Neste final de semana estive em BH.
Rapidinho, fui no sábado e voltei no domingo, mas deu tempo para um almoço com os futuros papai e mamãe... Estavam ótimos, o Dado enjoando muito... Ops! Quem enjoa é a Lu, o Dado apenas continua enjoado.
Se vocês quizerem conhecer o Baby, postei hoje um link no blog "Baby - Dado e Lu".
É só clicar e assistir ao filme do ultrasom
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Lavras - Janeiro/ 2006 - Ferreiras Felizes

Então Ferreirada? Todos muito atarefados? Assim parece, uma vez que nenhum "postezinho novo" pintou e não recebi nenhum retorno quanto a vizualização do album de fotografias...
Sendo assim, resolvi arriscar e criar mais um album: "Lavras - Janeiro/2006 - Ferreiras Felizes".
O acesso se dá da mesma forma como explicada pelo Dado no post anterior.
Verifiquem e me digam se funcionou.
Beijos
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Novidade no "Os Ferreira"
Buenas, Ferreirada.
Finalmente consegui criar no Blog um link que dê acesso a um "album de fotografias"!
Por enquanto apenas eu (o todo poderoso) estou criando os albuns e vocês (meros participantes) apenas podem vizualizar as fotos, mas, brevemente, vou criar um "album genérico", o qual será compartilhado por aqueles que eu convidar e para os quais eu (novamente, o todo poderoso) poderei dar permissão para incluir fotos suas (não apenas as de suas carinhas, mas as fotos que vocês possuirem, entendido? E, Nairoca, fotos de papel, nem com milagre, num jeito não!).
Fiz um Teste com o Dado... (Por que com o Dado? Ora porque ele é meu afilhado, é meu amigo e eu gosto muito dele, tá bão?) e, segundo ele me informou, deu certo.
A seguir as instruções que me foram por ele passadas, para o acesso dos Ferreiras que estão "do outro lado":
Marco,
consegui acessar a foto diretamente do blog e é bem simples:
1) Cliquei no link: Ferreirada por ai (Fotos);
2) Apareceram 5 fotos suas com um pintado com carimbo do SIF; (Que sacana! EU encho a bola dele e o v... me sacaneia)
3) Cliquei na aba "Galeria de maferreira", em cima da terceira fotos das 5 que aparecem;
4) Apareceu a foto de "capa" do album Ferreiras na Chapada e Pantanal;
5) Cliquei na foto e consegui visualizar as fotos todas.
Em fim, funcionou.
Agora é só publicar um mini post explicativo para a ferreirada "passear" pelas fotos.
Beijo,
Dado
Pois aí está o "mini post"... Digam-me se também conseguiram vizualizar este album.
Finalmente consegui criar no Blog um link que dê acesso a um "album de fotografias"!
Por enquanto apenas eu (o todo poderoso) estou criando os albuns e vocês (meros participantes) apenas podem vizualizar as fotos, mas, brevemente, vou criar um "album genérico", o qual será compartilhado por aqueles que eu convidar e para os quais eu (novamente, o todo poderoso) poderei dar permissão para incluir fotos suas (não apenas as de suas carinhas, mas as fotos que vocês possuirem, entendido? E, Nairoca, fotos de papel, nem com milagre, num jeito não!).
Fiz um Teste com o Dado... (Por que com o Dado? Ora porque ele é meu afilhado, é meu amigo e eu gosto muito dele, tá bão?) e, segundo ele me informou, deu certo.
A seguir as instruções que me foram por ele passadas, para o acesso dos Ferreiras que estão "do outro lado":
Marco,
consegui acessar a foto diretamente do blog e é bem simples:
1) Cliquei no link: Ferreirada por ai (Fotos);
2) Apareceram 5 fotos suas com um pintado com carimbo do SIF; (Que sacana! EU encho a bola dele e o v... me sacaneia)
3) Cliquei na aba "Galeria de maferreira", em cima da terceira fotos das 5 que aparecem;
4) Apareceu a foto de "capa" do album Ferreiras na Chapada e Pantanal;
5) Cliquei na foto e consegui visualizar as fotos todas.
Em fim, funcionou.
Agora é só publicar um mini post explicativo para a ferreirada "passear" pelas fotos.
Beijo,
Dado
Pois aí está o "mini post"... Digam-me se também conseguiram vizualizar este album.
sábado, 19 de setembro de 2009
A Reunião
No dia 06/09/09, em Lavras, na rua Professor Azarias Ribeiro, 261, na sala de visitas, reuniram-se as crias de Seu Milton Ferreira e Dona Lilia, para, entre outras coisas, deliberarem sobre o legado arduamente construido pelos progenitores da tribo, tendo assim transcorrido a assembleia:
1 - Abraçados, em torno da mesa de centro, os orfãos oraram: Pai Nosso, Ave Maria - essa em honra de Dona Lilia;
2 - Haviam olhos lacrimejantes, gargantas ásperas, corações debilitados e vontades, muitas vontades de agradar a Deus e a nossos pais (Não necessariamente nesta ordem!).
3 - Havia determinação: Somos adultos!
4 - Beijamo-nos... Tito disse: "Que fria Dado! Comece você... O mais novo."
5 - Transcorreu em paz... Assim como eu, todos queriámos que nossos pais se orgulhassem de nós.
6 - Ficou decidido (com as ressalvas que qualquer um pode fazer):
(a) - Nos amamos e amamos a nossos pais;
(b) - O legado de nossos pais é muito maior do que os "alguns mihões deixados";
(c) - E esses milhões são deles, continuam sendo deles, para pagar algumas dívidas e, se sobrar, algumas cachaças para os filhos por demais amados;
(d) Mas sejamos práticos: (i) A casa de Lavras - Dinha decide se a compra ou não. Caso não a compre, a manteremos nós (desde que não represente custos: Naira e Mirian - Eu topo absorver algum custo...); (ii)Cinemas (?): Serão mantidos, para gerarem alguma receita, para absorver (se é que dá!) os custos, dele próprio, do sítio e da casa... ); (iii) - Venda-se a parte do outro lado do lago; Mantenha-se a sede (Nào é exatamente uma Paulo Freitas, mas, aos poucos, vai construindo sua história); Que seja a parte vendida para pagar as dívidas para com o Milton e os impostos da partilha; (iv) nomeamos: (`) 0 Dado: para trabalhar nas avaliações e concentrar as decisões; e (``) O Milton, còmo o "controler" para encaminhar as finanças, garantindo: (Primeiro) Ninguém está excluido de responsabilidade; (segundo) Ninguém toma decisões isoladamente; (v) Foi establecido um prazo (30/09/09) para que isso ocorra.
