terça-feira, 29 de maio de 2012

Portugal





Videiras e oliveiras, em Portugal,
as tem todo quintal...








(foto colhida na internet)

domingo, 27 de maio de 2012

Black tie


Kathleen

They wear black tie
but they lie
lie
and lie ...
all the time!
And I,
on my time ...
And I
Oh! My Lord
I'm so tired...

***

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Para Lilia

Meu peito
borbulha
farpas
agulha

Mina `dágua
nascente
riacho
crescente

Meu leito
solidão
não tenho mais
você no colchão

Água parada
lagoa
sua falta
magoa

Fumaça
neblina
o sofrimento
ensina

Vida -vida
porque me prendes
na tua teia
me solte
deixe que eu mesmo
meu livro leia

Na Água Limpa

Parecia um sabiá cantor
Mais como
Ele estava mudo a alguns anos
Então um sussurro
Volta a ser feliz
Estou livre
Posso cavalgar novamente
agora no lombo da brisa

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Blogueiro de Férias









O blogueiro estará de férias nos próximos vinte dias... Europa - Portugal, Espanha e Italia - o aguarda!

Hora de os correspondentes de Londrina, Sao Paulo, BH e Cristalina usarem e abusarem do espaco... Os erros nao sao devidos as tensao-pre-ferias, eh que o teclado deu pau.

Beijos!!!!


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sua voz

E então naquele dia ouvi sua voz...já ouvira antes, tantas vezes ouvida.E só agora escutara eu sua voz. E ela soara tão cá dentro de mim ... trouxera a amplidão de seu mundo, gritara a alma não liberta , gemera a solidão ainda poesia,blasfemara a frustração do poema não vindo.

E então naquele dia eu ouvi sua voz...já ouvira tantas vezes .E nunca a escutara tão bela...porque assim tão desprevenido de si mesmo, tão vazio da roupa sempre usada...sua voz ficou nua...e nua me seduziu . Orpheu de estranha melodia, encantatória poesia...me traz outra vez esse mesmo som...som de raiz , de fundo de rio, de terceira margem...Euridice, resgatada da morte!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Avaliando



Quem mais do que dá pede,
fede,
não merece o que recebe.

Primeiro se entregue.

Depois cobre...

Mas não se dobre.

Não, não, nunca se curve à tiranos,
e nem nunca jamais se violente,
e nem nunca jamais contra a si atente.
Que rolem os anos...

Não, não há
violencia maior do que a si violentar.

Não sejas escravo de seus objetivos,
tão pouco de seus ideais,
nem um nem outro vale mais
do que o regozijo
de você
de voce mesmo se orgulhar.


***
Quando Millor morreu, ouvi seu filho dizer numa entrevista que perdia seu melhor interlocutor. Assim também me senti quando um outro Milton – o meu Milton – se foi de suas terras para plagas imensamente distantes, desconhecidas e tão estranhas para nós, meros viventes. E hoje relendo G. Rosa, lembrei-me do tanto que nos deliciamos lendo esse conto.


Desenredo

João Guimarães Rosa

Do narrador seus para ouvintes:


– Jó Joaquim, cliente, era quieto, respeitado, bom como o cheiro de cerveja. Tinha o para não ser célebre. Como elas quem pode, porém? Foi Adão dormir e Eva nascer. Chamando-se Livíria, Rivília ou Irlívia, a que, nesta observação, a Jó Joaquim apareceu.

Antes bonita, olhos de viva mosca, morena mel e pão. Aliás, casada. Sorriram-se, viram-se. Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou o amor. Enfim, entenderam-se. Voando o mais em ímpeto de nau tangida a vela e vento. Mas tendo tudo de ser secreto, claro, coberto de sete capas.

Porque o marido se fazia notório, na valentia com ciúme; e as aldeias são a alheia vigilância. Então ao rigor geral os dois se sujeitaram, conforme o clandestino amor em sua forma local, conforme o mundo é mundo. Todo abismo é navegável a barquinhos de papel.

Não se via quando e como se viam. Jó Joaquim, além disso, existindo só retraído, minuciosamente. Esperar é reconhecer-se incompleto. Dependiam eles de enorme milagre. O inebriado engano.

Até que -deu-se o desmastreio. O trágico não vem a conta-gotas. Apanhara o marido a mulher: com outro, um terceiro... Sem mais cá nem mais lá, mediante revólver, assustou-a e matou-o. Diz-se, também, que a ferira, leviano modo.

