando, palpitando...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Batizado da Camila
Saibam todos os Ferreira que este post lerem que em 3 de abril de 2011, minha linda netinha, Camila Souza Maia, adentrou o Mundo Cristão, através do batismo na Igreja Católica Apostólica Romana, em Macaé-RJ.
Brevemente fotos serão publicadas...
Brevemente fotos serão publicadas...
CATACUMBA
Mortos muito remotos perdem seus nomes. Ossadas ancestrais e insensíveis. Desmembradas. Empilhadas. Aqui, um crânio descarnado de um Gonzalo. Ali, um fêmur fissurado de uma Tereza. Ou seria o contrário? Claro que os nomes são inventados. Os sexos inferidos. Para que nos aproximemos de suas realidades distantes. Um legista - não! um arqueólogo - poderia conhecer seus sexos, mas seus nomes... Poderia conhecer suas causas-mortis, mas a causa de suas vidas... Não se engane - não nos enganemos! O crânio descarnado é seu. O fêmur fissurado é meu. Ou seria o contrário? *não era bem esse o formato, mas a falta da prática cobra seu preço. sinal de que preciso voltar a postar mais.
terça-feira, 29 de março de 2011
Cruzeiro Esporte Clube vira "Dolar" Esporte Clube: Estabelecido nos Estados Unidos com a marca Cruzeiro USA desde novembro do ano passado, o clube mineiro pretende estreitar os laços com a maior potência econômica mundial. O projeto celeste começa com a construção de um complexo esportivo na região de Atlanta, na Geórgia, e poderá resultar até mesmo na entrada da Raposa na Major League Soccer. Chegar ao campeonato nacional dos Estados Unidos, no entanto, ainda é um plano para ser concretizado a longo prazo. Primeiramente, outros passos importantes do Cruzeiro precisarão ser dados na América do Norte. - Ainda precisamos fortalecer bem a marca nos Estados Unidos em termos de divulgação, credibilidade e conhecimento público. Isso (jogar a MLS) é uma coisa para o futuro. Não tem nada pensado e projetado. Mas, se as coisas forem dando certo ao longo do tempo, pode ser interessante – avalia o gerente de futebol celeste, Valdir Barbosa, ao LANCENET!. Rose Soares Souza
sábado, 26 de março de 2011
Aniversário do Blog
Dia 25/03/2009, as 11:13, foi publicado o primeiro post do Blog Os Ferreira.
Desde lá muita coisa aconteceu, sendo o evento mais drástico e doloroso a perda de nossos imensamente amados pais - um, menos de um mês após o outro. Mas também tivemos muitos motivos para nos alegrarmos e, ao meu ver, o mais importante deles foi o fato de estarmos nos esforçando para manter e mantendo a unidade da família, mesmo sem a presença física de nossos baluartes.
Creio que o Blog também tem contribuído um pouco para isso.
Desde aquela data tivemos:
Ou seja, estamos aí pelo mundo.
Brincadeira. Os dados revelam um Blog muito modesto. Mas o seu objetivo sempre foi ser a "cozinha da casa de D. Lilia" e, se assim é, creio que um pouquinho disto está acontecendo.
/
Desde lá muita coisa aconteceu, sendo o evento mais drástico e doloroso a perda de nossos imensamente amados pais - um, menos de um mês após o outro. Mas também tivemos muitos motivos para nos alegrarmos e, ao meu ver, o mais importante deles foi o fato de estarmos nos esforçando para manter e mantendo a unidade da família, mesmo sem a presença física de nossos baluartes.
Creio que o Blog também tem contribuído um pouco para isso.
Desde aquela data tivemos:
- 259 post's publicados;
- 391 comentários emitidos;
- 7.098 visualizações de página, sendo:
- Brasil ------ --------- 6.333 visualizações
- Estados Unidos ------- 327 visualizações
- Portugal -------------- 159 visualizações
- França ---------------- 53 visualizações
- Canadá --------------- 41 visualizações
- Austrália -------------- 33 visualizações
- Japão ----------------- 27 visualizações
- Geórgia --------------- 24 visualizações
- Reino Unido ---------- 18 visualizações
- Macau ---------------- 14 visualizações
Ou seja, estamos aí pelo mundo.
Brincadeira. Os dados revelam um Blog muito modesto. Mas o seu objetivo sempre foi ser a "cozinha da casa de D. Lilia" e, se assim é, creio que um pouquinho disto está acontecendo.
