segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Z’EUS

Como é que se faz uma oração a quem não se conhece,
ou a quem não se conheceu,
ou a quem não se conhecerá?

Como é que se faz uma prece
a alguém cujo nome já não se lembra,
e que morreu há muito tempo,
ou apenas recentemente falecido,
ou mesmo entre aqueles que o presente ainda habitam?

Bastaria imaginar seu aspecto,
desenhar seu rosto,
esse esboço sombreado que a mente senciente tenta recriar?

Bastaria desenvolver a cena memorialística
em que se afigura tal destinatário das boas e religiosas emanações?

Mas e se pensasse então num rosto indistinto,
sem cor e sem traço:
o rosto utópico de toda humanidade mesclada num rosto só:
de todos os que pisaram esse fértil e precário solo:
desse primeiro dentre os homens:
estaria assim rezando a todos Eus?

Estaria assim suplicando diretamente a Ele-que-somos-nós?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

MEUS OUTROS

Agora estou aqui.
Aqui e somente aqui.
Não estou lá.
Nem mesmo ali.


Lá e ali já não serei eu a estar.
Serão então outros de mim.
De modo que o lá e o ali não me devem preocupar.


Deles se ocuparão devidamente,
se o seu tempo chegar,
e se chegarem a sê-los,
estes meus outros.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

sábado, 30 de novembro de 2013

Brega



Brega...

Derramar flores aos seus pés.
Colher todas as estrela
E as lhe oferecer,
Ajoelhar-me aos teus pés.

Brega...

Colher as uvas
E derramar o vinho em seu ventre
Apenas para o colher no seu umbigo.

Brega...

Ver em seu olhar,
Luas e diamantes,
De seus cabelos
Escapar colibris.

Brega...

Brega, minha bela,
Minha eterna Cinderela.
Sendo por você,
Amor meu,
Serei eternamente,

Brega...

domingo, 24 de novembro de 2013

Sim, a vida é assim


Sim
A vida é assim.

Do caralho!

Maçãs, uvas,
Cebolas e alhos.

sim.
A vida e assim.

Do caralho!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Errar é Divino



Se Deus me fez,
fez mal,
Muito mal.

Amanheço
Anoiteço
Como
Bebo...

Azar meu,
Dois ou três dias depois,
Feijão e arroz.

Digo adeus.

Mudando de assunto



Mudando de assunto,
Melhor molhar o ar,
Mudar...

Neblina,
Fina...

Cabeça sem lugar.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Retornando...





Andei um tanto desanimado com este Blog. Não, nenhuma razão específica. Acho que apenas me enchi... Mas sabem com é... Fica sempre aquela vontade de voltar a ativa.
 
Então, hoje fiz um quase nada: Postei uma foto nova no cabeçalho.
 
Essa foto foi obtida quando eu e Rose retornávamos de uma pescaria no Pantanal, lá pelos lado da Fazenda do Descavaldo.
 
Bonita, não?
 
Quem sabe me motivo de novo...

***

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

.....



Povoe de aves minha nave.

Semeie libélulas em minhas células.

Melodiosa medusa.

Seduza: serpenteando.

Reduza: redundando.

Sereia extravagante.

Musa e amante.

Que destece minha eterna entropia;

rejuvenesce e motiva minha estadia.

Acerte-me com todo seu feitiço,

e me vicie ao sabor do seu viço,

e me alimente da morte que sua paixão acende.

Encharque-me dessa sua interminável chuva;

minha chaga e minha cura;

minha causa e minha fuga.

Fissura.

Musa e amante.

Povoe de aves minha nave.

Melodiosa medusa.

Semeie libélulas em minhas células.

 

sábado, 28 de setembro de 2013

A fonte.

Da fonte jorra um jorro
Cristalino...
Não bastam foices, sequer enxadas.
Tão pouco o desejo
- O desejo usualmente a si basta -

Da fonte jorra um jorro
Mas a sede é sempre  maior
Do que o jorro que a fonte jorra
Não bastam punhos e braços
Tão pouco o desejo

O que resta após todo esforço
É apenas um olhar triste entristecido...