Jó Joaquim, derrubadamente surpreso, no absurdo desistia de crer, e foi para o decúbito dorsal, por dores, frios, calores, quiçá lágrimas, devolvido ao barro, entre o inefável e o infando. Imaginara-a jamais a ter o pé em três estribos; chegou a maldizer de seus próprios e gratos abusufrutos. Reteve-se de vê-la. Proibia-se de ser pseudo personagem, em lance de tão vermelha e preta amplitude.

Ela -longe- sempre ou ao máximo mais formosa, já sarada e sã. Ele exercitava-se a agüentar-se, nas defeituosas emoções.

Enquanto, ora, as coisas amaduravam. Todo fim é impossível? Azarado fugitivo, e como à Providência praz, o marido faleceu, afogado ou de tifo. O tempo é engenhoso.

Soube-o logo Jó Joaquim, em seu franciscanato, dolorido mas já medicado. Vai, pois, com a amada se encontrou -ela sutil como uma colher de chá, grude de engodos, o firme fascínio. Nela acreditou, num abrir e não fechar de ouvidos. Daí, de repente, casaram-se. Alegres, sim, para feliz escândalo popular, por que forma fosse.

Mas.

Sempre vem imprevisível o abominoso? Ou: os tempos se seguem e parafraseiam-se. Deu-se a entrada dos demônios.

Da vez, Jó Joaquim foi quem a deparou, em péssima hora: traído e traidora. De amor não a matou, que não era para truz de tigre ou leão. Expulsou-a apenas, apostrofando-se, como inédito poeta e homem. E viajou a mulher, a desconhecido destino.


Tudo aplaudiu e reprovou o povo, repartido. Pelo fato, Jó Joaquim sentiu-se histórico, quase criminoso, reincidente. Triste, pois que tão calado. Suas lágrimas corriam atrás dela, como formiguinhas brancas. Mas, no frágio da barca, de novo respeitado, quieto. Vá-se a camisa, que não o dela dentro. Era o seu um amor meditado, a prova de remorsos. Dedicou-se a endireitar-se.


Mais.

No decorrer e comenos, Jó Joaquim entrou sensível a aplicar-se, a progressivo, jeitoso afã. A bonança nada tem a ver com a tempestade. Crível? Sábio sempre foi Ulisses, que começou por se fazer de louco. Desejava ele, Jó Joaquim, a felicidade -idéia inata. Entregou-se a remir, redimir a mulher, à conte inteira. Incrível? É de notar que o ar vem do ar. De sofrer e amar, a gente não se desafaz. Ele queria os arquétipos, platonizava. Ela era um aroma.

Nunca tivera ela amantes! Não um. Não dois. Disse-se e dizia isso Jó Joaquim. Reportava a lenda a embustes, falsas lérias escabrosas. Cumpria-lhe descaluniá-la, obrigava-se por tudo. Trouxe à boca-de-cena do mundo, de caso raso, o que fora tão claro como água suja. Demonstrando-o, amatemático, contrário ao público pensamento e à lógica, desde que Aristóteles a fundou. O que não era tão fácil como fritar almôndegas. Sem malícia, com paciência, sem insistência, principalmente.

O ponto está em que o soube, de tal arte: por antipesquisas, acronologia miúda, conversinhas escudadas, remendados testemunhos. Jó Joaquim, genial, operava o passado -plástico e contraditório rascunho. Criava nova, transformada realidade, mais alta. Mais certa?

Celebrava-a, ufanático, tendo-a por justa e averiguada, com convicção manifesta. Haja o absoluto amar -e qualquer causa se irrefuta.

Pois produziu efeito. Surtiu bem. Sumiram-se os pontos das reticências, o tempo secou o assunto. Total o transato desmanchava-se, a anterior evidência e seu nevoeiro. O real e válido, na árvore, é a reta que vai para cima. Todos já acreditavam. Jó Joaquim primeiro que todos.

Mesmo a mulher, até, por fim. Chegou-lhe lá a notícia, onde se achava, em ignota, defendida, perfeita distância. Soube-se nua e pura. Veio sem culpa. Voltou, com dengos e fofos de bandeira ao vento.

Três vezes passa perto da gente a felicidade. Jó Joaquim e Vilíria retomaram-se, e conviveram, convolados, o verdadeiro e melhor de sua útil vida.

E pôs-se a fábula em ata.




