quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

De que o Mineiro Gosta?

Essa eu peguei no Blog do Jorge Santana - na Cruzeiro.org (quem quizer visitar, tem o link na coluna da direita, neste Blog). Achei divertida e decidi a postar aqui...

Quem quizer pode completar a lista ou destacar as suas "preferenças" dentre as listadas!

É disso que mineiro gosta: cateretê, seresta, vesperata, pescaria, cavalhada, arvorismo, batuque, lundú, caxambu, jongo, folia de reis, boi-de-manta, boi-janeiro, boi-marruê, congado, romaria, novena, trezena, cachaçada, tropeiro, procissão, coroação da santa, pau-de-sebo, canjica, canjiquinha, fazer abrolho, tricotar, capinar a roça, dançar agarradim, tocaiar, pamonha, angu com quiabo, couve picada, pamonha, curau, pequi, pitanga, costelinha, comprar pé de jabuticaba, contá causo, tocá viola, escrever contos, cantar em igreja, bloco caricato, carranca, modinha, toada, botequim, vendinha, comida de boteco, goiabada com queijo, compota de manga, doce de leite, passear de gaiola no são francisco, sôpa de marcarrão com feijão, licor de jenipapo, pão com linguiça, farofa de farinha de milho, leite ao pé da vaca, pé-de-moleque, milho cozido, fogueira de são João, bente-altas, bolinha de gude, finca, jogar papão, carrinho de rolimã, carrinho de guia, peteca, papagaio, truco, buraco, pif-paf, criar galinha no fundo quintal, tramar, conspirar, trilha, rapel, malha, futsal, vôlei, nêgo-fugido, barraquinha, rapel, pitá cigarro de páia, guardar dinheiro no colchão de palha, tirolesa, damas, bocha, fafanfarra, retreta, cozinhar em panela de barro, apanhar sempre-viva, bordar, casear e chulear, costurar colcha de retalho, espiar pela janela, caçar tatu, ordenhar vaca, caçar passarinho, assar leitão, destilar cachaça no tronco, picá fumo, namorar moça morena de canela fina, namorar moça loura de coxa grossa, ir à praia no rijaneiro, ir à praia em alcobaça, passear em gruta, remar no parque municipal, ir à praia em iriri, tirar umazinha com a teúda e manteúda, sortá rojão no dia da santa, fofocar, cismar, oiá o por-do-sol, tocá boiada, ouvir clube da esquina, fazer política de pé de ouvido, contar mentira, ouvir rádia, ler jornal do poste, tocar trombone em bandinha, comer a comadre, tirar bicho de pé, catar piolho, etc.

Se sobrar tempo, depois de tudo isto, é que ele mexe com futebol

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Fotos Cecília


( Ciça? Acho esse um apelido muito legal...)

Pois é Ferreira, essa família é de uma fertilidade incrível e só faz crescer! E mais importante: Sempre um mais bonito do que outro...
Se alguém tem dúvidas, seguem a fotos da Cecília, essa doçura que o Bruno e a Maísa fizeram vir ao mundo.

O procedimento para visualização é o tradicional, ou se prefirerem, cliquem no link a seguir:


http://picasaweb.google.com.br/maferreira90/FotosCecilia#
XX

domingo, 10 de janeiro de 2010

Da verdade, sua metade

(que me lembraram dessa que aí vai; aparentadas que são)

Da verdade,
sua metade,
retalho da realidade.

Distorcendo sutilmente,
o fato recorrente,
à ânsia que se sente.

Presença assumida,
tendência induzida,
que em parte foi esquecida.

Entretanto, guardado no fundo,
o lado moribundo,
anseia pelo mundo.

Perturba a alma,
afasta a calma,
aflige.

Absorta mentira,
tornada verdade,
reflete a realidade.

Mas somente a desejada.

Repleta na confusão do imaginar,
quem sofreu custa a aceitar,
transformando o sofrer em um novo realizar.

Necessária mentira,
que levita a carga da culpa,
que retira o fardo da luta,
dorme.

Repousa ao fim do tempo comigo,
mas estarás segura?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Metade

(Fazenda Guanabara, 18 de novembro de 2005)


A poesia do nosso maninho Tarlei - "QUASE" - me fez lembrar de uma que eu escrevi há algum tempo... Procurei e a achei. São "meio parentes", não são?


