terça-feira, 20 de agosto de 2013

Saudade Caipira


Aperto nu coração,
É ruim e é bão.
 
É bão causdique
Nus ovidu a sodade cochicha
Du tanto qui eu gosto d'ocê,
Di minha pequena lagartixa
 
E é ruim
Causdique ficar longe,
– me acode, Jisuiz Cristim! –
Di minha desmilinguida lesminha

É o fim.

 
***

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Queria entender;
não compreendo.
Queria morrer;
vou vivendo

Onde vou
se nem sei onde estou
Como chegar
se não quero partir

Violão

Inté meu violão
embora na cidade
percebeu
que sou do sertão

Ficou satisfeito
pois lembrou
do seu passado
do que ele foi feito

Madeira do sertão
madeira de lei
sonoridade cabocla
que canta com paixão

Encostado no meu peito
aconchegou-se com jeito
e gemeu em dueto perfeito
com a minha solidão

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Cataratas


Besteira de Deus.
Rio errou o caminho
E despencou escarpa a baixo
Espumando, rugindo fracasso...

Não acho!

***

Giovani Baffô



 


 


Em casa
de menino de rua
o último a dormir
apaga a lua











***

sábado, 27 de julho de 2013

No que me coube....




No que me coube
eu sempre soube
cheguei o reio...
teve filhos da puta no meio
e eu sem arreio,
mas no que me cabe
faço o que cabe

estou aí para disputar.

Chamem a policia pra sangrar.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Coitadinhos

Nos, os coitadinhos,
temos, entre outros, o defeito
de termos pena de nós mesmos
e de querermos dos outros a mesma dó.

Coitadinhos de nós!
Se há algo que merecemos
é a dor que a nós impusemos.

***

sábado, 20 de julho de 2013

Cotidiano dos ausentes


Hoje, assim como ontem,
nao disse bom dia, meu  amor!
Nao ouvi que errei no pó.
Ontem, assim como hoje,
me sinto tão só!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Versos - Tarlei




De vez em quando, tenho que resgatar versos, textos..., perdidos em "comentários" e os trazer para a "primeira página".

Como estes do maninho Tarlei.
Lembranças
que nada valem
embaralho
na imaginação
como retalhos
tempos idos
peito em frangalhos

Capiau
caipira
Natural
natureza
Teu visgo
nele insisto
estar preso
quase que como
uma mosca na teia.
***

Abismo II



Frágil. Sustentando-se há tanto, a vidraça estilhaçou.

Contorcendo-se de dor no estômago vomitou sangue

Sobre a serpente enrrodilhada junto aos seus pés. O bote é iminente.

O ribombar do trovão ecoou também em suas vísceras amorfas,

Inutilizando-as ainda mais. Um soco formidável num feto sem vida

Que o prostou de joelhos, com a cara esboroada entre as mãos.

 

Ora, ora... O vulto que se aproxima não lhe mete mêdo,

Apenas o odor que exala – terra bolorenta e velas apagadas –

Causa-lhe certo asco. E as mariposas fosforecentes que o circundam,

O desconforto de saber-se em pouco roído por malditas larvas.

No mais, alívio... A poucos passos está o alento definitivo

E, finalmente, o desfecho exato para séculos de solidão.

 

Não há mais o que temer. Nenhum risco na serpente aos seus pés.

O abismo o traga, mas a bruma é leve e surpreendentemente doce.

Súbita calma organiza e cataloga, uma gaveta para cada mistério,

Todos os seus dias, fragmentando sua existência até que nada mais reste.

Agora é só cerrar as janelas e lentamente deixar a paisagem desvanecer.

Sorver o ar num último trago e entregar-se, contrito, à imensidão.
 
 
***

 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Zumbizinado




Zumbem nos meus ouvidos,
Desde minha alma,
Palavras, frases, estrofes...
Porque zumbem assim tão desconexas?
Poesia? Duvido!
Nada presta.
 
Mas zumbem.
Abelha colhendo mel?
Zumbe.
Estrela despencando do ceu?
Zumbe.
Flor se abrindo?
Zumbe.
Lua subindo?
Zumbe.
Sapo coachando?
Zumbe.
Seriama cochilando?
Zumbe.
Juriti no mato sombreado?
Zumbe
Cheiro de barranco molhado?
Zumbe
Rio deslizando entre pedras?
Zumbe.
Hera que da fresta medra?
Zumbe.
 
Zumbe e zumbe tudo.
E eu, mudo,
Meio que pasmo,
ainda calado,
fico assim zumbizinado.
 
E, então, disperso
zumbo versos.
 
***

 

sábado, 22 de junho de 2013

Um beijo de amor, um merecido beijo de amor....



quero um beijo
um beijo
que antes que os lábios se toquem
role
um mês, uma semana, um dia...
de olhar
de tocar
de roçar...
quero um beijo
um merecido beijo
disputado
conquistado
não escorregado
não roubado
quero um beijo
que me beije
que eu beije
que eu deseje
que me deseje
quero um beijo
um beijo
além do desejo

um beijo

um beijo merecido
um merecido beijo de amor!

...


sábado, 15 de junho de 2013

Ok... Um cigarro!



Ok,
se eu ainda fumasse,
um cigarro,
me faria  muito bem agora.

Ok.
a fumaça queimando as narinas
a conversa na esquina
a lua emoldurada na janela
a revolução
debulhando idéias
e  ideais....
ideias...
meu  olhar, seu olhar
e ela
ela
maltratando o corpo e coração.

Ok.
A felicidade ali
pendurada no varal
quarando no quintal
animal...

Ok
desceram rua abaixo
subiram rua acima
num só grito:

Salvem o que carece ser salvo!

Ok
Pena  que a tv
faz de tudo um show
(Assim foi, assim sempre será)!

Ok
que pena
não fumo mais

Ok
Que pena
não fumo mais

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Carta aberta à Ferreirada


Antes de mais nada quero enaltecer e valorizar as letras colelianas, bem como sua constância. Apesar de meus poucos comentários, que prometo hão de se tornar mais assíduos, essa breve ausência de textos me sobressaltou. Siga compartilhando conosco de suas pedras pantaneiras, meu tio. A "Quase rubronegrei" me fez gargalhar, enquanto que aos poemas e aos textos, o que comentar? Pérolas! Preciosidades! Perolidades!

Bem, passada essa temporada das colisões, entramos na dos casórios. Ufa e ojalá! Os bons velhinhos andaram se mantendo muito ocupados e, como sempre, belos têm sido os seus trabalhos. Mas demos um desconto doravante aos dois, uma colherzinha de chá para que possam descansar e namorar por seus pomares e jardins a perder de vista na vastidão do infinito...

Então feito o encômio, vamos ao arroz com feijão: me valendo do casório próximo de nosso ilustre Pequique - vulgo Pedro Henrique ou Pedrão, mais recentemente - e das férias acadêmicas e da necessidade de minha digníssima por férias e por viagens, eis que ao útil uno o agradável. A partir do dia 13, justamente, pretendemos passar uma semaninha em terras goianas, entre aqueles Ferreiras que as Goiás habitam. Estamos abertos a itinerários, sugestões, hospedagens e cafés-da-manhã. Estamos aí para o que der e vier. Para termas e para hippies; para fazendas e para alienígenas. Enfim, para celebrar essa nossa breve passagem pelo planeta azul. Para o espaço e avante!