sábado, 23 de junho de 2012

Chuva


Chovia,
mas não era chuva de chuva,
chuva de menino,
de enxurrada,
de barco de papel,
ao leu...

Chovia,
mas não era chuva de enchente,
chuva de roça,
chuva criadeira,
chuva de flor e plantação...


Chovia lua.
chuva de luz de lua...

Chovia chuva de lua,
sobre os desabrigados,
os deserdados de amor.

Sem eira, nem beira,
useira e vezeira,
a saudade tomou parte,
e, na falta de arte,
sucumbiu,
sob a lua que a dizimou.

Chovia,
choveu lua e saudade.


***

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