7 - Pieguisse de minha parte: Neste momento meu olhar cruzou com o de Tarlei e ambos tivemos a nítida percepção de que, de alguma janela, nosso pai nos olhava, sorria e nos aprovava.
8 - E assim se fez.
9 - E assim será feito.
10 - E eu vou criar o décimo mandamento: É OBRIGATÓRIO ESTE NOSSO AMOR!
Finda a reunião, uma vez mais oramos e nos propusemos a nos mantermos firmes no intento dar continuidade a união desta família.
1 - Abraçados, em torno da mesa de centro, os orfãos oraram: Pai Nosso, Ave Maria - essa em honra de Dona Lilia;
2 - Haviam olhos lacrimejantes, gargantas ásperas, corações debilitados e vontades, muitas vontades de agradar a Deus e a nossos pais (Não necessariamente nesta ordem!).
3 - Havia determinação: Somos adultos!
4 - Beijamo-nos... Tito disse: "Que fria Dado! Comece você... O mais novo."
5 - Transcorreu em paz... Assim como eu, todos queriámos que nossos pais se orgulhassem de nós.
6 - Ficou decidido (com as ressalvas que qualquer um pode fazer):
(a) - Nos amamos e amamos a nossos pais;
(b) - O legado de nossos pais é muito maior do que os "alguns mihões deixados";
(c) - E esses milhões são deles, continuam sendo deles, para pagar algumas dívidas e, se sobrar, algumas cachaças para os filhos por demais amados;
(d) Mas sejamos práticos: (i) A casa de Lavras - Dinha decide se a compra ou não. Caso não a compre, a manteremos nós (desde que não represente custos: Naira e Mirian - Eu topo absorver algum custo...); (ii)Cinemas (?): Serão mantidos, para gerarem alguma receita, para absorver (se é que dá!) os custos, dele próprio, do sítio e da casa... ); (iii) - Venda-se a parte do outro lado do lago; Mantenha-se a sede (Nào é exatamente uma Paulo Freitas, mas, aos poucos, vai construindo sua história); Que seja a parte vendida para pagar as dívidas para com o Milton e os impostos da partilha; (iv) nomeamos: (`) 0 Dado: para trabalhar nas avaliações e concentrar as decisões; e (``) O Milton, còmo o "controler" para encaminhar as finanças, garantindo: (Primeiro) Ninguém está excluido de responsabilidade; (segundo) Ninguém toma decisões isoladamente; (v) Foi establecido um prazo (30/09/09) para que isso ocorra.
7 - Pieguisse de minha parte: Neste momento meu olhar cruzou com o de Tarlei e ambos tivemos a nítida percepção de que, de alguma janela, nosso pai nos olhava, sorria e nos aprovava.
8 - E assim se fez.
9 - E assim será feito.
10 - E eu vou criar o décimo mandamento: É OBRIGATÓRIO ESTE NOSSO AMOR!
Finda a reunião, uma vez mais oramos e nos propusemos a nos mantermos firmes no intento dar continuidade a união desta família.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
Sinto falta
vazio
oco na alma
às vezes
perco a calma
Fico só
ouço o lamento
do jaó
solidão
de causar dó
A feliz zoeira
da chegada
junto à porteira
não ouço
nem vejo poeira
Estes atalhos
pedaços de tempo
retalhos
que na mente
embaralho
Mina dor doída
é saber
minha infância querida
que não voltas
para curar minha ferida
No chicuta
meu pai querido
cabra batuta
não mais
labuta
No capivari
não mais peleja
caboclo dali
Conversando com a solidão
percebi que não mais
geme o portão
que não mais
entoa bonequita o violão
vazio
oco na alma
às vezes
perco a calma
Fico só
ouço o lamento
do jaó
solidão
de causar dó
A feliz zoeira
da chegada
junto à porteira
não ouço
nem vejo poeira
Estes atalhos
pedaços de tempo
retalhos
que na mente
embaralho
Mina dor doída
é saber
minha infância querida
que não voltas
para curar minha ferida
No chicuta
meu pai querido
cabra batuta
não mais
labuta
No capivari
não mais peleja
caboclo dali
Conversando com a solidão
percebi que não mais
geme o portão
que não mais
entoa bonequita o violão
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Notinhas
- E não é que o blog tem se prestado para a publicação de post's de alta qualidade! Legal... Sinceramente, seus correspondentes tem sido sensacionais (exceto dois, os quais não consigo motivar de "jeito maneira", eita dois difíceis, sô!)!
- Agosto terminou. Segundo dizem: "agosto, mês de desgosto"... Não este de 2009: Nasceu Cecília - mais uma Ferreirinha, certamente tão linda quanto todas as demais (ainda não a conheço, mas afirmo), Dado e Lu se decobriram grávidos (que lindo!), muita gente fez aniversário, com saúde e paz... Então, podemos dizer: Agosto, muito gosto neste mês!
GOstaria de ter uma cópia scaneada da certidão de nascimento da Cecília e do teste de gravidez da Lu, para que fossem publicadas neste blog (para posteridade, que chique, hein?)... Façam isso, tá? - Só para registrar: Também em agosto, Marcele, David e Isabela se deslocaram de Macaé-RJ para São Paulo; Tácio fez o mesmo, partindo de BH e Eu e Rose partindo de Mato Grosso... Nos reunimos todos na casa de Fernanda e Gabi e passamos um belo fim de semana, o qual teve também a presença de meu querido sobrinho Thiago... Show! De causar inveja!
Só para variar, em que pese o tempo sem me ver, minha netinha ficou grudada em mim! - O assunto acabou... Amanhã continuo o Post.