Envelhecido.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Entenda se puder

Tua culpa é ser feliz
sua risada incomoda
tua alegria irrita.
Não estamos acostumados
a levar a vida de maneira leve
Somos sérios sisudos

O rio é alegre
às vezes encachoeirado-cantante
as arvores não seguem padrões
as vezes são tortas
bailam alucinadas ao vento

Não gostamos de brincadeiras
afinal de contas
a vida é para ser cumprida
e não vivida de modo aleatório

Ás vezes penso
que a natureza
devia ser mais exata
por que é tão inconstante
tão linda,tão mistica.
Viver vale a pena.

sábado, 7 de setembro de 2013

Câmbio automático: Primeiras impressões.



Beirando os meia quatro, comprei uma belíssima HYLUX, completissima, flex, quatro por quatro e... Automática! Meu primeiro carro com câmbio automático! E essas sao minhas primeira impressões:

- Com o cambio mecânico de antes, a decisão de usar a primeira ou quinta era minha. Assim, na entrada de uma curva acentuada, eu que vinha a 140 ou até 160, metia o pé nos freios, enfiava uma teceira, ou quarta, como requerido, e saia com 110 ou 120 no velocímetro.

- indisciplina... Eu sei.

-  No cambio automático, eu aciono os freios e deixo o carro decidir por mim como eu vou sair de lá, e saio a 80 no maximo a 100... Ou seja, se segure camarada, quem manda aqui sou eu e e eu sou disciplinado.

- o cambio automático me botou no devido lugar de um senhor de idade, comportado.

- para quem conhece, exemplifico melhor: O cambio automático eqüivale ao Marengo. Umb belo queimado, de excelente marcha, tranquilo, que nem voltando para casa resfolegava. Na dele, imponente, marchava suave, sem solavancos, para alegria, principalmente, das mulheres. O cambio mecânico ao Moleque ou Corsário, prontos para arrancar, disparar e até jogar no chão o inábil peão.

- Moleque duro, trotao, Corsário marchador, suave, mas nao era isso o que se esperava nem de um e nem do outro. Indisciplina, ardência, fogo, espuma na boca... Cambio mecânico.

- cambio automático... Acho que vai me ensinar.

Ou talvez, me domesticar.... Ainda que tardiamente.




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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Reflexões etílicas (?)

O dinheiro é bão,
mas é um cão.
Por ele valores se vão
Só nele se vive em vão.

Traz poder, acha-se o tal,
mas saiba: é do mal,
Por ele se torna um boçal,
só nele a vida é banal.

Traz o prazer,tudo parece anil,
mas,lá delineia-se o ardil.
Só nele a vida é vil,
mas sem ele, onde já se viu?

Entre o remédio e o veneno
o limite é pequeno.
E a ciência da lida,
dita como vai a vida.

Esse é um poema de autoria do Nelson, o título... apenas contextualizei!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Iniciacao

Arrelampiou na escuridao
zóio de gato
anssim meio rasgados
zóio felino
cabocla do mato

No fundo do galpäo
zóio de gato
anssim meio espichados
zóio faminto-ronrorando
simulando o ato

Fui aproximando-negaceando
zóio de gato
fingindo näo perceber
zöio amarelado
pronto para o prazer

Fui de supetäo
Zöio de gato
fingiu que näo
zöio dissimulado da Capitu
de cacador
virei caca

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Natural


Quem sabe eu ainda
Tenha chance de cultivar uma horta
Quem sabe.
E que ela baste
Para eu e os meus viver.
Quem sabe...

Na manhã abrir a janela
E respirar... Ar
Eu e ela, na manhã,
Hortelã
Leite com café.

Quem sabe ainda,
Um dia,
Eu corra o dia suado,
E ao fim do dia
Me recolha no ninho
Realizado.

Natural... Quem sabe um dia.


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