Parabéns para o Blog "OS FERREIRA"!
/
Valha-me Rainha
Peço-lhe respeito.
Morrer a tempo
é morrer direito!
Valha-me Deus!
Que a hora seja boa.
Sem catre, sem ossos,
sem ave-marias,
sem padre-nossos...
Valha-me Rainha!
Que eu tombe numa rinha.
/
Morrer a tempo
é morrer direito!
Valha-me Deus!
Que a hora seja boa.
Sem catre, sem ossos,
sem ave-marias,
sem padre-nossos...
Valha-me Rainha!
Que eu tombe numa rinha.
/
Poetando
Outono
Finda o outono
Cai o sol fechando a tampa do caixão
no qual jaz dilacerado o último sonho...
Acendo um cigarro, não há fumaça,
que coisa insossa, morna,
um cigarro assim é tão sem graça!
Mas a brasa, de qualquer forma,
faz arder o pulmão.
Imoral
O amor é uma bobagem,
assim como a adoração a Deus.
O que vale
é sexo, paixão e amizade.
Tudo o demais é imoralidade!
A qualquer hora
De véspera não padeço,
sei que ela tem meu endereço
e, se tanto mereço,
na hora certa – se é que uma há –
chegará branda como brando vento,
para ao meu lado tomar assento
e calmamente degustarmos um chá.
/
sábado, 19 de março de 2011
Goiabada
Naquela tarde eu já havia ido até a Estação, na Venda do João Lopes, de onde eu trouxe, a pedido de Dona Lilia, na garupa do Cavalo Marengo, o mais manso de todos, dois sacos com 50 kg de açúcar cada. Ficou na conta. Anotado numa caderneta de capa preta, sem a necessidade de ser a compra atestada.
“Dá pra começar... No sábado, buscamos mais.” – Sentenciou Dona Lilia, anunciando que teríamos pela frente uma atarefada e divertida semana fabricando Goiabada.
No dia seguinte, saímos nós, os “Colhedores de Goiaba”, em busca da matéria prima para o doce. Nos cavalos em montávamos – se não em todos, na maioria – estavam presos, um de cada lado e unidos entre si, dois latões com capacidade para cinqüenta litros de leite cada, os quais deveriam ser cheios com as frutas a serem colhidas. Algumas légua depois, nos campos do Mato sem Pau, ou nos pastos de Dona Chanica, ou ainda lá pras bandas do Seu Waldemarzinho, era iniciada uma alegre disputa de qual grupo encheria primeiro seus latões com aquelas frutas cheirosa, disputando-as com alguns maribondos e correndo sérios riscos de queda de uma goiabeira espigada.
No final da tarde retornávamos. As goiabas colhidas eram despejadas em grandes balaios de bambu e a noitinha, logo após o jantar, Dona Lilia juntava a “tropa” na cozinha e nos dividia em dois grupos: Os Cortadores, que armados com facas cumpriam as tarefas de limpar as goiabas – cortar a ponta e a bundinha e eliminar os “olhinhos pretos” – e as cortar, passando-as, em seguida, para a Turma da Colher, que, de colher em punho, se encarregava de retirar as sementes das goiabas cortadas, eliminando as sementes ruins e reservando as boas para a produção de geléia. A Turma da Colher era sempre constituída por menos componentes, uma vez que os Cortadores tinham mais atividades e, então, buscava-se manter o equilíbrio reduzindo a força daquela. Em que pese este artifício, era comum a Turma da Colher ficar sem matéria prima e quando isso ocorria todos batiam com a colher na mesa em provocação a lerdeza dos Cortadores.
Haja bagunça! Se Dona Lilia não impusesse ordem na turma, arriscava a cozinha transformar numa praça de guerra, com sementes e polpas de goiaba voando a esmo ou em direção dos adversários.
No dia seguinte as goiabas eram cuidadosamente lavadas, lançadas num tacho grande de cobre e levadas para uma fornalha baixa, acesa em fogo alto de lenha. Tudo isso na “casinha do tanque”, que era uma construção em meia-água, onde eram encontrados três tanques grandes de cimento e a tal fornalha. Ali Sá Eurides (a bem da verdade, não sei se era ela, Geracina, Maria Caetano... ou outra pessoa) com uma comprida colher de pau mexia sem parar as goiabas no tacho, até que se desfizessem numa massa avermelhada e fervente, espirrando para tudo quanto é lado e frequentemente atingindo a doceira, que se protegia como podia.