- Procês vê cumo são as coisa!
Tinha "semi-encerrado" o post por falta de assunto e não é que quando chego em casa (se é que meu quarto é uma casa) acontece uma grande novidade... Advinhem!
Pois é: Vou ser vovô de novo!!!
David e Marcele também estão grávidos!
De novo: Quero uma cópia scaneada do teste de gravidez da Marcele, para que seja publicadas neste blog (para posteridade, que chique, hein?)... Façam isso, tá? - Com essa encerro de fato... Beijos!
- Eita ferro! Que agosto bão sô!!!!
domingo, 30 de agosto de 2009
Papai
A panha do café continua morosa.Dei uma volta por lá hoje e, voltei mais desanimado ainda. Estou achando que não consigo apanhar o café todo, está secando demais e não tem nada mesmo;estou ficando muito apreensivo, estou achando que não pago as dívidas, estou querendo entregar os pontos.
Tenho pedido muito a Deus para orientar-me ,pois estou meio sem rumo, com medo da vida,não estou achando saída;minhas dívidas estão aumentando muito e as despesas cada vez maiores, francamente, estou com mêdo.Se eu vendesse ao menos o leite, daria para respirar por mais um tempo.Vidinha cacête, aqui sozinho,fazendo contas sem parar, até endoidar.E não chego a nenhum resultado esperançoso...e lembrar que fui um homem folgado, até acho graça, nunca pensei que fosse passar tanto aperto.É bom para conhecer melhor a humanidade.Amanhã irei para Lavras, não aguento mais;estou muito solitário,não é possível;não sou covarde,mas ando invejando o Zé Orlando.Não, não queria morrer,mas se pudesse dormir uns 120 dias ,devia ser bom.
E depois diz que não é covarde;covarde e dos grandes. Aguenta firme, para que foi feita a luta?Para os homens;enfrente-a galhardamente e sairá vitorioso.Não vês o ditado?"Quanto maior a luta,maior a glória"...E daí?Daí, vou dormir pois hoje não estou com vontade de lutar nada.Já são oito e meia ,da noite,aqui na fazenda, isto já é tarde demais.
Peço a Deus uma benção para minha família
Boa noite
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Sem título
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Alguns Versinhos
Fatal
Fazenda da Guanabara, 27 de agosto de 2009.
Fatal:
Idade pouca,
Vida louca.
Idade avançada,
Vida pacificada.
...
Por bem ou por mal.
Declaração
Fazenda da Guanabara, 19 de janeiro de 2006.
Fique comigo,
Umidecerei seus lábios
Com vinho e orvalho
E me deliciarei.
Fique comigo,
Serei seu pai, seu amante, seu amigo...
A tornarei líquida
E a sorverei.
Fique comigo,
Sem reservas ou ressalvas,
Desminliguida,
Como uma largata ao sol,
Se desmanchando...
Ah, amor... Fique comigo
E a comerei
Com paixão e amor...
E a comerei
Como Deus come uma fruta;
Como o Diabo come uma puta.
SUICIDA
Fazenda Guanabara, Ago/2006
Eu hoje acordei tresloucado,
subi em direção ao cume do telhado
e lá, nu, os braços em cruz,
expus
e me livrei de todos meus fardos.
“Despirocou, Despirocou, Despirocou...”
Gritam lá de baixo as pessoas estabelecidas,
talvez acreditando ser eu um suicida,
mas não, não sou, não sei...
Talvez o seja.
Não por atentar contra a própria vida,
mas contra o viver que até então me dei.
No quarto úmido e ermo,
ficou meu corpo, desgastado e enfermo,
todos os meus erros,
os ternos, as camisas, as gravatas,
as meias de seda, os sapatos de verniz,
as chaves do carro, as bravatas,
as conquistas baratas,
os poemas que não fiz,
o livro que não escrevi,
a armadura,
- arma dura ? –
a espada...
Saí.
“Despirocou, Despirocou, Despirocou...”
Ainda ouço as vozes dos estabelecidos,
- distantes, cada vez mais distantes. -
E me jogo no vazio, para ser esquecido
e esquecer.
Rumo ao sol radiante,
onde meu corpo será incenerado
para que eu (meu eu) possa finalmente viver.
Fazenda da Guanabara, 27 de agosto de 2009.
Fatal:
Idade pouca,
Vida louca.
Idade avançada,
Vida pacificada.
...
Por bem ou por mal.
Declaração
Fazenda da Guanabara, 19 de janeiro de 2006.
Fique comigo,
Umidecerei seus lábios
Com vinho e orvalho
E me deliciarei.
Fique comigo,
Serei seu pai, seu amante, seu amigo...
A tornarei líquida
E a sorverei.
Fique comigo,
Sem reservas ou ressalvas,
Desminliguida,
Como uma largata ao sol,
Se desmanchando...
Ah, amor... Fique comigo
E a comerei
Com paixão e amor...
E a comerei
Como Deus come uma fruta;
Como o Diabo come uma puta.
SUICIDA
Fazenda Guanabara, Ago/2006
Eu hoje acordei tresloucado,
subi em direção ao cume do telhado
e lá, nu, os braços em cruz,
expus
e me livrei de todos meus fardos.
“Despirocou, Despirocou, Despirocou...”
Gritam lá de baixo as pessoas estabelecidas,
talvez acreditando ser eu um suicida,
mas não, não sou, não sei...
Talvez o seja.
Não por atentar contra a própria vida,
mas contra o viver que até então me dei.
No quarto úmido e ermo,
ficou meu corpo, desgastado e enfermo,
todos os meus erros,
os ternos, as camisas, as gravatas,
as meias de seda, os sapatos de verniz,
as chaves do carro, as bravatas,
as conquistas baratas,
os poemas que não fiz,
o livro que não escrevi,
a armadura,
- arma dura ? –
a espada...
Saí.
“Despirocou, Despirocou, Despirocou...”
Ainda ouço as vozes dos estabelecidos,
- distantes, cada vez mais distantes. -
E me jogo no vazio, para ser esquecido
e esquecer.