Metade era sonho
Metade era vontade
Metade era desânimo.
Metade era querer.

Metade era adeus
Metade era bom dia
Metade era eu
Metade era você.

Metade era verdade
Metade era mentira
Metade dizia
Metade desdizia

Metade era prazer
Metade era desgosto
Metade era desejo
Metade era insônia

Meias verdades
Meias Mentiras
Metade poesia
Metade palavrão

Metade esperança
Metade desilusão.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

+ Alguns Poemetos



Família

A mãe, oficina, construía.
O pai provia,
Driblando credos e credores.
As crias cresciam:
Oficinas e provedores.

Aos pais saíam.


Rochedo

Magma, sílica, séculos...
E o vento – filho indócil –
O molda.


Arvoredo

Medo.
Fico assim:
Pendido – Sobre o rio que me levaria ao mar.
Preso – Ao solo que não me deixa ir a nenhum lugar.


Indulgente

Nunca haverei de...
Ser morto? Melhor.
Ferido jamais.
Lamber feridas
É coisa para animais.


Saudade

Nem peixe havia
Mas cheirava:
Por de baixo das unhas até na sola do pé.
O sol descia,
O mar tingia,
O coração umedecia
E o caboclo gemia:

Ô Maria!


Mulher que Sorri

Fui me encontrar com Joaquina,
Na esquina,
Tropecei com Maria.
Ah! Maria sorria...
Como se disse sim.
Não que fosse para mim
- Não era – Maria apenas sorria.
Melhor assim,
O sorriso de Maria,
Mais do que maltrata,

Mata.

x

Diálogo Possível (Ou que Deus o abençoe Largamente)

- E aí meu pai? Como foi o aniversário?

- Muito bom meu filho! Pena que vocês não vieram... Senti falta, mas, na verdade, ainda não os quero aqui.

- Pois é...

- Muita gente veio: Todos seus avós, Padrinho Waldemar, Darci, Lígia, Fausto, tio Sílvio, tia Sílvia, Tio Célio, tia Cordelina, tio Agnaldo, tia Irene, tio Edmundo, tio Celso, tio Ruy... Ih, tanto parente, isto sem relacionar os amigos! Uma bagunça no céu!

- Mamãe ficou louquinha?

- Então... Sabe como ela é. Se não for como ela quer, é um Deus nos acuda! Por falar Nele, é muito boa Pessoa e contribuiu muito para os arranjos de mamãe. São Pedro, Sto. Antônio, Sta. Terezinha e outros tantos Santos que o digam... Ficaram todos de auréolas em pé.

- Essa é nossa mãe! Fantástica!

- No fim deu tudo certo. Cantaram parabéns, cortaram um bolo de nuvens, enfeitado com estrelas e cometas... Dei o primeiro pedaço para D. Lilia antes que ela, com seu olhar, fulminasse a Cotinha. Depois teve um sarau animado pela turma da Cachoeirinha, Seu Zeca à frente... Dancei como há muito tempo não dançava e lá pelas onze horas da noite dancei uma valsa com D. Lilia. Vovô Humberto, como não podia ser diferente, cutucou Seu Tarlei: Não lhe disse que foram feitos um para outro? Ao que o Seu Tarlei apenas franziu o cenho.

- Dançou muito?

- Bem que eu dançaria mais... Estavam lá muitas damas, belas e excelentes dançarinas, mas a Lilia moderou o baile.

- Que bom, meu pai, que vocês se divertiram! Nós, por aqui, ficamos meio perdidos... Aliás, ainda estamos. Desde que o senhor e mamãe partiram, foi como se perdêssemos o leme, barcos a deriva num oceano sem fim.

- Bobagem... É vida que segue.

- Pois é...

- Agora vamos desligar, ligações céu-terra custam uma fortuna! Mas aproveitando a proximidade, desejo a todos meus filhos queridos, netos, bisnetos um grande 2010! Daqui do céu, estaremos eu e Lilia intercedendo junto a Deus por todos vocês.

- Abenção, meu pai.