Nessa fase, cabia a nós, aguçados pelo cheiro intenso de goiabas cozinhando, aguardar o doce ficar no ponto – o que era precisamente decidido por Dona Lilia – e o tacho ser liberado para “ser raspado”.
Estripulias da Prole
Certamente isso tudo não ocorria sempre sem que a prole aprontasse alguma. Lembro-me agora dois casos:
A colherada:
Em certa ocasião, assim que o tacho de doce foi liberado para ser raspado pela galera miúda (raspar o tacho era a melhor atividade no processo de fabricação da goiabada) eu, com a autoridade que me conferia a primogenia, tratei logo de demarcar com o cabo da colher, áreas no tacho com porções mais ou menos equivalentes de doce. A cada um coube uma daquelas áreas para ser usufruída. Ao que me consta – mas sei que há controversas – Maria Aline andou invadindo a minha área... Também ao que me consta – e, uma vez mais, com contestações – foi alertada para a ilegalidade uma, duas, três vezes... Deu no que deu. Na quarta invasão, dei-lhe com o cabo da colher no cocuruto.
Foi uma sangueira dos Diabos!
Eu tentando acalmar Maria Aline – que já corria para me denunciar, ou para ser socorrida... Sei lá! – e com isso evitar os chinelos de mamãe ou o cinto de papai.
Do desfecho exato do acontecido eu não me lembro, mas sei que até hoje Maria Aline tem uma cicatriz (bem pequeninha) no topo da cabeça, que não a deixa esquecer de seu irmão querido.
O assalto às caixetas:
Muitos quilos de açúcar e de goiabas eram consumidos para fabricar muitas e muitas caixetas com goiabada, o suficiente para toda temporada de férias e mais uma grande parte do ano letivo. Em que pese a grande quantidade disponível, havia uma regra: “Sobremesa é uma vez só!” e sem discussões...
Não sei se todas as caixetas são assim, mas as nossas eram de madeiras, muito bem acabadas, e com uma tampa corrediça que deslizava horizontalmente, de modo a abrir e fechar a caixeta. Usualmente, essas caixetas eram guardas assim: Umas ou duas delas no armário da copa e que eram destinadas ao consumo diário, as demais – talvez cerca de vinte, ou mais – na casinha do canto. Essas eram destinadas a repor o de consumo diário e constituir o estoque a ser levado para a cidade, quando as férias terminassem.
Para servir o doce, papai, sempre ele, puxava a tampa da caixeta até cerca da metade da mesma, partia o doce e o distribuía para a turma.
Como eu disse: “Sobremesa uma vez só!”. Um pedaço para cada menino Eventualmente dois: Um para comer no prato com leite (não era sobremesa, eu creio) e outro como efetiva sobremesa. Fazer o que? O jeito foi apelar para o furto.
A casinha do canto, onde os mantimentos em geral eram estocados – inclusive as caixetas de goiabada – era mantida chaveada. O jeito era acessar a casinha do meio e, como todas – a do forno, a do meio e a do canto – não tinham laje, era só escalar a parede e pular de uma casinha para outra. Estando lá dentro, era abrir totalmente a caixeta e cortar o doce do fundo para a cabeceira, exatamente na direção contrária a do que papai seguiria, e depois voltar misturar a caixeta invadida entre as outras, cuidando para que ficasse o mais para fundo possível. Assim, mais tempo se levaria até que a tramóia fosse descoberta.
É claro que um dia descobriu-se... Sei lá o que aconteceu! Não me lembro de ter apanhado por conta disso.
“Dá pra começar... No sábado, buscamos mais.” – Sentenciou Dona Lilia, anunciando que teríamos pela frente uma atarefada e divertida semana fabricando Goiabada.
No dia seguinte, saímos nós, os “Colhedores de Goiaba”, em busca da matéria prima para o doce. Nos cavalos em montávamos – se não em todos, na maioria – estavam presos, um de cada lado e unidos entre si, dois latões com capacidade para cinqüenta litros de leite cada, os quais deveriam ser cheios com as frutas a serem colhidas. Algumas légua depois, nos campos do Mato sem Pau, ou nos pastos de Dona Chanica, ou ainda lá pras bandas do Seu Waldemarzinho, era iniciada uma alegre disputa de qual grupo encheria primeiro seus latões com aquelas frutas cheirosa, disputando-as com alguns maribondos e correndo sérios riscos de queda de uma goiabeira espigada.