Rumo ao sol radiante,
onde meu corpo será incenerado
para que eu (meu eu) possa finalmente viver.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
O PORTAL
Tirei o telefone do gancho. Fitei os números pausadamente. O impulso que me levara até ali tinha um quê de misterioso, de sobrenatural. Afinal, seria possível alguma resposta? Algum interlocutor? Mas por que, então, a insistência? Por que agora a repetição desses dígitos tão familiares?
Em minha primeira tentativa sequer passei do 0. O indicador subitamente estancou, pairando no ar, inseguro, trêmulo. Senti que, ao finalmente pressionar a tecla 6, um portal me seria aberto, uma passagem a décadas extintas irromperia daquele tom, um tempo estritamente irmanado com o presente em luto se ergueria do passado e se apresentaria aos meus ouvidos. Senti que o som da campainha, reverberando pelos espaços vazios da casa, poderia ser escutado por alguém que lá já não estava, mas que, por haver estado outrora, pudesse me atender de sua margem da existência, de sua freqüência a mim ininteligível.
Sim! Um portal!
Fiquei maravilhado com pensamento tão abstrato e os dedos afoitos, nesse delírio de febre, voltaram-se novamente ao processo. Dessa vez, porém, com impávida segurança. E o 0, com seu jeitão de operador telefônico, foi enfim pressionado com vigor e vontade. Mas novamente sobressaltou-me o receio pelo desconhecido, um arrepio gélido me açoitou a espinha, interrompendo a espera, arremessando o telefone de volta ao gancho.
Mas e o portal recém-descoberto? Que se faria dele?
Depois de alguns minutos de um transe perplexo, em que meus olhos se arregalaram e em que meus pensamentos se estranharam com violência, voltei ao bendito telefone. E dessa vez, no afã de desmitificar a ilusão criada, de assenhorar-me da razão destituída, fui enfático e determinado. Executei todos os números pausadamente, seguro do meu gesto, e com o semblante tomado de apreensiva excitação deixei com que o tempo agisse por conta e com que o som se manifestasse através do espaço.
O telefone tocou, tocou, tocou e tocou. Uma lágrima me escorreu, escorreu, escorreu e escorreu. Não havia portal. Não havia ninguém.
Em minha primeira tentativa sequer passei do 0. O indicador subitamente estancou, pairando no ar, inseguro, trêmulo. Senti que, ao finalmente pressionar a tecla 6, um portal me seria aberto, uma passagem a décadas extintas irromperia daquele tom, um tempo estritamente irmanado com o presente em luto se ergueria do passado e se apresentaria aos meus ouvidos. Senti que o som da campainha, reverberando pelos espaços vazios da casa, poderia ser escutado por alguém que lá já não estava, mas que, por haver estado outrora, pudesse me atender de sua margem da existência, de sua freqüência a mim ininteligível.
Sim! Um portal!
Fiquei maravilhado com pensamento tão abstrato e os dedos afoitos, nesse delírio de febre, voltaram-se novamente ao processo. Dessa vez, porém, com impávida segurança. E o 0, com seu jeitão de operador telefônico, foi enfim pressionado com vigor e vontade. Mas novamente sobressaltou-me o receio pelo desconhecido, um arrepio gélido me açoitou a espinha, interrompendo a espera, arremessando o telefone de volta ao gancho.
Mas e o portal recém-descoberto? Que se faria dele?
Depois de alguns minutos de um transe perplexo, em que meus olhos se arregalaram e em que meus pensamentos se estranharam com violência, voltei ao bendito telefone. E dessa vez, no afã de desmitificar a ilusão criada, de assenhorar-me da razão destituída, fui enfático e determinado. Executei todos os números pausadamente, seguro do meu gesto, e com o semblante tomado de apreensiva excitação deixei com que o tempo agisse por conta e com que o som se manifestasse através do espaço.
O telefone tocou, tocou, tocou e tocou. Uma lágrima me escorreu, escorreu, escorreu e escorreu. Não havia portal. Não havia ninguém.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
D.Lilia
Maria luta e alegria
Conceição amor e dedicação
Mulher primeira
Mulher pioneira
Lilia do movimento da igreja
Lilia do tio Milton
Mulher guerreira
Mulher fazendeira
Lilia da Health Glo
Lilia do salão
Mulher empresária
Mulher necessária
Maria boa mãe
Conceição ardência e tesão
Mulher birrenta
Mulher ciumenta
Lilia de várias crias
Lilia religiosa
Mulher de Maria
Mulher que meu pai carecia
Queridos irmãos e afins,escrevi esta singela homenagen a nossa saudosa matriarca(palavra estranha esta).Para minha felicidade ela chegou a ler, e comentou:"Nossa, ele contou minha vida!"
Beijos
PS-Este irmãos e afins,aprendi lendo sobre familias de aves.Ex. tico-ticos e afins.
Conceição amor e dedicação
Mulher primeira
Mulher pioneira
Lilia do movimento da igreja
Lilia do tio Milton
Mulher guerreira
Mulher fazendeira
Lilia da Health Glo
Lilia do salão
Mulher empresária
Mulher necessária
Maria boa mãe
Conceição ardência e tesão
Mulher birrenta
Mulher ciumenta
Lilia de várias crias
Lilia religiosa
Mulher de Maria
Mulher que meu pai carecia
Queridos irmãos e afins,escrevi esta singela homenagen a nossa saudosa matriarca(palavra estranha esta).Para minha felicidade ela chegou a ler, e comentou:"Nossa, ele contou minha vida!"
Beijos
PS-Este irmãos e afins,aprendi lendo sobre familias de aves.Ex. tico-ticos e afins.
domingo, 16 de agosto de 2009
Tempo bom
Dizem que, quando os soldados estavam no encalço de Jesus;os passarinhos tiveram participação:
O bentivi gritava esbaforido
_Bem que te vi,bem que te vi
O joão de barro em dueto com a companheira dizia
_É amentira,é mentira,é mentira
As rolinhas fogo-apagou iam apressadas andando e ciscando as pegadas de Jesus afim de apagá las e assim despitar os soldados.
Por isto nós quando moleques não podiamos matar a estilingadas rolinhas e joão de barro.