Quando Millor morreu, ouvi seu filho dizer,numa entrevista, que perdia seu melhor interlocutor. Assim também sentira eu quando outro Milton, o meu o, se foi para plagas tão estranhas aos viventes. E hoje relendo G.Rosa,lembrei-me do tanto que nos deliciamos lendo esse conto.
Desenredo
João Guimarães Rosa

Do narrador seus ouvintes:
– Jó Joaquim, cliente, era quieto, respeitado, bom como o cheiro de cerveja. Tinha o para não ser célebre. Como elas quem pode, porém? Foi Adão dormir e Eva nascer. Chamando-se Livíria, Rivília ou Irlívia, a que, nesta observação, a Jó Joaquim apareceu.

Antes bonita, olhos de viva mosca, morena mel e pão. Aliás, casada. Sorriram-se, viram-se. Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou o amor. Enfim, entenderam-se. Voando o mais em ímpeto de nau tangida a vela e vento. Mas tendo tudo de ser secreto, claro, coberto de sete capas.
Porque o marido se fazia notório, na valentia com ciúme; e as aldeias são a alheia vigilância. Então ao rigor geral os dois se sujeitaram, conforme o clandestino amor em sua forma local, conforme o mundo é mundo. Todo abismo é navegável a barquinhos de papel.
Não se via quando e como se viam. Jó Joaquim, além disso, existindo só retraído, minuciosamente. Esperar é reconhecer-se incompleto. Dependiam eles de enorme milagre. O inebriado engano.
Até que -deu-se o desmastreio. O trágico não vem a conta-gotas. Apanhara o marido a mulher: com outro, um terceiro... Sem mais cá nem mais lá, mediante revólver, assustou-a e matou-o. Diz-se, também, que a ferira, leviano modo.
Jó Joaquim, derrubadamente surpreso, no absurdo desistia de crer, e foi para o decúbito dorsal, por dores, frios, calores, quiçá lágrimas, devolvido ao barro, entre o inefável e o infando. Imaginara-a jamais a ter o pé em três estribos; chegou a maldizer de seus próprios e gratos abusufrutos. Reteve-se de vê-la. Proibia-se de ser pseudo personagem, em lance de tão vermelha e preta amplitude.
Ela -longe- sempre ou ao máximo mais formosa, já sarada e sã. Ele exercitava-se a agüentar-se, nas defeituosas emoções.
Enquanto, ora, as coisas amaduravam. Todo fim é impossível? Azarado fugitivo, e como à Providência praz, o marido faleceu, afogado ou de tifo. O tempo é engenhoso.
Soube-o logo Jó Joaquim, em seu franciscanato, dolorido mas já medicado. Vai, pois, com a amada se encontrou -ela sutil como uma colher de chá, grude de engodos, o firme fascínio. Nela acreditou, num abrir e não fechar de ouvidos. Daí, de repente, casaram-se. Alegres, sim, para feliz escândalo popular, por que forma fosse.
Mas.
Sempre vem imprevisível o abominoso? Ou: os tempos se seguem e parafraseiam-se. Deu-se a entrada dos demônios.
Da vez, Jó Joaquim foi quem a deparou, em péssima hora: traído e traidora. De amor não a matou, que não era para truz de tigre ou leão. Expulsou-a apenas, apostrofando-se, como inédito poeta e homem. E viajou a mulher, a desconhecido destino.
Tudo aplaudiu e reprovou o povo, repartido. Pelo fato, Jó Joaquim sentiu-se histórico, quase criminoso, reincidente. Triste, pois que tão calado. Suas lágrimas corriam atrás dela, como formiguinhas brancas. Mas, no frágio da barca, de novo respeitado, quieto. Vá-se a camisa, que não o dela dentro. Era o seu um amor meditado, a prova de remorsos. Dedicou-se a endireitar-se.
Mais.
No decorrer e comenos, Jó Joaquim entrou sensível a aplicar-se, a progressivo, jeitoso afã. A bonança nada tem a ver com a tempestade. Crível? Sábio sempre foi Ulisses, que começou por se fazer de louco. Desejava ele, Jó Joaquim, a felicidade -idéia inata. Entregou-se a remir, redimir a mulher, à conte inteira. Incrível? É de notar que o ar vem do ar. De sofrer e amar, a gente não se desafaz. Ele queria os arquétipos, platonizava. Ela era um aroma.
Nunca tivera ela amantes! Não um. Não dois. Disse-se e dizia isso Jó Joaquim. Reportava a lenda a embustes, falsas lérias escabrosas. Cumpria-lhe descaluniá-la, obrigava-se por tudo. Trouxe à boca-de-cena do mundo, de caso raso, o que fora tão claro como água suja. Demonstrando-o, amatemático, contrário ao público pensamento e à lógica, desde que Aristóteles a fundou. O que não era tão fácil como fritar almôndegas. Sem malícia, com paciência, sem insistência, principalmente.
O ponto está em que o soube, de tal arte: por antipesquisas, acronologia miúda, conversinhas escudadas, remendados testemunhos. Jó Joaquim, genial, operava o passado -plástico e contraditório rascunho. Criava nova, transformada realidade, mais alta. Mais certa?
Celebrava-a, ufanático, tendo-a por justa e averiguada, com convicção manifesta. Haja o absoluto amar -e qualquer causa se irrefuta.
Pois produziu efeito. Surtiu bem. Sumiram-se os pontos das reticências, o tempo secou o assunto. Total o transato desmanchava-se, a anterior evidência e seu nevoeiro. O real e válido, na árvore, é a reta que vai para cima. Todos já acreditavam. Jó Joaquim primeiro que todos.