No final da tarde retornávamos. As goiabas colhidas eram despejadas em grandes balaios de bambu e a noitinha, logo após o jantar, Dona Lilia juntava a “tropa” na cozinha e nos dividia em dois grupos: Os Cortadores, que armados com facas cumpriam as tarefas de limpar as goiabas – cortar a ponta e a bundinha e eliminar os “olhinhos pretos” – e as cortar, passando-as, em seguida, para a Turma da Colher, que, de colher em punho, se encarregava de retirar as sementes das goiabas cortadas, eliminando as sementes ruins e reservando as boas para a produção de geléia. A Turma da Colher era sempre constituída por menos componentes, uma vez que os Cortadores tinham mais atividades e, então, buscava-se manter o equilíbrio reduzindo a força daquela. Em que pese este artifício, era comum a Turma da Colher ficar sem matéria prima e quando isso ocorria todos batiam com a colher na mesa em provocação a lerdeza dos Cortadores.
Haja bagunça! Se Dona Lilia não impusesse ordem na turma, arriscava a cozinha transformar numa praça de guerra, com sementes e polpas de goiaba voando a esmo ou em direção dos adversários.
No dia seguinte as goiabas eram cuidadosamente lavadas, lançadas num tacho grande de cobre e levadas para uma fornalha baixa, acesa em fogo alto de lenha. Tudo isso na “casinha do tanque”, que era uma construção em meia-água, onde eram encontrados três tanques grandes de cimento e a tal fornalha. Ali Sá Eurides (a bem da verdade, não sei se era ela, Geracina, Maria Caetano... ou outra pessoa) com uma comprida colher de pau mexia sem parar as goiabas no tacho, até que se desfizessem numa massa avermelhada e fervente, espirrando para tudo quanto é lado e frequentemente atingindo a doceira, que se protegia como podia.
Nessa fase, cabia a nós, aguçados pelo cheiro intenso de goiabas cozinhando, aguardar o doce ficar no ponto – o que era precisamente decidido por Dona Lilia – e o tacho ser liberado para “ser raspado”.
Estripulias da Prole
Certamente isso tudo não ocorria sempre sem que a prole aprontasse alguma. Lembro-me agora dois casos:
A colherada:
Em certa ocasião, assim que o tacho de doce foi liberado para ser raspado pela galera miúda (raspar o tacho era a melhor atividade no processo de fabricação da goiabada) eu, com a autoridade que me conferia a primogenia, tratei logo de demarcar com o cabo da colher, áreas no tacho com porções mais ou menos equivalentes de doce. A cada um coube uma daquelas áreas para ser usufruída. Ao que me consta – mas sei que há controversas – Maria Aline andou invadindo a minha área... Também ao que me consta – e, uma vez mais, com contestações – foi alertada para a ilegalidade uma, duas, três vezes... Deu no que deu. Na quarta invasão, dei-lhe com o cabo da colher no cocuruto.
Foi uma sangueira dos Diabos!
Eu tentando acalmar Maria Aline – que já corria para me denunciar, ou para ser socorrida... Sei lá! – e com isso evitar os chinelos de mamãe ou o cinto de papai.
Do desfecho exato do acontecido eu não me lembro, mas sei que até hoje Maria Aline tem uma cicatriz (bem pequeninha) no topo da cabeça, que não a deixa esquecer de seu irmão querido.
O assalto às caixetas:
Muitos quilos de açúcar e de goiabas eram consumidos para fabricar muitas e muitas caixetas com goiabada, o suficiente para toda temporada de férias e mais uma grande parte do ano letivo. Em que pese a grande quantidade disponível, havia uma regra: “Sobremesa é uma vez só!” e sem discussões...
Não sei se todas as caixetas são assim, mas as nossas eram de madeiras, muito bem acabadas, e com uma tampa corrediça que deslizava horizontalmente, de modo a abrir e fechar a caixeta. Usualmente, essas caixetas eram guardas assim: Umas ou duas delas no armário da copa e que eram destinadas ao consumo diário, as demais – talvez cerca de vinte, ou mais – na casinha do canto. Essas eram destinadas a repor o de consumo diário e constituir o estoque a ser levado para a cidade, quando as férias terminassem.