Estas são estórias que nos eram contadas pelas pretas e pretos dos Paulo Freitas,para que não trucidacemos alguns passarinhos
O bentivi gritava esbaforido
_Bem que te vi,bem que te vi
O joão de barro em dueto com a companheira dizia
_É amentira,é mentira,é mentira
As rolinhas fogo-apagou iam apressadas andando e ciscando as pegadas de Jesus afim de apagá las e assim despitar os soldados.
Por isto nós quando moleques não podiamos matar a estilingadas rolinhas e joão de barro.
Estas são estórias que nos eram contadas pelas pretas e pretos dos Paulo Freitas,para que não trucidacemos alguns passarinhos
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Era mulher
Como as mulheres desta família, estão muito silenciosas, resolvi provocá-las com o começo de mais uma estória:
"Era mulher.E isso era tudo que possuía.Sabia-se mulher.Os longos dedos sapateando no teclado denunciavam essa feminilidade tímida, ritmada.Era mulher e os fios de cabelos escorrendo pela face completavam: é mulher não enxerga bem.Sabia-se mulher.Que o diga o roupão aberto oferecendo os seios.
Ali estava ela diante da tela buscando a palavra exata,mas era mulher e a língua passeando entre os dentes,pressionando o escorregadio da alvura ironizava a precisão insensata da palavra exata.
A língua, os dentes... os dentes, muralha para palavras opalas,deixavam que a língua por eles deslizasse desenhando contatos lascivos,profanando reentrâncias ásperas...
-Clarice!...Clarice! Terminou?
Não.Não terminara.Terminou o quê?Era mulher, essa coisa vaga que não se finda,que depois do ponto há um pouco ainda.
-Clarice!..Clarice!Não está me ouvindo?
Sim,ouço.Ouço essa voz que me interrompe, que me incomoda, que me estorva.Mas sou mulher e aprendi a criar o silêncio, a me fechar em copas e ignorar a resposta.
-Clarice!...Clarice!Meu amor,o tempo ruge!
Ruge o tempo.Estanca o próximo passo, perde-se o compasso, chama o cansaço, adormeço nos seus braços?Era mulher, esperaria o desabafo.
-Clarice!...Clarice!...Não se faça de tola?
Ah!não me peça isso!Como decifrá-lo não me fazendo de tola?Era mulher e assim aprendera a fingir aí estar quando não estava nem aí, a conversar quando nem enfrentara o monólogo, a aturar até mesmo quando o corpo eriça feito felina.
.................................................................................................
Cessou.Nem mais um chamado.
Ali estava ela diante da tela buscando a palavra exata.Como encontrá-la?Palavra exata para idéia barata.Barata..Samsom transformara-se em barata,mas ela não lera Kafka.Coisa asquerosa...e o torvo pensa em mim.Plágio?Era mulher e ui, como sabia plagiar: metamorfose de areia em águas .No plural.As águas expandem, escorrem, derramam,moldam...águas molham,ensopam.Era mulher,essa coisa úmida, molhada,encharcada.Águas, gotículas bem disfarçadas em unidade.Coisa mais feminina.
A palavra exata é água. Águas em cascatas ,águas em música.
-Clarice!...Clarice!...Vem dormir?
Justo agora?Tenha pena!Encontrei a palavra exata.Era águas.Assim no plural,em discordância. E isso era tudo que possuía.Era mulher e agora também águas.
-Clarice!...Clarice!...Vem dormir!
Não já.Acabara de acordar para quem ela era.Dormir? Não agora.Morrer poderia.E vomitar uma estrela de cinco pontas aguadas.Mas essa era outra Clarice.
-Clarice!...Clarice!...Terminou?Sim, terminara.Garimpando a palavra,completara a idéia.Não, não era barata
"Era mulher.E isso era tudo que possuía.Sabia-se mulher.Os longos dedos sapateando no teclado denunciavam essa feminilidade tímida, ritmada.Era mulher e os fios de cabelos escorrendo pela face completavam: é mulher não enxerga bem.Sabia-se mulher.Que o diga o roupão aberto oferecendo os seios.
Ali estava ela diante da tela buscando a palavra exata,mas era mulher e a língua passeando entre os dentes,pressionando o escorregadio da alvura ironizava a precisão insensata da palavra exata.
A língua, os dentes... os dentes, muralha para palavras opalas,deixavam que a língua por eles deslizasse desenhando contatos lascivos,profanando reentrâncias ásperas...
-Clarice!...Clarice! Terminou?
Não.Não terminara.Terminou o quê?Era mulher, essa coisa vaga que não se finda,que depois do ponto há um pouco ainda.
-Clarice!..Clarice!Não está me ouvindo?
Sim,ouço.Ouço essa voz que me interrompe, que me incomoda, que me estorva.Mas sou mulher e aprendi a criar o silêncio, a me fechar em copas e ignorar a resposta.
-Clarice!...Clarice!Meu amor,o tempo ruge!
Ruge o tempo.Estanca o próximo passo, perde-se o compasso, chama o cansaço, adormeço nos seus braços?Era mulher, esperaria o desabafo.
-Clarice!...Clarice!...Não se faça de tola?
Ah!não me peça isso!Como decifrá-lo não me fazendo de tola?Era mulher e assim aprendera a fingir aí estar quando não estava nem aí, a conversar quando nem enfrentara o monólogo, a aturar até mesmo quando o corpo eriça feito felina.
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Cessou.Nem mais um chamado.
Ali estava ela diante da tela buscando a palavra exata.Como encontrá-la?Palavra exata para idéia barata.Barata..Samsom transformara-se em barata,mas ela não lera Kafka.Coisa asquerosa...e o torvo pensa em mim.Plágio?Era mulher e ui, como sabia plagiar: metamorfose de areia em águas .No plural.As águas expandem, escorrem, derramam,moldam...águas molham,ensopam.Era mulher,essa coisa úmida, molhada,encharcada.Águas, gotículas bem disfarçadas em unidade.Coisa mais feminina.
A palavra exata é água. Águas em cascatas ,águas em música.
-Clarice!...Clarice!...Vem dormir?
Justo agora?Tenha pena!Encontrei a palavra exata.Era águas.Assim no plural,em discordância. E isso era tudo que possuía.Era mulher e agora também águas.