Mesmo a mulher, até, por fim. Chegou-lhe lá a notícia, onde se achava, em ignota, defendida, perfeita distância. Soube-se nua e pura. Veio sem culpa. Voltou, com dengos e fofos de bandeira ao vento.
Três vezes passa perto da gente a felicidade. Jó Joaquim e Vilíria retomaram-se, e conviveram, convolados, o verdadeiro e melhor de sua útil vida.
E pôs-se a fábula em ata.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Meus Versos



Gosto mais de meus versos quando
saem do nada, desarrumados,
livres e leves, tropeçando
para tudo quanto é lado.

Gosto assim:
Quando eu gosto mais deles
do que eles gostam de mim!


***

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ou seja, seja!

(Fernanda Gaona)

Prepare um belo discurso. Gaste suas melhores palavras. Utilize todos os seus argumentos. Eu não consigo ouvir o que você diz.

Mais do que na força das palavras, eu acredito no poder das atitudes. Na grandeza dos gestos. Nas sutilezas das ações. Guarde seus dizeres para utilizá-los depois que fizer acontecer. Eles serão apenas um complemento.

Haja o que houver, aja.

Palavras quando não andam sincronizadas com nossos pés, não chegam a lugar algum. Não dizem absolutamente nada.

É na coerência das ações que a gente se encontra e o outro nos reconhece.

Ninguém pode viver preso em um discurso.

Ou seja,

Seja!


***

sábado, 7 de abril de 2012

Minha Pascoa (2012)

Você já chorou sozinho por ningém o abraçar? Eu já.
Já deu chocolates para  quem  não tem nada a ver? Eu já.
Você ja chorou pelo que  escreve agora? Eu já.
E choro.
Porque amo e estou tao só.
Deus do céu, há que ser foda!!!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mahatma Gandhi


Indagado acerca do que levaria o ser humano a auto destruição, Mahatma Gandhi assim respondeu:


"A Política sem Princípios, o Prazer sem Responsabilidade, a Riqueza sem Trabalho, a Sabedoria sem Carácter, os Negócios sem Moral, a Ciência sem Humanidade e a Oração sem Caridade.".


Concordo... Como não?


***

Prova Oral


Indagas-me acerca da felicidade,
a resposta a tenho na ponta da língua,
para que a flor não feneça a míngua,
para que não mingue o desejo por inutilidade.

Separar pétalas húmidas de orvalho,
perscrutar doce vão com intensa brandura,
sugar o mel como o faz, com seu trabalho,
a abelha, extraindo da flor toda doçura.

Interrogas-me acerca dos odores e do gozo,
na ponta da língua, no tempo exato,  os trago,
fantasias, lisérgicos, indomados pássaros de fogo
emulando um paraíso etéreo em tenros afagos.

Perguntas-me acerca da felicidade,
perceba que nela, neste instante, naufragas
tecendo com estrelas etéreas divindades,
que pouco a pouco hão de extinguir tuas brasas.


***

Para Tarlei



Pois se é certo
que o incerto
campeou, menino,
teu destino,
e a má sorte
fuçou teu caminho,
tentando borrar o norte
de tu, passarinho,
Mais certo é agora,
que homem como tu não tomba,
frente a gracejos fora de hora.
Imagine, ora bolas,
se nem o derrubou uma bomba!

***