- Deus os abençoe LARGAMENTE!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Males do Brasil

Dos pobres
a ignorância
dos ricos
a ganância
dos políticos
as duas em abundância

Quase

Quase amei
quase sonhei
quase fui feliz

Quase quiz
quase fiz
quase fui bem sucedido

Quase pedi
quase rezei
quase consegui

Quase vivi
quase morri
quase fui perdoado

Quase, quase
por pouco
deixei de ser humano

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Quatro Poeminhas



MENINO RUIM

Vive dentro de mim
O menino descalço, franzino,
Das margens do Rio Capivarí...
E como incomoda esse menino!

Xô menino ruim!


ALUCINAÇÕES

Jorra o sangue desde uma incisão na aorta.
A lua é sanguinolenta e torta
Porém não ainda morta
Meu último sonho sai batendo a porta
De eu para mim digo: que me importa!


SOLUÇO



Não me apavora a morte,
Mas a dor.
Tão pouco a paixão,
Mas o amor.


LONGEVO



Quando eu tiver que ir, sem susto irei...
Porém não sem antes adoçar minha boca
Na pureza de uma outra infância.


***

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

MRL - Movimento Reveillion em Lavras

Depois de um extenso Post sobre a volta da Pampulha, vou ser mais objetivo e direto nesse. O que vocês acham de passarmos o Revellion 2010 juntos em Lavras? Já troquei umas idéias com Milton, Naira, Marco e Nelson sobre esse assunto. O Tarlei já escreveu um post reclamando de saudades e o Thiago enviou um e-mail do Thiago informando que passará o fim de ano em Lavras e pior, disse que vai acompanhado.

Sugiro que a passagem de ano seja feita na nossa casa, pois com a chuva que tem caído por essas bandas de cá acho que no sítio pode complicar.

Posso até organizar, claro que terá que ser mais simples do que fizemos no natal do ano passado. Pensei numa ceia simples com pernil assado pela Naira, arroz feito por quem quiser e souber fazer, uma farofa, um salpicão e sei lá mais o que. Pensei numas entradas para tira gosto sem muita invenção.

O importante é conseguirmos nos reunir nesse final de ano. Acho que seria importante esse encontro, pois sempre fizemos assim. Tenho certeza que nossos pais ficariam felizes se nos encontrássemos na casa deles.

Beijo a todos.
Dado

Ah Ah Uh Uh a Pampulha é nossa!!!!

Olá Ferreira do meu Brasil varonil , como todos sabem desde abril desse ano tenho corrido pelas ruas de BH. Em maio contratei uma assessoria esportiva para montar minhas planilhas de treinamentos.

Eu que achava que correr era muito simples aprendi coisas importantíssimas para um bom desempenho nas ruas. Aprendi por exemplo que corrida e 70% pernas e 30% braços, que alternar o ritmo da corrida é essencial, conheci um treinamento chamado Fartlek que é corrida em subidas e descidas.

Juntamente com o meu treinador, Diego, tracei as metas para 2009, fazer corridas de 10 e 5 km e para no final do ano enfrentar o grande desafio, a Volta Internacional da Pampulha marcada para o dia 06/12/2009. O percurso total é de 18km pela orla da famosa lagoa dos mineiros.

A semana que antecede a corrida era para ser tranqüila com treinamentos leves. Mas como sempre tem um mas, eu e Lu resolvemos mudar de casa semana passada (isso será outro post). Ai a semana não foi nada tranqüila. Não treinei nenhum dia, carreguei peso até não poder mais, e para piorar quebrei a unha do dedão do pé. Enfim, com tantas adversidades temi que o objetivo do ano não fosse cumprido.

Entretanto eu não ia perder a oportunidade de pelo menos tentar conquistar a Pampulha. No domingo acordei cedo com uma chuvarada danada, calcei o tênis para testar se a unha iria doer (não doeu, minha médica particular fez um excelente serviço), coloquei uma correntinha e a aliança de nossa mãe no pescoço e parti decidido para a Lagoa.