-Clarice!...Clarice!...Vem dormir!
Não já.Acabara de acordar para quem ela era.Dormir? Não agora.Morrer poderia.E vomitar uma estrela de cinco pontas aguadas.Mas essa era outra Clarice.
-Clarice!...Clarice!...Terminou?Sim, terminara.Garimpando a palavra,completara a idéia.Não, não era barata
Bené
Aí está mais uma estorinha...é claro que vocês a conhecem,porém essa é a minha criação dos fatos...liberdades, supostamente literária.
"Maria sentiu-se aliviada, o ar chegava-lhe aos pulmões. E os pensamentos voltavam-lhe à mente. Escutou o azulão cantando na cozinha, estranho pássaro que canta noite adentro.Seria um presságio?Ou,quem sabe,seria apenas música etérea?Gorjeios... Seria ela levada por uma sinfonia de... Sinfonia de pardais anunciando o amanhecer...
-Tem alvorada, tem passarada, alvorecer...E o morro inteiro ao fim do dia reza uma prece ave-maria - cantava docemente a mãe, enquanto abria as enormes janelas da casa da fazenda, deixando entrar o cheiro gostoso do eucalipto, os sons dos animais, as vozes das empregadas e da criançada, já na horta.Suas mãos delicadas agilizavam o dia e prometiam para a dureza deste um pouco de poesia.
- Mãe, olha a manga que apanhei pra senhora. Estava lá na pontinha do galho.Apanhei sem deixar cair – gritou afogueado Benedito.
- Que beleza, filho, vou chupá-la escondidinha – brincou a mãe.
Benedito era o irmão do meio, a euforia da casa. Menino forte, expedito (gostava da palavra pelo trocadilho), levado da breca, sedutor...De todos conseguia perdão. Tinha um jeito tão manhoso de se fazer perdoado que a gente da casa ia assim, perdoando, sem saber que o fazia. Adorava a mãe e era para ela que trazia a manga mais gostosa, a flor mais cheirosa, o agrado mais delicado. A mãe era, para ele, uma espécie de guardiã. Quando Benedito caprichava na bagunça e o pai colérico queria lhe arrancar o couro, era mãe que, afobada, desviava o encontro fatídico entre pai e filho.
- Bené, que horas você vai estudar para prova ? - perguntou a mãe preocupada e já sabendo que uma desculpa espirituosa sairia daquele riso matreiro
- Depois, depois mãezinha. Hoje estou atarefado.Pai me mandô ir na estação trazê açúcar.Sou, nessa casa, pau pra toda obra. Não vê minha batata. Sou Tarzan, só falta a Chita –brincou -A senhora quer alguma coisa? Pega o embornal para mim, mãe. Pai já tá dando aquele assobio de arrepiá os cabelo - sussurrou o menino.
-Olha como fala ,menino. Olha que falta faz o estudo -repreendeu a mãe.
- Não vai fazê pra mim. Vou ficá rico, vou ser fazendeirão que nem Custódio. Metido, vou ser. De cavalo bom, camionete Tesoto e curral cheio, tudo gado holandês.
- Seu avô tinha tudo isso – lamentou a mãe e pôs um olhar tão saudoso para o lado do curral que fez o coração de Bené apertar.
- Seu filho vai ter tudo isso e você mãezinha vai ficar importante, tão importante como Vó Chichica, cheia de nove horas.
- Não implica com sua avó – censurou.
- É sua mãe, é verdade, mas não é à toa que Maria chama ela de vovó pimenta – retrucou Bené já correndo para o porão de arreio.
- Olha o português -corrigiu a mãe - Maria...Essa menina está voluntariosa que só... E seu pai dá muita trela...resmungou.
Bené já não mais ouvia. Montado no cavalo, cheio de pose, lá ia galopando rumo à estação de trem. Maria o viu de longe. Admirava o indômito irmão, a abarbarada criatura. Nada conseguia detê-lo, também ela ambicionava aquela agilidade, a alegria valente de quem se deixa levar pela vida...
Mas ...Bené demorou na venda da estação. O dia findando e, o moçoilo não voltava. Pai e mãe olhavam aflitos a estrada...Nem sombra do cavalo e seu cavaleiro errante; a criançada pelos cantos confabulava imaginando onde se metera Bené. Alguma ele estava aprontando, não havia dúvida. O primogênito, na responsabilidade que lhe conferia a posição, já se preparava para sair em busca do menino capeta, quando se ouviu um corre-corre, um Deus nos acuda, um Virge Maria valei-me, na cozinha.
- Nossa Senhora, Bené se pegou com o filho da Rola no corguinho de baixo, deu uma surra no coitado que ele ficou lá, estirado na água. Dorgino quer matar Bené, diz que fio de patrão nenhum faz isso com fio dele -falava apressadamente Maria Caetana às outras empregadas.
- São Benedito, nos acuda! E o mantimento que vinha da venda? - perguntou Divina não aguentando de curiosidade.- Bené, ah menino danado!
- O saco de açúcar caiu no corgo...Hoje peixe vai comer doce -riu gostoso a cozinheira.
- Corre Divina, cerca Bené! Manda-o vir pelo portão da horta que o pai está bufando no alpendre. Vai acabar com ele –alardeava a mãe, já se colocando na defensiva.
Porém, antes que a empregada tomasse qualquer iniciativa, a mãe desceu as escadas em disparada ao encontro do filho, mas ao vê-lo molhado, rasgado, segurando o saco de açúcar vazio, o olho roxo e aquele risinho safado:
- Não disse, mãe, que comigo ninguém pode. Moí o valentão - falou entre dentes Bené.
- Ninguém pode, não é Benedito? –gritou mãe e foi ligeira, tremendo, tirando o chinelo do pé que dançou bonito, ritmado na bunda do menino.
- Ai! Ai! Ai!-pulava Bené na cadência da batida.
Da varanda, as empregadas viam o pandepá, a pândega, o pandemônio...Tonho varrendo o terreiro, segurava o riso. Divina, doutora em Bené,sussurrou ao pé do ouvido de Maria Caetana:
- Garanto que comadi Rola tá no meio. Querdita que o capeta tá fingindo que dói. Chinelo de pano...-tampou a boca para a risada não escapar.