Para servir o doce, papai, sempre ele, puxava a tampa da caixeta até cerca da metade da mesma, partia o doce e o distribuía para a turma.
Como eu disse: “Sobremesa uma vez só!”. Um pedaço para cada menino Eventualmente dois: Um para comer no prato com leite (não era sobremesa, eu creio) e outro como efetiva sobremesa. Fazer o que? O jeito foi apelar para o furto.
A casinha do canto, onde os mantimentos em geral eram estocados – inclusive as caixetas de goiabada – era mantida chaveada. O jeito era acessar a casinha do meio e, como todas – a do forno, a do meio e a do canto – não tinham laje, era só escalar a parede e pular de uma casinha para outra. Estando lá dentro, era abrir totalmente a caixeta e cortar o doce do fundo para a cabeceira, exatamente na direção contrária a do que papai seguiria, e depois voltar misturar a caixeta invadida entre as outras, cuidando para que ficasse o mais para fundo possível. Assim, mais tempo se levaria até que a tramóia fosse descoberta.
É claro que um dia descobriu-se... Sei lá o que aconteceu! Não me lembro de ter apanhado por conta disso.
Minha Família
Resgatei essa poesia que escrevi há muito tempo e resolvi a publicar aqui.
É claro que com o passar dos anos muita coisa pode ter mudado e a culpa não é minha!
Deixo de falar sobre mim não atoa,
mas por modéstia, naturalmente.
Seriam tantas coisas boas
e eu prefiro passar discretamente.
Aline, minha irmã mais discreta,
amiga leal, dedicada e carinhosa,
Bela, tão bela que nas raras festas
é sempre, entre todas, a mais formosa.
Humberto, sujeito dos mais sensatos,
comunicativo, com todos se dá bem.
é, certamente, um político inato,
talvez seja esse o futuro que a ele convém.
Mirian, a irmã romantica e sentimental,
da família defensora ferina,
se sonhar lhe é um dom natural
amar os seus é a sua sina.
Naira, pimenta, dinamite, determinação.
Que sua opinião sempre prevaleça.
Nunca a conteste sem absoluta convicção
sob pena de perder a cabeça.
Tito, sistemático - se não tanto
quase isso - sensato e muito seguro.
Não, não será nenhum espanto
se brilhante for o seu futuro.
Tarlei, é de todos o mais gaiato,
menino de imenso coração.
Trata a vida sem muito tato,
ama a todos sem distinção.
Nelson, amigo dos mais discretos,
participa de sua vida sem nela entrar.
Seus anseios, seus sonhos tão secretos
Dificilmente se consegue desvendar.
Walisson, menino bom e esperto,
digo isso não porque é meu afilhadinho,
é de todos, afirmo seguro de que acerto,
o mais inteligente... Saiu ao padrinho!
É claro que com o passar dos anos muita coisa pode ter mudado e a culpa não é minha!
Deixo de falar sobre mim não atoa,
mas por modéstia, naturalmente.
Seriam tantas coisas boas
e eu prefiro passar discretamente.
Aline, minha irmã mais discreta,
amiga leal, dedicada e carinhosa,
Bela, tão bela que nas raras festas
é sempre, entre todas, a mais formosa.
Humberto, sujeito dos mais sensatos,
comunicativo, com todos se dá bem.
é, certamente, um político inato,
talvez seja esse o futuro que a ele convém.
Mirian, a irmã romantica e sentimental,
da família defensora ferina,
se sonhar lhe é um dom natural
amar os seus é a sua sina.
Naira, pimenta, dinamite, determinação.
Que sua opinião sempre prevaleça.
Nunca a conteste sem absoluta convicção
sob pena de perder a cabeça.
Tito, sistemático - se não tanto
quase isso - sensato e muito seguro.
Não, não será nenhum espanto
se brilhante for o seu futuro.
Tarlei, é de todos o mais gaiato,
menino de imenso coração.
Trata a vida sem muito tato,
ama a todos sem distinção.
Nelson, amigo dos mais discretos,
participa de sua vida sem nela entrar.
Seus anseios, seus sonhos tão secretos
Dificilmente se consegue desvendar.
Walisson, menino bom e esperto,
digo isso não porque é meu afilhadinho,
é de todos, afirmo seguro de que acerto,
o mais inteligente... Saiu ao padrinho!
Assinar:
Postagens (Atom)