Chegando na Pampulha havia uma multidão, 12.500 inscritos, sem contar os pipocas(aqueles que correm sem inscrições). Gente de todo tipo. Um fantasiado de planta, outro de Batman, um de esqueleto, enfim gente para todo tipo de gosto.
Nove horas da manhã fui para a fila da linha de largada. Enfrentei a chuva e a multidão e sai correndo pela rua. Uma hora, 42 minutos e 48 segundos depois cruzei a linha de chegada em 3940º lugar geral e 646º na faixa etária de 35 a 39 anos masculino. Tai a prova

Enfim Ferreirada, vocês podem dizer que a Pampulha é nossa!!!!!!

Para o próximo o ano o objetivo é fazer uma meia-maratona (provavelmente a do Rio) e baixar o tempo na Pampulha quero fazer em menos de 1h30min. Além das pequenas provas de 10 km. Agora as provas de 10 km ficaram pequenas hahahahahaha

Beijo para todos,
Dado

sábado, 5 de dezembro de 2009

Roberta & Fernando

Mais uma brincadeira, esta no estilo Eduardo e Mônica.


ROBERTA & FERNANDO


Berta tem bebido demais e quanto mais bebe, mais fuma e mais despudorada se torna. Quem a conhece sóbria, coisa que tem se tornado cada vez mais rara, não a reconhece quando sob efeito dos vapores etílicos. No popular: Quando chapada! Uma depravada... Se não chega a tanto, passa perto. O vocabulário, um espanto... (Dis)puta palmo a palmo com o de uma bichinha irada no calçadão de Copacabana. De seus lábios frouxos escapam, tropeçando na língua e nos dentes, impropérios capazes de fazer corar a mais ordinária das prostitutas do cais do porto e a compostura de seu traje, após uns tantos tragos, completam o estrago... Mas, todos concordam: Berta é gente boa, e bonita. Bastante bonita embora um tanto cheiinha. Alegre e descolada e por isso mesmo sempre rodeada por amigos, a maioria deles homens.

Fernandinho, ao contrário, é o tipo do rapaz certinho. Desde sempre tão arrumado e comportadinho que, quando menino, as más línguas afirmavam que não escapava de representar uma Colombina num futuro desfile na Sapucaí. Não se fantasiou, mas continuou sendo o arrumadinho da Titia Vera: Os cabelos bem aparados e rigorosamente penteados, os sapatos polidos a espelho, a camisa, impecavelmente passada, abotoada até o colarinho... Enfim, um babaca. Se não chega a tanto, passa perto. E por isso mesmo, um solitário.

Dois seres absolutamente díspares: Menino Jesus e o filhote do capeta, São Francisco de Assis e o devastador de florestas tropicais, Conde Drácula e a cruz... Mas quis o destino que essas figuras se encontrassem.

Estava Fernandinho comportadamente sentado num banquinho junto ao balcão, tendo na sua frente uma média de café com leite, pão torrado com manteiga e o Jornal do Comércio, quando Berta, dirigindo-se com alguma urgência para o banheiro, tropeçou num palito e mais desequilibrada do que de costume, lançou-se ao encontro dele. Por sorte, naquele momento, as mãos de Fernandinho encontravam-se desocupadas, podendo então ele a aparar: As duas mãos espalmadas contra os peitos de Berta. Alguns segundos de surpresa e indecisão, a urgência de banheiro escorrendo pernas a baixo e um súbito bofetão na face esquerda de Fernandinho... Embasbacado, tudo que ele atinou fazer foi esticar o braço e lhe oferecer uma torrada com manteiga.

- Manteiga uma pinóia! Margarina. - Exclamou ela com aquele sotaque de carioca suburbana. E dirigindo-se ao garçom: - Desce uma vodka! - Que veio e foi tomada de um só gole. - - - “Desce outra!”... – Pediu batendo o copo vazio contra o balcão.

Uma fada, uma ninfa, uma criatura divina de um mundo encantado e que delicadeza, que doçura de mulher... Instantaneamente apaixonado, era assim que Fernandinho a via. Hipnotizado, sem desgrudar os olhos da inusitada musa, as palmas das mãos incendiadas pelo calor dos seios de Berta, a viu entornar, em minutos, quatro ou cinco doses de vodka.

- Tais olhando o que, mermão?- Perguntou ela, irritada.

- Ah, vai te fuder. – Berrou, enquanto descia do banco.