Bené esperou a mãe se acalmar e saiu de fininho, de cabeça baixa; muito sentido até sumir de vista da raiva materna. Depois, soltou larga a sua risada...Estava meio estropiado, pois sim; mas deu uma lição no outro e além, a Rola valia a pena...Mulata cheia de curvas e reentrâncias...Era mulher de Dorgino, mãe do mulatinho metido a invocado, mas, engraçara-se pro lado dele e as reentrâncias pediam um homem de conhecimento e esse, pois não; era ele. A coisa ia ficar feia. O chinelo de pano da mãe amaciara as nádegas para a correia do pai. Dorgino jurara não respeitar o fio do patrão e da novena ele não sabia a metade.Ah Rola, Rolinha do meu coração.
Sempre em busca das últimas, a noticiosa Francisca veio vindo em auxílio do irmão:
- Bené, pai está andando de um lado para o outro, só esperando você cansar de se esconder. Dorgino já veio falar com pai e pediu as contas, mas te jurou de morte. Só ouvi pai dizendo que nessas terras não tem assassino e que todo corno que se preze vai esconder sua vergonha em outras paragens.
- Me lasquei Esse camarada faz falta.Como pai sabia do achego? – ajuizou - Nem Dorgino sabia, só o filho dele.Desgraçado, viu o que não era pro seu bico. Rola vai se embora?
-Tem vergonha, não? Olha a confusão. Divina, com ciúme, acabou dando com a língua nos dentes. Vem, vamos entrar. Mãe está se remoendo de remorso. Está apavorada com essa história toda.Você diz pro pai que não foi culpa sua, que Rola é assanhada, coisas de homem...Vocês se entendem.
Devagarzinho, tímida, amedrontada, Maria foi se aproximando.Também ela queria se fazer necessária, também ela queria mostrar sua preocupação com Bené. E mal tocou no ombro de Francisca, e já os dois em uníssono gritaram:
- Vai embora daqui, Repórter Esso. Já contou pro pai, não é sua linguaruda?
Maria ia responder, quando ouviu o som da correia deslizando entre os prendedores, virou e viu a figura enorme do pai que vinha em passos largos para cima de Bené.
-Não pai, não...-murmurou o menino
-Pai, não é culpa dele, foi a Rola...-gemia Francisca.
-Desapareçam, meninas!...Isso não é coisa para vocês.
As duas apavoradas, saíram correndo.Mortificadas, ouviram as correiadas estalando no corpo rijo de Bené. O menino não chorava, nem um gemido soltava...Orgulhoso esse filho de meu pai. Maria ainda o olhou uma vez mais.Ajoelhado, encolhido em si mesmo, recebia o couro paterno, mas Maria viu seus olhos encarnados e esses prometiam vingança:
-Francisca, acredite, não fui eu que contei pro pai onde estava o Bené. Apenas adivinhei e papai me seguiu-explicou a menina
-Retardada, nunca pensa antes de agir. Você me paga Maria! Coitado do Bené, pai vai esfolar o lombo dele. Você me paga...-grunhia a irmã.
Humilhada, Maria se afastou. Era uma desastrada. Não queria aquela violência. Pai sabia ser bravo, enérgico, quando era preciso. E ademais, Bené era impossível. Parecia que o irmão gostava de provocar pai, sempre o desafiando, medindo forças. E agora o camarada Dorgino ia embora.Ia fazer falta, meu Deus!Coitado do pai, coitado do Bené...Coitadinha de mim..."
-Tem alvorada, tem passarada, alvorecer...E o morro inteiro ao fim do dia reza uma prece ave-maria - cantava docemente a mãe, enquanto abria as enormes janelas da casa da fazenda, deixando entrar o cheiro gostoso do eucalipto, os sons dos animais, as vozes das empregadas e da criançada, já na horta.Suas mãos delicadas agilizavam o dia e prometiam para a dureza deste um pouco de poesia.
- Mãe, olha a manga que apanhei pra senhora. Estava lá na pontinha do galho.Apanhei sem deixar cair – gritou afogueado Benedito.
- Que beleza, filho, vou chupá-la escondidinha – brincou a mãe.
Benedito era o irmão do meio, a euforia da casa. Menino forte, expedito (gostava da palavra pelo trocadilho), levado da breca, sedutor...De todos conseguia perdão. Tinha um jeito tão manhoso de se fazer perdoado que a gente da casa ia assim, perdoando, sem saber que o fazia. Adorava a mãe e era para ela que trazia a manga mais gostosa, a flor mais cheirosa, o agrado mais delicado. A mãe era, para ele, uma espécie de guardiã. Quando Benedito caprichava na bagunça e o pai colérico queria lhe arrancar o couro, era mãe que, afobada, desviava o encontro fatídico entre pai e filho.
- Bené, que horas você vai estudar para prova ? - perguntou a mãe preocupada e já sabendo que uma desculpa espirituosa sairia daquele riso matreiro
- Depois, depois mãezinha. Hoje estou atarefado.Pai me mandô ir na estação trazê açúcar.Sou, nessa casa, pau pra toda obra. Não vê minha batata. Sou Tarzan, só falta a Chita –brincou -A senhora quer alguma coisa? Pega o embornal para mim, mãe. Pai já tá dando aquele assobio de arrepiá os cabelo - sussurrou o menino.
-Olha como fala ,menino. Olha que falta faz o estudo -repreendeu a mãe.
- Não vai fazê pra mim. Vou ficá rico, vou ser fazendeirão que nem Custódio. Metido, vou ser. De cavalo bom, camionete Tesoto e curral cheio, tudo gado holandês.
- Seu avô tinha tudo isso – lamentou a mãe e pôs um olhar tão saudoso para o lado do curral que fez o coração de Bené apertar.
- Seu filho vai ter tudo isso e você mãezinha vai ficar importante, tão importante como Vó Chichica, cheia de nove horas.
- Não implica com sua avó – censurou.
- É sua mãe, é verdade, mas não é à toa que Maria chama ela de vovó pimenta – retrucou Bené já correndo para o porão de arreio.