Banco alto, centro de gravidade deslocado, equilíbrio instável, não deu outra: Despenca Berta em direção ao piso, arrastando um apavorado Fernandinho... Primeiro ele por baixo, depois por cima, de novo por baixo... Um agarra-agarra, um rola-rola, um desvencilha-me-abraça, sem fim, até que, muitos trancos e encontros e desencontros depois, quedam-se imóveis no ladrilho do bar. Berta: ronronando; Fernandinho: Olhos sonhadores, cigarro pendido nos lábio, teve ainda tempo de ordenar ao garçom:

- Desce uma vodka!

Antes de se desfazer e evaporar...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dezembro

Fazenda da Guanabara, 11 de dezembro de 2005.


Dos restos, ficou apenas o engasgo,
Gosmas atravessadas no por de sol,
Os gemidos encarcerados por reis magos,
E a vida que segue chafurdando no lamaçal.

É natal.

Despertai almas deprimidas
Espelhos estilhaçados desdenham sua dor
E expõem suas sórdidas feridas
Às asperezas do amor.

É natal.

Despertai instintos suicidas,
Que as noites estão inundadas de solidão
Que as lágrimas secaram como secou a vida.
Que dezembro é dezembro e dezembro é fim.

É natal.

Ah, sim. Todos se foram...
Ficaram apenas os doidos
E suas imagens enluaradas
Tremulando nas águas do rio.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Um leve toque de desleixo

Não sei se nosso pai foi um homem bonito – talvez não para os padrões de beleza atualmente estabelecidos. O que sei é que mamãe se mordia de ciúmes dele e que ele não regateava gentilezas e charme para com as mulheres, bonitas ou não (especialmente, é claro, para com as mais belas), que por uma razão ou outra haviam decidido nos visitar em Paulo Freitas e mulheres, todos sabemos, são sempre iguais... Assim, não era incomum constatar, para a exasperação de mamãe, uma ou outra (ou várias... ou todas) se derretendo ante o seu cavalheirismo.

O fato inegável é que ele tinha um jeito todo especial no trato com o sexo oposto.

Não que isso significasse a intenção de conquista... Não, não se tratava de disto. Apenas era de sua índole: Um galanteador, um gentleman... Mas, justiça seja feita, era para mamãe que ele dedicava o melhor de si.

Eu, lá pelos meus dezesseis ou dezessete anos de idade, admirava aqueles seus atributos e me esforçava, sem muito sucesso, para me apresentar equivalentemente perante minhas amiguinhas e, para tanto, ficava atento à sua doutrina e foi assim que descobri o tal de “um toque de desleixo”:

Foi quando me aprontava para um baile “julino” do Colégio Estadual Dr. João Batista Hermeto. Ajeitei-me: Brilhantina nos cabelos, calça quadriculada “boca sino”, camisa verde claro e, sabendo que para ser “o bom” só me faltava alguma gaita e um casaco marrom, que eventualmente eu tomava emprestado com ele e que eu acreditava “me dar sorte”...

Quanto à gaita, provavelmente ele me deu tudo (e certamente não era muito) o que tinha no bolso. O casaco me cedeu com muita boa vontade, mas o melhor foi: Enquanto me ajudava a acertar as golas (casaco marrom x camisa verde claro), ele, desalinhando um pouco meu topete, abrindo o colarinho e afrouxando a camisa de dentro calça, me segredou:

- Homem, para ficar bem tem que estar “nos estrinques”, mas com leve toque de desleixo.

Creio acabei levando a sério demais sua recomendação, pois passada a fase de “bom menino” – se é que realmente o fui algum dia – o “leve toque de desleixo” foi adotado como “desleixo integral”, e barba por fazer, cabelos desgrenhados, roupas enjambradas, no mais fiel estilo hippie, foram incorporados, por um longo tempo, ao meu visual.

Simplicidade

Um pouquinho na linha dos versos do nosso Mano Tarlei...

Ouvi essa música do Pato Fu e a achei lindinha (Não que os versos do maninho sejam lindinhos... mas simples, puros, naturais e tocantes)

Simplicidade
Pato Fu


Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia

Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso

Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria

Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia


Tentei "colar o link" para a música, mas não consegui. Quem se habilita?