- Olha o português -corrigiu a mãe - Maria...Essa menina está voluntariosa que só... E seu pai dá muita trela...resmungou.
Bené já não mais ouvia. Montado no cavalo, cheio de pose, lá ia galopando rumo à estação de trem. Maria o viu de longe. Admirava o indômito irmão, a abarbarada criatura. Nada conseguia detê-lo, também ela ambicionava aquela agilidade, a alegria valente de quem se deixa levar pela vida...
Mas ...Bené demorou na venda da estação. O dia findando e, o moçoilo não voltava. Pai e mãe olhavam aflitos a estrada...Nem sombra do cavalo e seu cavaleiro errante; a criançada pelos cantos confabulava imaginando onde se metera Bené. Alguma ele estava aprontando, não havia dúvida. O primogênito, na responsabilidade que lhe conferia a posição, já se preparava para sair em busca do menino capeta, quando se ouviu um corre-corre, um Deus nos acuda, um Virge Maria valei-me, na cozinha.
- Nossa Senhora, Bené se pegou com o filho da Rola no corguinho de baixo, deu uma surra no coitado que ele ficou lá, estirado na água. Dorgino quer matar Bené, diz que fio de patrão nenhum faz isso com fio dele -falava apressadamente Maria Caetana às outras empregadas.
- São Benedito, nos acuda! E o mantimento que vinha da venda? - perguntou Divina não aguentando de curiosidade.- Bené, ah menino danado!
- O saco de açúcar caiu no corgo...Hoje peixe vai comer doce -riu gostoso a cozinheira.
- Corre Divina, cerca Bené! Manda-o vir pelo portão da horta que o pai está bufando no alpendre. Vai acabar com ele –alardeava a mãe, já se colocando na defensiva.
Porém, antes que a empregada tomasse qualquer iniciativa, a mãe desceu as escadas em disparada ao encontro do filho, mas ao vê-lo molhado, rasgado, segurando o saco de açúcar vazio, o olho roxo e aquele risinho safado:
- Não disse, mãe, que comigo ninguém pode. Moí o valentão - falou entre dentes Bené.
- Ninguém pode, não é Benedito? –gritou mãe e foi ligeira, tremendo, tirando o chinelo do pé que dançou bonito, ritmado na bunda do menino.
- Ai! Ai! Ai!-pulava Bené na cadência da batida.
Da varanda, as empregadas viam o pandepá, a pândega, o pandemônio...Tonho varrendo o terreiro, segurava o riso. Divina, doutora em Bené,sussurrou ao pé do ouvido de Maria Caetana:
- Garanto que comadi Rola tá no meio. Querdita que o capeta tá fingindo que dói. Chinelo de pano...-tampou a boca para a risada não escapar.
Bené esperou a mãe se acalmar e saiu de fininho, de cabeça baixa; muito sentido até sumir de vista da raiva materna. Depois, soltou larga a sua risada...Estava meio estropiado, pois sim; mas deu uma lição no outro e além, a Rola valia a pena...Mulata cheia de curvas e reentrâncias...Era mulher de Dorgino, mãe do mulatinho metido a invocado, mas, engraçara-se pro lado dele e as reentrâncias pediam um homem de conhecimento e esse, pois não; era ele. A coisa ia ficar feia. O chinelo de pano da mãe amaciara as nádegas para a correia do pai. Dorgino jurara não respeitar o fio do patrão e da novena ele não sabia a metade.Ah Rola, Rolinha do meu coração.
Sempre em busca das últimas, a noticiosa Francisca veio vindo em auxílio do irmão:
- Bené, pai está andando de um lado para o outro, só esperando você cansar de se esconder. Dorgino já veio falar com pai e pediu as contas, mas te jurou de morte. Só ouvi pai dizendo que nessas terras não tem assassino e que todo corno que se preze vai esconder sua vergonha em outras paragens.
- Me lasquei Esse camarada faz falta.Como pai sabia do achego? – ajuizou - Nem Dorgino sabia, só o filho dele.Desgraçado, viu o que não era pro seu bico. Rola vai se embora?
-Tem vergonha, não? Olha a confusão. Divina, com ciúme, acabou dando com a língua nos dentes. Vem, vamos entrar. Mãe está se remoendo de remorso. Está apavorada com essa história toda.Você diz pro pai que não foi culpa sua, que Rola é assanhada, coisas de homem...Vocês se entendem.
Devagarzinho, tímida, amedrontada, Maria foi se aproximando.Também ela queria se fazer necessária, também ela queria mostrar sua preocupação com Bené. E mal tocou no ombro de Francisca, e já os dois em uníssono gritaram:
- Vai embora daqui, Repórter Esso. Já contou pro pai, não é sua linguaruda?
Maria ia responder, quando ouviu o som da correia deslizando entre os prendedores, virou e viu a figura enorme do pai que vinha em passos largos para cima de Bené.
-Não pai, não...-murmurou o menino
-Pai, não é culpa dele, foi a Rola...-gemia Francisca.
-Desapareçam, meninas!...Isso não é coisa para vocês.
As duas apavoradas, saíram correndo.Mortificadas, ouviram as correiadas estalando no corpo rijo de Bené. O menino não chorava, nem um gemido soltava...Orgulhoso esse filho de meu pai. Maria ainda o olhou uma vez mais.Ajoelhado, encolhido em si mesmo, recebia o couro paterno, mas Maria viu seus olhos encarnados e esses prometiam vingança:
-Francisca, acredite, não fui eu que contei pro pai onde estava o Bené. Apenas adivinhei e papai me seguiu-explicou a menina
-Retardada, nunca pensa antes de agir. Você me paga Maria! Coitado do Bené, pai vai esfolar o lombo dele. Você me paga...-grunhia a irmã.
Humilhada, Maria se afastou. Era uma desastrada. Não queria aquela violência. Pai sabia ser bravo, enérgico, quando era preciso. E ademais, Bené era impossível. Parecia que o irmão gostava de provocar pai, sempre o desafiando, medindo forças. E agora o camarada Dorgino ia embora.Ia fazer falta, meu Deus!Coitado do pai, coitado do Bené...Coitadinha de mim..."
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